Quando o assunto é saúde óssea, não podemos selecionar apenas um tipo de nutriente, uma vez que o tecido ósseo, é uma matriz complexa, sendo afetado por diversos mecanismos celulares e bioquímicos.

Então, se a manutenção e a recuperação desta matriz precisar ser alcançada, iremos precisar de pelo menos cinco elementos: vitamina D, vitamina K, vitamina B1, cálcio e magnésio; uma vez que juntos, podem atuar em sinergia para melhor aproveitamento do organismo e consequente eficácia óssea. Quando vivenciamos esta necessidade nutricional entre veganos, as fontes alimentares podem ser mais escassas, comprometendo ainda mais a manutenção da saúde dos ossos, e por isto, a suplementação precisa ser farmacologicamente elaborada.

 

CÁLCIO

Entre os minerais mais importantes de nossas células, está o cálcio, pois participa de muitas reações enzimáticas intra e extracelulares do nosso organismo. Cada vez mais a ciência tem mostrado a importância deste mineral em diferentes mecanismos celulares, e o leite, já não é mais o protagonista da composição mineral.

A suplementação de cálcio tem ocupado um cenário importante não só no crescimento e desenvolvimento esquelético na infância de crianças nos quais os pais são obrigados a restringirem o consumo de leite e derivados por intolerâncias ou alergias alimentares, mas também diante da crescente procura de consumidores que antecipadamente na fase adulta, terão sua ingestão compensada pela perda diária aumentada em fases mais avançadas da vida. O cálcio também é indispensável para mulheres após menopausa em virtude da redução do estrogênio, sendo também usado como preventivo e profilático contra a osteoporose.

Entretanto, saber suplementar cálcio na prática clínica não é tão fácil quanto parece, pois a ingestão de altas doses de suplementos compostos somente desse mineral, elevam o risco de problemas cardiovasculares, e se o mineral não estiver na apresentação adequada, não é eficientemente absorvido.

Outra limitação, é a oferta de produtos veganos fonte deste mineral, e por isto, as algas têm sido cada vez mais estudadas e consumidas, pois ao absorverem os minerais do ambiente, elas transformam os componentes químicos em compostos de fácil absorção. Portanto, o cálcio de algas é uma fonte 100% vegetal, natural e orgânica.

 

VITAMINA D

Uma das maneiras de otimizar a ação do cálcio nos ossos é controlando os níveis de séricos de vitamina D no sangue, pois a deficiência desta vitamina, conhecida como hipovitaminose D, afeta diretamente a absorção de cálcio nos ossos, além de apresentar uma correlação negativa em inúmeras doenças.

A deficiência de vitamina D, ou hipovitaminose D é, hoje, altamente prevalente entre a população brasileira e constitui um problema de saúde pública em todo mundo. A produção cutânea desta vitamina é modulada pela estação, latitude, período do dia, pigmentação e espessura da pele, idade do indivíduo e uso de filtro solar, e por isto, as variáveis ambientais, comportamentais e genéticas influenciam muito no contexto.

Em nosso meio, a forma mais disponível de vitamina D para tratamento e suplementação é o colicalciferol ou vitamina D3, e este é o metabólito que tem se mostrado mais efetivo que a vitamina D2, uma vez que o ergocalciferol tem um tempo de meia-vida inferior ao colicalciferol. Em soma, os fatores endógenos que interferem na absorção e biodisponibilidade do cálcio como a idade, genética e estado nutricional, sobrepõe os riscos de baixos níveis de vitamina D. Neste contexto, fica evidente que o cálcio não age sozinho.

 

MAGNÉSIO

O magnésio, além de seu papel como cofator de reações enzimáticas na produção de ATP (energia), assim como o cálcio, é um mineral essencial para a manutenção do equilíbrio acidobásico do organismo (pH), necessário para a integridade óssea. A baixa ingestão de magnésio diminui a absorção da vitamina D, necessária para absorção do cálcio.

O magnésio também reduz a atividade da calcitonina, um hormônio que atua no equilíbrio dos níveis de cálcio nos músculos, tecidos moles e ossos, o que reduz o risco de doenças como osteoporose, artrite, cálculos renais e até mesmo de ataques cardíacos.

Por essa razão, o consumo adequado de cálcio e de magnésio é fundamental, visto que o metabolismo destes minerais possui influência mútua, trazendo impactos significativos na saúde óssea. Suplementos orais podem ser administrados na forma de óxido de magnésio, que além de levarem à redução do pH celular, a sua reposição provoca diminuição da instabilidade do tecido ósseo, e aumento da absorção de cálcio, uma vez que a vitamina D ativa depende da enzima hidroxilase que apresenta o magnésio como cofator.

 

VITAMINA K

Além da vitamina D, outro tipo de vitamina que trata e previne doenças que envolvem a perda óssea é a vitamina K. A vitamina K2, também conhecida como menaquinona é parte de um conjunto de compostos químicos denominados quinonas, é uma vitamina assim como a vitamina D, lipossolúvel, ou seja, necessita de se associar à gorduras para ser transportada pelo plasma.

As quinonas são divididas em três grupos:

  • Filoquinonas que são encontradas nos vegetais (vitamina K1);
  • Menaquinonas que são encontradas nos animais (vitamina K2);
  • Menadiona que a forma sintética da menaquinona (vitamina K3).

A vitamina K2 é produzida no intestino através da fermentação bacteriana em quantidades insuficientes para suprir as necessidades dessa vitamina, devido a sua baixa biodisponibilidade, e com o passar dos anos essa produção se torna ainda menor podendo ser necessária a utilização de suplementos.

Esta vitamina ao mesmo tempo em que impede que o cálcio se deposite em locais que não são apropriados, como as artérias, articulações e órgãos, permite a adequada a fixação do cálcio no osso junto com a vitamina D, atuando na remoção de cálcio sanguíneo e transportando esse cálcio para os ossos.

A osteocalcina (que é uma proteína específica dos ossos produzida pelos osteoblastos) requer a presença de Vitamina K2 para ser maturada e para assim exercer suas funções sobre a mineralização óssea. A presença de Vitamina K2 garante a ativação de proteínas ósseas que regulam a remodelagem óssea, um processo necessário para manter a saúde do osso.

A Vitamina K2-MK-7, extraída a partir do Natto, tradicional prato japonês derivado da fermentação da soja, demostrou ser a mais eficaz por ser mais biodisponível, e ter uma meia vida mais longa na corrente sanguínea, comparada à forma equimolar de K1 ingerida, pois apresenta níveis plasmáticos cinco vezes mais elevados quando suplementada na fórmula química que apresenta 7 carbonos na cadeia lateral.

 

VITAMINA B1 E SUA IMPORTÂNCIA NO METABOLISMO ÓSSEO

Por fim, chegamos na vitamina B1 e sua importância no metabolismo ósseo. A vitamina B1, ou tiamina, na forma ativa, tiamina pirofosfato (TPP), é um cofator importante para as principais enzimas envolvidas no metabolismo de carboidratos, lipídios e aminoácidos e na síntese de neurotransmissores. Em indivíduos idosos, a deficiência de B1 pode se tornar um problema devido à redução do apetite e dificuldade em comer. Boas fontes alimentares de vitamina B1 incluem alimentos integrais, gérmen de trigo e extrato de levedura.

As evidências sobre tiamina e saúde óssea estão crescendo na literatura científica. Se torna oportuno citar um estudo entre pacientes ortopédicos que relatou que o status de tiamina era deficiente entre pacientes com fratura do colo do fêmur, mas não entre os que foram admitidos para substituição total do quadril eletiva. Uma revisão recente enfatizou o papel principal da tiamina na função metabólica das células e o consequente comprometimento da neuro-função na deficiência de tiamina.

Como a deficiência de tiamina pode prejudicar o metabolismo energético devido à disfunção mitocondrial nas regiões focais do cérebro, isso, por sua vez, pode aumentar o risco de doença de Alzheimer e insuficiência cardíaca e, portanto, pode aumentar a propensão a cair em idosos, o que pode levar ao aumento do risco de fratura.

 

Finalmente, o cuidado com a saúde óssea envolve uma prescrição completa e bem elaborada, pois um suplemento não pode apresentar interações farmacológicas (absorção-excreção) prejudiciais ao metabolismo celular. Para isto, as necessidades tecnológicas que envolvem a composição de produtos à base de multi-ingredientes em termos de segurança, eficácia em produtos veganos são mais do que exigidos, pois prescritores precisam de uma formulação que consiga a cada dose ingerida, aumentar a densidade mineral óssea promovendo a saúde integrativa do paciente.

Agora, posso dizer que você está diante de um produto inteligente que além dos benefícios dos componentes deste quinteto vitamínico concentrado fantástico, você tem ainda os benefícios individuais de cada mineral e vitamina.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  1. Sambrook P., Cooper C. Osteoporosis. 2006;367:2010–2018. doi: 10.1016/S0140-6736(06)68891-0.
  2. Tucker K.L. Osteoporosis prevention and nutrition. Osteoporos. Rep. 2009;7:111–117. doi: 10.1007/s11914-009-0020-5.
  3. Ahmadieh H., Arabi A. Vitamins and bone health: Beyond calcium and vitamin D. Nutr. Rev. 2011;69:584–598. doi: 10.1111/j.1753-4887.2011.00372.x.