Taurina – Novos estudos e Indicações | Blog Nutrify

Taurina – Novos estudos e Indicações

A taurina é classificada como um aminoácido sulfurado, ou seja, contém enxofre em sua estrutura5.

É sintetizada endogenamente a partir da cisteína por ações sequenciais da cisteína dioxigenase, podendo também ser sintetizada a partir da metionina10.

Sua concentração é significativa em tecidos altamente excitáveis, como retina, cérebro, coração e órgãos reprodutores2.

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Apresenta importante função regulatória em sistemas biológicos essenciais, como desenvolvimento do sistema nervoso central (SNC), níveis de glicose, estabilização de membrana e como agente antioxidante6.

Seu envolvimento também é significativo na manutenção do tônus celular, na formação de sais biliares e na concentração de cálcio livre intracelular8.

Seus variados papéis têm sido amplamente estudados, e já há dados que apontam sua atuação na prevenção de fibrose cística, insuficiência cardíaca, manejo do diabetes, e também seu efeito neuroprotetor. Inclusive, há hipóteses que sustentam que sua atividade pode ser anti-amiloidogênica, sendo um nutriente promissor para futuros estudos na prevenção da Doença de Alzheimer (DA)3.

Um de seus efeitos regulatórios, amplamente estudado, é sua ação citoprotetora em células pancreáticas, onde alguns modelos animais demonstraram sua participação na redução de espécies reativas de oxigênio1.

Implicações no metabolismo da insulina

A taurina atua como adjuvante na regulação do metabolismo da glicose, pois atua como um mediador da expressão de genes que participam da secreção de glicose pelas células beta pancreáticas, melhorando a resposta à captação de glicose e a sensibilidade periférica à insulina.

Alguns modelos animais se propuseram a elucidar detalhadamente esse mecanismo, e a suplementação de taurina pareceu aumentar a translocação de GLUT4 para a membrana celular, além de potencializar a fosforilação da insulina otimizando a cascata subsequente4,9.

Outros modelos animais também sugeriram que a suplementação de taurina pode ter um efeito anti-apoptótico em células endoteliais vasculares, concomitantemente a uma ação restauradora das enzimas restauradoras de glicose e metabolismo da insulina, reforçando hipóteses propostas por outros grupos de pesquisadores8.

A participação desse aminoácido também é significativa no pâncreas, pois reduz a apoptose celular nas ilhotas, além de manter o turgor celular, controlar os níveis de cálcio e modular a expressão de IGF-II1.

Pautado nos achados de que a taurina parece estar envolvida com o desenvolvimento e manutenção celular do pâncreas endócrino, e com a redução da liberação de metabólitos citotóxicos, pode-se dizer que o aminoácido é um forte candidato a agente de prevenção da etiologia do DM1.

Embora as proposições sejam favoráveis quanto a uma possível ação adjuvante da taurina em doenças de disfuncionalidade no metabolismo de carboidratos, como o diabetes mellitus, ainda são necessários mais estudos para elucidar completamente os mecanismos e trazer maior robustez às hipóteses.

Taurina e saúde ocular

Por ser um tecido altamente excitável, a retina apresenta um alto conteúdo de taurina, e estudos de cultura celular apontam que o aminoácido também está presente abundantemente no vítreo, cristalino, córnea e corpo ciliar8.

Modelos animais demonstram que a depleção de taurina provoca alterações severas nos fotorreceptores, além de acentuado e progressivo declínio do eletrorretinograma, sugerindo que a deficiência de taurina no tecido ocular pode ocasionar declínio da acuidade visual8.

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Papel cerebral, antioxidante e sistêmico

No tecido cerebral são particularmente altos os níveis de taurina. Sua atuação é ampla, mas centralmente são elencadas duas atividades principais: manutenção do volume celular e otimização da condutância de membrana dos íons cloreto a partir da atenuação da atividade elétrica e hiperpolarização neuronal7. Devido à sua estrutura análoga a GABA, principal neurotransmissor inibitório do SNC, a taurina se liga aos seus receptores atuando como agonista2.

Por ser um agente com potencial antioxidante, considera-se também que o aminoácido possui uma função neuroprotetora, uma vez que possui forte ação inibitória do NF-kappa B, um dos principais fatores pró-inflamatórios7.

Além da sua importante atuação no cérebro, também participa da conjugação dos ácidos biliares e atua como um agente facilitador da excreção de xenobióticos e de diversas drogas pelo fígado2.

Também por sua atuação nos canais de cálcio, é considerado um fator citoprotetor contra sobrecarga de cálcio2.

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Considerações finais

Em suma, sabe-se que a taurina é um aminoácido abundante em tecidos altamente excitáveis, participando da regulação da homeostase de diversos sistemas essenciais orgânicos, como regulação do metabolismo energético, adjuvante no controle glicemia e insulina, metabolismo cerebral, pancreático hepático e ocular.

Desse modo, é possível sugerir que sua suplementação seja benéfica no aprovisionamento energético e na regulação do balanço glicose insulina. Pode contribuir também com a melhora da concentração, manutenção de acuidade visual, potencial efeito antioxidante, citoprotetor e agente altamente participativo na detoxificação hepática.

Devido ao seu significante papel nas células pancreáticas, no metabolismo da insulina e da glicose, a taurina é vista como alvo de estudos futuros para, fortuitamente, ser um agente adjuvante na prevenção ou até mesmo no manejo do diabetes mellitus, no entanto, ainda são necessários mais estudos para que essa relação possa ser de fato estabelecida

Referências bibliográficas

  1. Arany E, Strutt B, Romanus P, Remacle C, Reusens B, Hill DJ (2004) Taurine supplement in early life altered islet morphology, decreased insulitis and de-layed the onset of diabetes in non-obese diabetic mice. Diabetologia 47:1831–1837
  2. Caine JJ, Geracioti TD. Taurine, energy drinks, and neuroendocrine effects. Cleve Clin J Med. 2016 Dec;83(12):895-904. doi: 10.3949/ccjm.83a.15050. PMID: 27938518.
  3. Caltagirone C, Ferrannini L, Marchionni N, Nappi G, Scapagnini G, Trabucchi M. The potential protective effect of tramiprosate (homotaurine) against Alzheimer’s disease: a review. Aging Clin Exp Res 2012; 24:580–587.
  4. Carneiro. E. M.; et al.Taurine supplementation modulates glucose homeostasis and islet function. J Nutr Biochem. v. 20, p. 503-511, 2009
  5. El Idrissi A. Taurine Regulation of Neuroendocrine Function. Adv Exp Med Biol. 2019; 1155:977-985. doi: 10.1007/978-981-13-8023-5_81. PMID: 31468461.
  6. El Idrissi A, Yan X, Sidime F, L’Amoreaux W (2010, Aug 24) Neuro-endocrine basis for alteredplasma glucose homeostasis in the fragile X mouse. J Biomed Sci 17(Suppl 1):S8
  7. Oja SS, Saransaari P. Significance of Taurine in the Brain. Adv Exp Med Biol. 2017;975 Pt 1:89-94. doi: 10.1007/978-94-024-1079-2_8. PMID: 28849446.
  8. Ripps H, Shen W. Review: taurine: a “very essential” amino acid. Mol Vis. 2012; 18:2673-86. Epub 2012 Nov 12. PMID: 23170060; PMCID: PMC3501277.
  9. Vetorazzi, J.F.; et al. Taurine supplementation increases KATP channel protein content, improving Ca 2+ handling and insulin secretion in islets from malnourished mice fed on a high-fat diet. Amino Acids.v.46, n. 9, p.2123-36, 2014
  10. Wen C, et al. Taurine is Involved in Energy Metabolism in Muscles, Adipose Tissue, and the Liver. Mol Nutr Food Res. 2019 Jan;63(2): e1800536. doi: 10.1002/mnfr.201800536. Epub 2018 Oct 17. PMID: 30251429.

Suellen Bueno

@suellenbueno_nutri

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