Arginina e aplicabilidade para atividades físicas | Blog Nutrify

Arginina e aplicabilidade para atividades físicas

Dentre os aminoácidos a arginina é considerada o mais versátil deles, uma vez que sua função não se limita somente à síntese proteica como também como precursor do óxido nítrico, ureia, glutamato3,4. A arginina pode ser considerada um aminoácido semi essencial, ou condicionalmente essencial visto que em condições normais o organismo é capaz de sintetizá-la.

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As vias de síntese são diversas tal como seu substrato, reiterando a versatilidade do aminoácido, onde no intestino depende da presença de glutamina e glutamato, nos rins sua dependente da citrulina, já no fígado sua maior taxa de síntese ocorre dentro do ciclo da ureia, onde a arginina converte a amônia em ureia, já sugerindo seu papel na redução da fadiga muscular, além de ser um importante precursor do óxido nítrico3,4.

O óxido nítrico é uma importante substância mediadora de processos celulares, apresentando um papel vasodilatador, ou seja, atua na parede dos vasos induzindo seu relaxamento e consequentemente proporcionando uma melhora no fluxo sanguíneo e no transporte de nutrientes para as células9.

Como fontes de arginina para o corpo, considera-se as fontes dietéticas, a produção endógena e a ressíntese, sendo que 40% da arginina dietética será metabolizada no intestino antes de atingir a circulação, e no estado de jejum, 85% desta deriva do catabolismo proteico e ressíntese 3,4.

Como fontes dietéticas,pode ser encontrada em alimentos ricos  em proteína como frutos do mar, carnes, aves, semente de abóbora, pistache, castanha de caju, aveia e laticínios.

As dosagens de suplementação são individualizadas podendo variar de 100 a 4000 mg por dia.

Os efeitos adversos mais comuns na superdosagem são náuseas e diarreia aquosa.

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Arginina como agente vasodilatador

Um dos papéis centrais da arginina no esporte se atribui à sua ação vasodilatadora. Isso ocorre porque ela está envolvida na sinalização de óxido nítrico. O óxido nítrico apresenta uma ação de relaxamento nos vasos sanguíneos, consequentemente isso faz com que haja um maior aporte de oxigênio, glicose e melhora no fluxo de nutrientes para os tecidos, contribui também na biogênese mitocondrial e aumento de força muscular uma vez que atua efetivamente nas fibras de tipo II, em suma: todos esses mecanismos que podem contribuir com o retardo da fadiga muscular8.

Portanto, o crescente interesse pelo aminoácido se justifica por seu potencial ergogênico. Alguns estudos utilizando a suplementação de arginina demonstraram  melhora do desempenho geral, aumento da potência máxima e o aumento da capacidade de exercício em intensidade moderada ou submáxima, mesmo com dosagens protocolares diferentes variando intervenções agudas inferiores a 7 dias,  e dosagens de 6-10g/dia em intervenções crônicas10.

O que tem sido reforçado pelos autores, é que os achados mais significativos nesse aspecto, estão atrelados unicamente ao aumento do fluxo sanguíneo e consequente melhora na oxigenação8.

Um teste realizado com ciclistas treinados e não treinandos, demonstrou que a suplementação realizada de 60-90 min antes do exercício resultou em melhora do tempo até a exaustão, tal como aumento da potência no teste de resistência ciclística10.

Discute-se então que a arginina desempenha um papel relevante no esporte por três mecanismos que são ativados simultaneamente a partir da vasodilatação: aumento na perfusão sanguínea, melhora da oferta de glicose para o músculo, e redução da concentração plasmática de amônia e lactato1

Melhora no desempenho

A arginina desempenha também um importante papel no metabolismo do GH, aumentando o hormônio liberador de GH, inibindo seu supressor e aumentando o fator de crescimento semelhante à insulina (IGF-1)8. A partir daí, se pode discutir também seus efeitos positivos nos exercícios de força, além de sua atuação na via de síntese do GH, participa também do metabolismo da creatina que é o principal agente no sistema anaeróbio e fosfagênico8.

Visando demonstrar sua contribuição nos exercícios de força, um estudo com atletas do sexo masculino em suplementação crônica de arginina (45-56 dias) utilizando a variação de dosagem entre alta (12g/dias) e baixa (2g/dias) demonstraram um aumento no desempenho na repetição máxima no supino (1RM), além da redução do acúmulo de lactato5,6.

É importante salientar, que os autores sugerem que dosagens mais altas são necessárias para que se obtenha melhora no rendimento de fato, considerando as dosagens de protocolo agudo 0,15 g/kg de peso administrada 60-90 minutos antes do exercício, ou crônica 10/12  por 8 semanas8.

A administração de arginina pré exercício físico, contribui para a redução da oxidação de carboidratos pós exercício, logo haverá mais glicose disponível para o restabelecimento dos estoques de glicogênio na recuperação muscular11.

Paralelo a isso, a potencialização do óxido nítrico, propicia uma melhora na alternância de fibras musculares em situação de sobrecarga, o que pode justificar o aumento da força muscular durante o uso da arginina7.

Outros autores discutem intervenções onde o grupo suplementado relata menor percepção de dor muscular quando comparado ao placebo, além de aumento da potência máxima e média individual, concluindo que a suplementação pode ser benéfica em exercícios de resistência2.

Em 20071 um grupo de pesquisadores teve por intuito demonstrar os efeitos anti fadiga da arginina com a seguinte intervenção: 20 indivíduos do sexo masculino foram submetidos a um programa de treinamento resistido por oito semanas, onde o grupo teste recebeu arginina e vitamina C e o grupo controle sommente vitamina C. Ao final dessas 8 semanas o grupo que utilizava a suplementação apresentou resultados estatisticamente significativos em melhora da massa magra, redução do percentual de gordura e aumento de força dos membros inferiores, em comparação ao grupo controle que não apresentou nenhuma alteração1. Baseado nesses dados os autores do estudo discutem que nesta intervenção houveram resultados positivos na melhora da força e massa muscular, atribuindo esses resultados ao aumento da síntese proteica devido à interação com o exercício resistido1.

Alguns fatores envolvidos no desempenho são os mecanismos neuromusculares, função contrátil e a composição das fibras musculares ressaltando que as fibras do tipo II são fundamentais no alto rendimento, a partir daí autores sugerem que a suplementação impacta diretamente as fibras do tipo II resultando, em maior desempenho anaeróbio8.

A regeneração muscular após atividade física é dependente da sinalização das chamadas células satélite. Essas células começam a ser produzidas cerca de 3 a 6 horas após o início da atividade física, no entanto essa ativação é mediada pelo óxido nítrico que quando estimulado pode acelerar esse processo1.

Em um panorama geral, pode se considerar que a arginina atua em todos os processos metabólicos relacionados à atividade física, uma vez que favorece a eliminação de metabólitos tóxicos como o lactato, aumenta a perfusão sanguínea muscular fazendo com que chegue mais oxigênio glicose e nutriente aos tecidos e facilita o processo de recuperação muscular, assim sua contribuição na prática esportiva é completa uma vez que age durante o exercício retardando a fadiga e aumentando a força, e no pós atividade potencializando a recuperação muscular 1

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Considerações finais

A suplementação com aminoácidos sempre foi um alvo de interesse no meio esportivo, uma vez que durante a prática em cada modalidade, são requeridos aportes nutricionais diferentes. No exercício resistido, a utilização da arginina ganha um papel de destaque devido à sua ampla contribuição metabólica em diferentes etapas da atividade física. Sua atuação engloba melhora no aporte de nutrientes, glicose e oxigênio para as células, uma vez que estimula o óxido nítrico que é um potente vasodilatador. Nopós exercício auxilia na recuperação muscular disponibilizando glicose para a restauração dos estoques de glicogênio e estimulando as células satélite

Referências bibliográficas

  1.   Angeli, Gerseli et al. Investigação dos efeitos da suplementação oral de arginina no aumento de força e massa muscular. Revista Brasileira de Medicina do Esporte [online]. 2007, v. 13, n. 2
  2.   Huerta Ojeda, Álvaro et al. “Efecto de la suplementación de L-arginina y L-citrulina sobre el rendimiento físico: una revisión sistemática” [The effect of supplementation with L-arginine and L-citrulline on physical performance: a systematic review]. Nutricion hospitalaria vol. 36,6 (2019): 1389-1402. doi:10.20960/nh.02478
  3.   Morris, Sidney M Jr. “Enzymes of arginine metabolism.” The Journal of nutrition vol. 134,10 Suppl (2004): 2743S-2747S; discussion 2765S-2767S. doi:10.1093/jn/134.10.2743S
  4.   Morris, Sidney M Jr. “Arginine: beyond protein.” The American journal of clinical nutrition vol. 83,2 (2006): 508S-512S. doi:10.1093/ajcn/83.2.508S
  5.   Pahlavani, N et al. “The effect of l-arginine supplementation on body composition and performance in male athletes: a double-blinded randomized clinical trial.” European journal of clinical nutrition vol. 71,4 (2017): 544-548. doi:10.1038/ejcn.2016.266
  6.   Pahlavani, N.; Entezari, M.H.; Nasiri, M.; Miri, A.; Rezaie, M.; Bagheri-Bidakhavidi, M.; Sadeghi, O. The effect of L-arginine supplementation on body composition and performance in male athletes: A double-blinded randomized clinical trial. Eur. J. Clin. Nutr. 2017, 71, 544–548.
  7.   Smith LW, Smith JD, Criswell DS. Involvement of nitric oxide synthase in skeletal muscle adaptation to chronic overload. J Appl Physiol. 2002;92(5):2005-11.
  8.   Viribay, Aitor et al. “Effects of Arginine Supplementation on Athletic Performance Based on Energy Metabolism: A Systematic Review and Meta-Analysis.” Nutrients vol. 12,5 1300. 2 May. 2020, doi:10.3390/nu12051300
  9.   Wu, G, and S M Morris Jr. “Arginine metabolism: nitric oxide and beyond.” The Biochemical journal vol. 336 ( Pt 1),Pt 1 (1998): 1-17. doi:10.1042/bj3360001
  10. Yavuz, H.U.; Turnagol, H.; Demirel, A.H. Pre-exercise arginine supplementation increases time to exhaustion in elite male wrestlers. Biol. Sport 2014, 31, 187–191.
  11. Yaspelkis BB, Ivy JL. The effect of a carbohydrate-arginine supplement on postexercise carbohydrate metabolism. Int J Sport Nutr. 1999;9(3):241-50.

Suellen Bueno

@suellenbueno_nutri

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