Suplementação na Síndrome dos Ovários Policísticos | Blog Nutrify

Suplementação na Síndrome dos Ovários Policísticos

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é o distúrbio endócrino mais comum de mulheres em idade reprodutiva, e é a principal causa da infertilidade1. Mulheres que apresentam essa patologia têm como características o hiperandrogenismo, Resistência Periférica à Insulina (RI), disfunções reprodutivas, menstruação irregular e complicações na gravidez2. Além disso, a circunferência da cintura elevada nessas pacientes (cerca de 50% delas) demonstra que a obesidade (em especial ligada à gordura abdominal) aumenta o risco de SOP3.

Sabe-se que a obesidade em conjunto com SOP são dois fatores de risco para o desenvolvimento do Diabetes Tipo 24. Ficar atento às características físicas da paciente como: aumento da adiposidade abdominal, inchaço, acne e dificuldade para emagrecer; sinais clínicos de RI, tais como: fome excessiva, sede excessiva e vontade de comer doces; exames bioquímicos indicativos de hiperandrogenismo; presença de disbiose e inflamação, têm forte ligação com SOP.

Suplementação na SOP

O efeito da composição da dieta na SOP vem sendo estudado ao longo do tempo, e as evidências disponíveis se concentram também na influência da ingestão de micronutrientes. Recentemente, o papel dos oligoelementos, incluindo cromo, cobre, magnésio, zinco, manganês, cálcio e selênio na patogênese da SOP, tem sido investigado5.

Uma revisão sistemática realizada por Fazelian e Colaboradores (2017)4 incluindo 357 mulheres com SOP, avaliou a suplementação de Picolinato de Cromo em parâmetros como: níveis de testosterona total, DHEAS, sensibilidade à insulina, glicose em jejum, insulina em jejum, LH e FSH. A suplementação entre 200 a 1000 mcg/dia, com duração de 2 a 6 meses, reduziu níveis de insulina em jejum, testosterona livre e índice de massa corporal em mulheres com SOP.

Arentz (2017)6 em sua revisão sistemática que incluiu 24 ensaios clínicos randomizados de 1406 mulheres com SOP, avaliou sete suplementos nutricionais (Ômega 3, Cromo, Selênio, Vitamina D, Vitamina D associada ao Cálcio, Complexo B e Inositol) e quatro fitoterápicos (Camellia Sinensis, Cimifuga Racemosa, Cinnamomum sp e Mentha spicata). A regularidade menstrual, uma característica definidora de interesse crítico para as mulheres com SOP, foi examinada em apenas quatro desses estudos e nenhum efeito significativo do tratamento em comparação aos controles foi encontrado. No entanto, os resultados secundários de tempo para ovulação, taxas de ovulação, hiperandrogenismo, hormônios reprodutivos e metabólicos, relação cintura/quadril, colesterol e triglicerídeos foram significativamente melhorados pelo Inositol e o Colesterol Total foi significativamente reduzido pelo Ômega 3, em comparação com os controles. Efeitos adversos leves foram encontrados para Cinnamomum sp. Porém, não houve investigações de longo prazo sobre a segurança de tais suplementações.

Recente publicação de Pundir e Colaboradores (2019)7 incluiu 12 revisões sistemáticas, sendo quatro delas avaliando a suplementação de N-acetil-cisteína, Ômega 3, Inositol e Vitamina D na reprodução, mostra que a suplementação de N-acetil-cisteína e Inositol apresenta um potencial preliminar para a melhora da fertilidade em pacientes com SOP, mas faltam evidências primárias para o resultado mais importante: a taxa de nascidos vivos destas pacientes. Portanto, o real papel da suplementação com Inositol e da N-acetil-cisteína em mulheres com SOP também necessita de uma avaliação mais aprofundada. 

Rezvan & Colaboradores (2017)8 em estudo clínico randomizado, duplo cego e controlado por placebo, com 80 mulheres de idade entre 20-40 anos e IMC entre 25 e 40Kg/m², avaliaram a suplementação de Quercetina (n=42 mulheres, 2 cápsulas de 500mg/dia) e grupo placebo (n=40 mulheres, 2 cápsulas de amido/dia) nos níveis séricos em jejum de adiponectina, glicose, insulina, testosterona, LH e SHBG no início e final do estudo. Parece que o uso da Quercetina nessas pacientes aumentou os níveis de adiponectina e reduziu os níveis de insulina, glicose em jejum, testosterona, HOMA-IR e LH. 

Considerações finais

A intervenção de primeira linha na Síndrome dos Ovários Policísticos é, sem dúvida alguma, a modificação do estilo de vida, incluindo a perda de peso quando necessária, dieta com restrição calórica aliada à prática de exercícios físicos para manter um peso saudável, e o bom senso no uso de suplementos nutricionais e fitoterapia, como adjuvantes úteis para determinadas populações com SOP.

Referências bibliográficas

  1. Legro, R.S., et al., Diagnosis and treatment of polycystic ovary syndrome: an Endocrine Society clinical practice guideline. The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 2013. 98(12): p. 4565-4592.
  2. Azziz, R., et al., Criteria for defining polycystic ovary syndrome as a predominantly hyperandrogenic syndrome: an androgen excess society guideline. The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 2006. 91(11): p. 4237-4245.
  3. Moran, L.J., R.J. Norman, and H.J. Teede, Metabolic risk in PCOS: phenotype and adiposity impact. Trends in Endocrinology & Metabolism, 2015. 26(3): p. 136-143.
  4. Fazelian Siavash, Rouhani Mohamad H, Bank Sahar Saraf, Amani Reza.Chromium supplementation and polycystic ovary syndrome: A Systematic Review and Meta-Analysis.Journal of Trace Elements in Medicine and Biology.
  5. Chakraborty, P., et al., Altered trace mineral milieu might play an aetiological role in the pathogenesis of polycystic ovary syndrome. Biological trace element research, 2013. 152(1): p. 9-15.
  6. Arentz, Susan, Caroline A. Smith, Jason Abbott and Alan Bensoussan. Nutritional supplements and herbal medicines for women with polycystic ovary syndrome; a systematic review and meta-analysis. Complementary and Alternative Medicine (2017) 17:500.
  7. Pundir, Jyotsna, David Charles, Luca Sabatini, Danielle Hiam, Sonia Jitpiriyaroj, Helena Teede, Arri Coomarasamy, Lisa Moran and Shakila Thangaratinam. Overview of systematic reviews of non-pharmacological interventions in women with polycystic ovary syndrome. Human Reproduction Update, pp. 1–14, 2019. 
  8. Rezvan, N. A. Moini, L. Janani, K. Mohammad, A. Saedisomeolia, M. Nourbakhsh, S. Gorgani-Firuzjaee, M. Mazaherioun, M. J. Hosseinzadeh-Attar. Effects of Quercetin on Adiponectin-Mediated Insulin Sensitivity in Polycystic Ovary Syndrome: A Randomized Placebo-Controlled Double-Blind Clinical Trial. Horm Metab Res 2017; 49 (02): 115-121.
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