Ele é prático e está tão presente no cotidiano, que até parece algo natural. Mas você conhece todos os impactos negativos do plástico para o planeta e para as pessoas?

O plástico faz parte da nossa vida de inúmeras formas, algumas bem visíveis, outras que a gente nem percebe. Por ser um material versátil e resistente, pode ser encontrado em tudo que se relaciona ao dia a dia contemporâneo: de embalagens a móveis, de roupas a utensílios de cozinha, e por aí vai.

A expansão do plástico começou na segunda metade do século XX, quando se descobriu um produto residual da indústria petroquímica. De lá pra cá, seu uso só cresce: entre 1950 e 2017, a humanidade produziu 9,2 bilhões de toneladas de plástico, ou seja, mais de uma tonelada por cada habitante do planeta Terra (dados do Atlas do Plástico, produzido pela Fundação Heinrich Böll). A maior parte do plástico destina-se à produção de embalagens ou utensílios de uso único, os famosos descartáveis.

Apesar de muito se falar sobre reduzir o uso do plástico, na prática, a coisa ainda está longe de melhorar. Pesquisadores estimam que, já em 2025, o planeta vai atingir a marca de 600 milhões de toneladas de plástico produzidas anualmente, isso significa 50% mais que a produção atual.

Quais os principais problemas causados pelo plástico?

O plástico tem suas qualidades, como dissemos, é um material versátil e resistente. A questão é que, ao longo do tempo, passamos a usá-lo em excesso! Hoje, o lixo plástico traz sérios prejuízos ambientais e sociais. Veja alguns dos principais:

Aquecimento global

Até 2050, todo esse lixo deve consumir de 10% a 13% do limite estimado de emissões de carbono previstas pelo Acordo de Paris para que o aquecimento global fique abaixo de 1.5o C.

Poluição marinha

Além de objetos plásticos inteiros que acabam parando no mar (garrafinhas, canudos, brinquedos etc.), os oceanos estão repletos de microplásticos e nanoplásticos, pequenas partículas desse material que são ainda mais nocivas para o equilíbrio da vida marinha. Essas partículas carregam substâncias químicas perigosas, que são ingeridas pelos animais gerando uma contaminação em cadeia, que pode chegar até os humanos pelo consumo de peixes. Sem contar os animais que se ferem ou acabam morrendo de forma bastante dolorosa ao ingerir produtos plásticos inteiros. É comum que tartarugas comam sacolas plásticas por confundi-las com águas-vivas, para citar um triste exemplo.

Poluição do solo

A poluição plástica do solo nem sempre é tão discutida como a dos oceanos, mas é extremamente grave. Microplásticos e nanoplásticos tóxicos estão presentes também na terra em quantidades que, estima-se, podem chegar a ser 23 vezes maiores do que as encontradas na água.

Riscos à saúde humana provocados pelo processo de fabricação

O plástico é produzido a partir do petróleo ou do gás natural, algumas técnicas utilizadas para extraí-los do solo, como o fraturamento hidráulico (fracking), liberam mais de 170 substâncias químicas na terra e na água. Pessoas que vivem próximas a poços de fracking estão mais sujeitas a uma série de problemas, como câncer e distúrbios reprodutivos. Pesquisas realizadas nos EUA mostram que mulheres grávidas que vivem perto desses locais têm maior risco de parto prematuro e complicações na gravidez.

Riscos à saúde humana decorrentes do consumo

Para dar ao plástico características necessárias a cada tipo de produto, são usadas uma infinidade de substâncias químicas potencialmente tóxicas, que acabam “escapando” do plástico e se acumulando em nossos alimentos, na poeira doméstica e até mesmo no ar de nossas casas. Entre as mais preocupantes estão substâncias conhecidas como desreguladoras endócrinas, que imitam hormônios naturais e podem desencadear uma série de problemas, especialmente nas crianças.  Entre eles: puberdade prematura, diabetes, alergias e obesidade.

O que podemos fazer para reduzir os impactos negativos do plástico?

Como todas as grandes questões ambientais, a presença excessiva do plástico na sociedade contemporânea não pode ser resolvida com atitudes isoladas. É necessário repensar o sistema produtivo, de descarte e consumo. Para isso, indústrias, poder público e sociedade civil tem que agir coletivamente.

Mas podemos começar a mudar um pouco esse cenário com pequenas (e simples) atitudes cotidianas. Confira algumas:

  • Utilizar sacolas retornáveis: as sacolas estão entre os produtos que mais poluem as águas e matam a fauna marinha. Existem vários projetos de lei para banir de vez seu uso. No Brasil, até 2019, apenas 4 estados haviam aderido a proibição, mas você não precisa esperar! Sacolas de tecido são resistentes, duradouras, fáceis de dobrar e carregar na bolsa e, cá entre nós, mais estilosas também.
  • Evitar canudos plásticos:  à exceção de pessoas com necessidades especiais, a maioria de nós se acostumou a usar canudo por pura “preguicinha”. Se o uso do canudinho for essencial (para tomar água de coco natural, por exemplo), opte pelos reutilizáveis, como os de metal.
  • Evitar copos e garrafas descartáveis: no trabalho, por exemplo, substitua o copinho plástico por sua caneca pessoal na hora do café, que tal? Para se manter hidratado longe de casa, leve na bolsa uma garrafinha térmica com água gelada (de preferência, uma de alumínio).
  • Usar saquinhos de pano nas compras a granel: mais uma estratégia simples, sustentável e muito bacana para reduzir o plástico no supermercado. Na hora de compra, basta o comerciante pesar o saquinho vazio antes e, depois, descontar do peso final com o produto. Os lojistas podem estranhar no início, mas depois seu exemplo vai inspirar outros clientes.
  • Para qualquer objeto ou acessório, priorize os duráveis e reutilizáveis: isso vale para cuidados com higiene e beleza, para decoração da casa, na hora de presentear… Em muitos casos, a opção plástica é tão divulgada e acessível que achamos que é a única disponível, mas sempre vale dar uma pesquisada!
  • Quando não der para evitar o uso, encaminhe para reciclagem: infelizmente, menos de 10% de todo o plástico já produzido no mundo foi reciclado. Sim, o número é desanimador, por isso reduzir o uso deve ser sua primeira opção. Mas fazer o descarte correto, em locais de coleta seletiva, aumenta as chances de que o plástico utilizado possa ser reaproveitado na cadeia de alguma forma.

Menos plástico, mais informação: uma boa escolha!

Trouxemos apenas alguns pontos essenciais sobre os impactos negativos do plástico e como minimizá-los, mas informação sobre o assunto nunca é demais!

Há uma série de movimentos coletivos que nos ajudam a entender o problema em detalhes e também a encontrar caminhos efetivos para solucioná-lo, de olho em um futuro melhor.

O Movimento Lixo Zero é um deles, sobre o qual já falamos aqui. Também vale a pena conhecer o movimento global Break Free from Plastic (Liberte-se do Plástico), que conta com adesão de mais de 2000 organizações ao redor do planeta.

 

Fontes:

https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Meio-Ambiente/noticia/2020/12/producao-de-plastico-no-mundo-pode-crescer-50-ate-2025-se-nada-feito.html

https://www.5gyres.org/

https://www.ecycle.com.br/1267-microplastico.html

https://www.blogsenacsp.com.br/plastico-no-meio-ambiente/

https://www.ecycle.com.br/1267-microplastico.html

https://www.ecycle.com.br/6251-impacto-ambiental-do-lixo-plastico.html

https://br.boell.org/atlasdoplastico

https://www.breakfreefromplastic.org/