A sarcopenia é caracterizada por perda da massa muscular.

Está associada a declínios no sistema imunológico e perdas funcionais dos músculos, havendo comprometimento da mobilização trazendo uma série de conseqüências como quedas, fraturas, dificuldade na mobilidade, independência prejudicada e força muscular reduzida. Ela ocorre devido ao processo de envelhecimento, patologias, inflamações crônicas mediadas por citocinas como, por exemplo, no câncer.

Com a idade o quadro de perda de massa muscular se agrava em pessoas com mais de 65 anos e a massa muscular apresenta gradual redução. A partir dos 50 anos de idade observa-se uma queda de 1% da massa muscular ao ano e esse quadro se agrava com o avançar da idade. Além dos fatores da idade o estágio de doenças como no câncer e Alzheimer também é um agravante da sarcopenia. A identificação precoce dessa patologia auxilia na prevenção da perda da massa magra e progressão do agravamento do quadro.

Várias estratégias são fundamentais para minimizar a progressão da sarcopenia como atividade física, suplementação com aminoácidos e vitaminas que apresentam funções positivas na sarcopenia. No caso de idosos diversos fatores contribuem para que as recomendações diárias de proteínas não sejam alcançadas. Alguns fatores estão associados a perda de apetite nesta faixa etária, dificuldade de mastigação, alterações hormonais, absorção prejudicada e aumento de processos inflamatórios ocasionados pela idade. Todos esses fatores dificultam a manutenção da saúde dos idosos, havendo a necessidade de atenção especial nesta faixa etária.

A Sarcopenia é uma doença?

Sim, sarcopenia pode ser classificada como uma doença onde ocorre a perda de massa magra que pode se agravar caso estratégias nutricionais, atividades físicas e terapias não forem empregadas para prevenir a progressão do quadro da sarcopenia.

Quais são os sintomas de Sarcopenia?

Os sintomas da sarcopenia são perda da força, braços e pernas finas, quedas frequentes, dificuldade para manter equilíbrio, quedas e depressão. Esses são alguns agravantes ocasionados pela sarcopenia.

Em qual idade começa aparecer os sintomas?

A sarcopenia denominada primária está atribuída a idade mesmo que não tenha nenhuma patologia presente, isso ocorre devido a progressão da idade, ela se inicia a partir dos 50 anos fase em que observa-se a perda de massa muscular de até 1% ao ano e esse quadro aumenta com o avanço da idade.

A sarcopenia secundária surge como resultado de um quadro inflamatório crônico, causada por doenças como o câncer e falência de órgãos. Esses dois quadros de sarcopenia são preocupantes e precisam ser tratados desde o início para evitar a progressão e o agravamento da doença. Neste caso a degradação da proteína supera a síntese e a perda de massa muscular apresenta-se exacerbada principalmente devido a patologias e progresso do envelhecimento. Inatividade física, alimentação inadequada, redução de alguns hormônios anabólicos são potenciais riscos para o avanço da sarcopenia em idosos e também em pacientes que estão nos leitos de hospitais principalmente quando a internação é longa e não há mobilização do paciente para realização da atividade física.

Um estudo sobre alta prevalência de sarcopenia em idosos da Colômbia acima de 60 anos, mostrou alta incidência de sarcopenia neste grupo. Os autores observaram que os idosos eram inativos fisicamente tinham diabetes, artrite, reumatismo e osteoartrite. Esse grupo apresenta maior prevalência de quadros de sarcopenia. Os autores discutiram ainda que todo esse quadro agravante da sarcopenia poderia ser evitado ou minimizado se estratégias nutricionais e de atividades físicas fossem realizados para fazer a prevenção do agravamento do quadro. Além do avanço da idade a sarcopenia também apresenta efeitos negativos em pessoas que tiveram AVC que pode ser considerada uma sarcopenia secundaria que é relacionada ao AVC. Essa sarcopenia ocorre devido a vários fatores, como por exemplo imobilização, alimentação prejudicada e inflamação. Dependendo do agravamento do quadro do acidente vascular cerebral e a parte motora afetada, as dificuldades são mais graves e neste caso os exercícios de reabilitação, suplementação e alimentação adequada e medicação são esforços que se somam e beneficiam o paciente atrasando ou até mesmo prevenindo os quadros de sarcopenia relacionada ao AVC.

Outro quadro da sarcopenia que tem apresentado preocupação são com os idosos e pessoas em longa internação com Covid-19. Apesar da Covid-19 ser assintomático em alguns e em outros apresentarem quadros leves, a taxa de mortalidade e de gravidade foi alta nos idosos principalmente aqueles que apresentavam comorbidades como diabetes, hipertensão, dislipidemias e também a baixa porcentagem de massa muscular que está relacionada ao agravamento da saúde desse grupo. A internação para essa faixa etária com covid-19 é alta e o quadro respiratório desencadeado pelo vírus traz consequências deletérias para essa faixa etária, que além da internação a longo prazo, imobilização devido ao tempo de internação e os quadros inflamatórios desencadeados são fatores extremamente consideráveis nesta situação. E esse grupo é considerado de alto risco para agravamento das doenças infecciosas, devido a cascata inflamatória desencadeada pelo vírus e produção prejudicada de células de defesas. Uma nutrição adequada, exercícios físicos, utilização de alguns suplementos como vitamina D, própolis, vitamina C e utilização de modulo de proteína e creatina parecem fazer parte de uma terapia interessante para essa faixa etária. A administração de qualquer suplemento deve ser realizada por um especialista da área para avaliar o plano alimentar do idoso e verificar a necessidade de suplementação para oferecer o suplemento de forma adequada e corrigir as deficiências nutricionais. A atividade física deve ser avaliada por um profissional habilitado para direcionar a atividade que alcance os objetivos desejados. Bauer et al ( 2015), avaliou   os efeitos da utilização de suplemento nutricional de proteína do soro do leite enriquecido com vitamina D e leucina nas medidas de sarcopenia em adultos mais velhos. Esse estudo elucidou  as melhorias com a introdução dessa terapia na massa muscular e na função das extremidades inferiores entre os idosos sarcopênicos, mostrando que a suplementação nutricional pode beneficiar pacientes geriátricos.

Dolan. E  et al. (2019), discute em seu artigo os benefícios da creatina associada a prática de atividades físicas em idosos com sarcopenia para melhora dos quadros da doença nesta faixa etária. A creatina tem papel importante nos tecidos que é permitir a regeneração do ATP nos periodos de maior demanda de energia, favorecendo a manutenção da produção de força muscular e contração. Ao regenerar ATP evita o catabolismo, auxiliando no ganho de massa muscular e ganho de força reduzindo o cansaço provocado pelo exercicio de força.

Como prevenir?

Para prevenção da sarcopenia é necessário alimentação adequada e equilibrada, bem distribuída em proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas e minerais. A introdução de alimentos como vegetais, verduras, legumes contém os compostos fenólicos e substâncias bioativas que participam da ativação de enzimas importantes para fazer a síntese e degradação dos nutrientes em nosso organismo. A prática de atividade física aconselhada por um profissional especializado é fundamental para manter a massa muscular.

A combinação de todos esses fatores são fundamentais para garantir qualidade de vida na fase geriátrica.

Suplementação

A suplementação de whey protein, creatina e vitamina D quando bem indicada tem relação com melhora dos quadros de sarcopenia.

Conclusão

A sarcopenia é uma doença ocasionada pela perda de massa muscular associada a idade e outros fatores como patologias e internações prolongadas. Os efeitos negativos da sarcopenia poderiam ser evitados se práticas terapêuticas em conjunto como plano alimentar adequado e o uso de alguns suplementos como de Whey Protein, vitamina D, creatina e atividade física fossem introduzidos após avaliação de profissionais experientes. A introdução dessas terapias tem demonstrado efeitos positivos na doença que poderiam ser minimizados ou até mesmo evitados se terapias fossem realizadas com objetivo de prevenção.

 

Referências  Bibliográficas

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