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Conheça mais sobre a Vitamina C

Identificada pela primeira vez na década de 1920 por Albert Szent-Györgyi, a vitamina C, nome químico do ácido ascórbico, recebeu grande importância por ter um papel essencial no tratamento e prevenção do escorbuto resultante da deficiência dessa vitamina1. Dentre suas diversas funções empenhadas, a vitamina C é um composto natural caracterizado pelo seu potencial antioxidante e anti-inflamatório, visto que, indivíduos com escorbuto possuem respostas imunes irregulares, além da suscetibilidade à infecções.

Outras funções importantes, estão: participação na biossíntese e reparo do colágeno, cicatrização eficiente, desenvolvimento ósseo, síntese de carnitina, reações redox, produção de esteróides adrenais e catecolaminas, além de metabolismo de aminoácidos, colesterol e absorção de ferro1.

Pelo fato de ser uma vitamina hidrossolúvel e instável, a exposição à luz, água ou até mesmo ar, faz com que tenha início reações químicas que levem a redução do nutriente.

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Fontes alimentares e recomendação

A quantidade de determinada substância nos alimentos não é exata devido a diversos fatores que implicam nesse cenário, sendo eles: o nível de maturação, clima, solo, estação do ano, condições de processamento, armazenamento e preparação, dentre outros. Em geral, frutas e vegetais correspondem a cerca de 90% da ingestão diária de vitamina C2, tendo como principais fontes as frutas kiwi, manga, laranja, limão, e os vegetais como brócolis, tomate e pimentão2,3.

De acordo com a Dietary Reference Intakes (DRI)4, a ingestão recomendada de vitamina C (RDA) é de 75 e 90mg/d para mulheres e homens, respectivamente. Já no caso de mulheres grávidas e lactantes, a RDA corresponde a 85 e 120mg/d, respectivamente. Apesar de não haver uma recomendação específica, no caso do Brasil, principalmente em algumas cidades como São Paulo, em que muitos indivíduos estão expostos à fumaça ambientes, caracterizando-os como “fumantes passivos”, possuem o status de vitamina C mais baixo do que os não fumantes.

A deficiência da vitamina C é o escorbuto que, caso não seja tratada, pode ser fatal. Os sintomas mais leves da deficiência, podem se iniciar com com mal-estar, fadiga e letargia, o que torna difícil o diagnóstico nessa fase. Dentre outros diversos sintomas da deficiência dessa vitamina, estão: equimoses, cicatrização prejudicada de feridas, gengivite, hemorragias perifoliculares e petéquias. Essa condição clínica é causada principalmente pela má alimentação, tabagismo, gravidez, genética, idade avançada ou jovem, exercício extenuante e condições associadas à síndrome metabólica.

Aplicabilidades clínicas

A anemia ferropriva6 é uma doença que atinge cerca de 2 bilhões de pessoas em todo o mundo, e é caracterizada por ser uma condição na qual a concentração sanguínea de hemoglobina se encontra abaixo do valor preconizado. Sua principal causa é a deficiência de ferro, nutriente que participa de todas as etapas dos sistemas respiratórios, oxidativos, anti-infecciosos e de síntese proteica do organismo.

A biodisponibilidade do ferro7, por sua vez, é dependente de alguns fatores como a combinação e a composição dos alimentos. Em carnes bovinas, peixes, aves e vísceras, está presente o ferro heme, o qual apresenta alta biodisponibilidade. Já o ferro não heme, possui uma biodisponibilidade mais baixa, o que pode ser aumentado conforme a presença de vitamina C. O ácido ascórbico é responsável por potencializar a absorção do ferro não heme, isso deve-se ao fato do mesmo manter o ferro em seu estado ferroso e, assim, forma o quelato ferro-ascorbato, o qual é mais solúvel e com maior facilidade de ser absorvido.

Além disso, diante do poder antioxidante associado à vitamina C, alguns estudos passaram a identificar a relação entre esse nutriente e o risco de doenças cardíacas. A priori, já foi estabelecido por meio de estudos de coorte a ligação entre o consumo de frutas e vegetais com melhores resultados cardiovasculares5.

Seu potencial antioxidante também está intimamente relacionado com a imunidade, visto que sua concentração é alta nas células imunes e, na presença de infecções, por exemplo, essa concentração reduz rapidamente. A atuação nas células imunológicas está no fato de evitar o dano oxidativo das mesmas e auxiliar nas funções dos fagócitos, a produção  de citocinas,  a  proliferação  de   linfócitos  T  e  a expressão  gênica  das  moléculas  de  adesão  dos  monócitos8,9.

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Suplementação

De acordo com regulamento europeu, qualquer suplemento com o rótulo ‘Vitamina C’ pode abordar um dos cinco compostos; Ácido L-Ascórbico (vitamina C real), L-Ascorbato de Sódio, L-Ascorbato de Potássio, L-Ascorbato de Cálcio e L-Ascorbil-6-Palmitato, sendo que todos são equipotentes.

Apesar da recomendação da ingestão diária de vitamina C ser de 100-200mg, doses mais altas de vitamina C, até 2.000mg, são usadas para apoiar o sistema imunológico, no caso de atletas, ou reduzir a duração do resfriado comum10.

Considerações finais

Pelo fato de não ser produzida, nem mesmo armazenada pelo nosso organismo e ser fundamental para diversas ações fisiológicas e antioxidantes, a recomendação da vitamina C deve receber olhares cuidadosos para o aporte adequado desse nutriente e, dessa forma, evitar condições de deficiência.

Em tempos de pandemia pela COVID-19, nutrientes como a vitamina C receberam ainda mais atenção devido a seu poder indiscutível na saúde imunológica das pessoas, sendo assim, sua procura foi aumentando de forma drástica nos últimos anos. 

Referências bibliográficas

  1. Mousavi S, Bereswill S, Heimesaat MM. Efeitos imunomoduladores e antimicrobianos da vitamina C. Eur J Microbiol Immunol (Bp) . 2019;9(3):73-79.
  2. Lykkesfeldt J, Michels AJ, Frei B. Vitamina C. Adv Nutr . 2014;5(1):16-18.
  3. Tabela brasileira de composição de alimentos / NEPA – UNICAMP.- 4. ed. rev. e ampl.. — Campinas: NEPA- UNICAMP, 2011. 
  4. Padovani, Renata Maria, et al. Dietary reference intakes: application of tables in nutritional studiesRev. Nutr., Campinas, 19(6):741-760, nov./dez., 2006
  5. Moser MA, Chun OK. Vitamina C e saúde do coração: uma revisão baseada em descobertas de estudos epidemiológicos. Int J Mol Sei . 2016;17(8):1328.
  6. Sociedade Brasileira de Pediatria. Consenso Sobre Anemia Ferropriva: mais que uma doença, uma urgência médica!
  7. FantiniI, Ana Paula, et al. Iron availability in food mixtures including foods with high vitamin C and cysteine contents. Ciênc. Tecnol. Aliment., Campinas, 28(2): 435-439, abr.-jun. 2008.
  8. Van Gorkom GNY, Klein Wolterink RGJ, Van Elssen CHMJ, Wieten L, Germeraad WTV, Bos GMJ. Influência da vitamina C nos linfócitos: uma visão geral. Antioxidantes (Basileia) . 2018;7(3):41.
  9. Kennes B, Dumont I, Brohee D, Hubert C, Neve P. Efeito de suplementos de vitamina C na imunidade mediada por células em pessoas idosas . Gerontologia . 1983; 29 ( 5 ):305–10.
  10.  Examine – Vitamina C

Gabriela Motta

@nutrigabrielamotta

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