Atualmente o maior problema da população brasileira é enfrentar a obesidade e seus prejuízos, por mais que pareça assustador, mas infelizmente os dados estatísticos vêm demonstrando que o sobrepeso e a obesidade vêm aumentando na população.

Os últimos dados da Organização Mundial da Saúde (WHO/OMS) apontam que mais de 50% dos adultos já estão com sobrepeso. (WHO, 2017). Os dados do Ministério da Saúde em 2017 mostraram que o excesso de peso cresceu cerca de 26% em dez anos, ao mesmo tempo que cerca de 20% da população brasileira já se encontra em estado de obesidade (Ministério da Saúde, 2017).

Este crescimento desenfreado possui várias razões, porém a nutrição possui um papel importante na obesidade e em todas as desregulações metabólicas. Estamos presenciando a população ingerindo quantidades elevadas de gorduras saturadas e trans, juntamente com carboidratos refinados, ao mesmo tempo em que o consumo de gorduras mono e poli-insaturadas, estes hábitos alimentares em conjunto com a falta de exercício físico da população brasileira vem trazendo diversos problemas que encontramos nos consultórios com os pacientes, dentre eles a desregulação metabólica não só nos triglicerídeos como no colesterol total, bem como em suas frações: HDL (lipoproteína de alta densidade); LDL (lipoproteína de baixa densidade) e vLDL (lipoproteína de muito baixa densidade). A primeira lipoproteína – HDL – possui um papel importante em nosso organismo, o de basicamente transportar ácidos graxos dos tecidos para o fígado, impedindo o acúmulo de gordura nos vasos sanguíneos e contribuindo para a saúde do indivíduo. Já o LDL e o vLDL possuem papel contrário, eles distribuem os ácidos graxos para os tecidos, facilitando o acúmulo de gordura nos vasos, contribuindo para a formação de células espumosas e, posteriormente, a formação da placa aterosclerótica. Esta aterogênese vem sendo descrita na literatura como causas de infarto do miocárdio, aumento de pressão arterial sistêmica, bem como importante causa do processo de inflamação de baixo grau do indivíduo com excesso de tecido adiposo (Rizos et al., 2012).

Assim, uma das estratégias que vêm sendo pregadas atualmente é a utilização de recursos que alterem esse perfil lipídico dos pacientes, contribuindo para a sua saúde. O exercício físico possui um papel extremamente importante na elevação de HDL e diminuição de LDL e vLDL, impactando, consequentemente, nas concentrações de colesterol total e triglicerídeos. (Ridker, 2014). Entretanto, além do exercício físico e da alimentação saudável temos estratégias atuais que nos permitem melhorar esse perfil lipídico através da suplementação com ômega 3.

Dentre as gorduras que incentivamos as pessoas a consumirem estão os ácidos graxos com ótima qualidade, conhecidos como gorduras mono e poli-insaturadas. Dentre os ácidos graxos indicados no consumo de uma nutrição saudável encontramos o ácido graxo poli-insaturado conhecido como ômega 3. Pertencente à uma classe de ácidos graxos composto por três variedades, dentre elas o ácido alfa-linolênico (ALA), ácido eicosapentaenoico (EPA) e o ácido docosahexaenoico (DHA), o consumo de ômega 3 vem demonstrando um papel importante na modulação das frações lipídicas, contribuindo para o aumento de HDL e diminuição de LDL e vLDL. Atuais pesquisas científicas demonstram que a suplementação com ômega 3 pode trazer benefícios à saúde dos pacientes, contribuindo para uma melhora em sua qualidade de vida (Siscovick et al., 2017).

Ainda, estudos vêm demonstrando que a suplementação com ômega 3 parece impactar a saúde em outros aspectos, como na melhora do estresse oxidativo e na diminuição da inflamação de baixo grau, contribuindo para uma modulação benéfica da placa aterosclerótica e prolongando a saúde do indivíduo (Meital et al., 2019).

Atualmente também sabemos a importante relação que o intestino possui em nosso organismo, comunicando-se com diversos órgãos e sinalizando para a melhora da saúde ou para a indução de doenças cardiometabólicas. Esta sinalização tem origem na composição da flora intestinal dos pacientes, onde um quadro de homeostasia intestinal (com predominância de bactérias benéficas a saúde humana) torna-se uma importante estratégia. Porém com o consumo de quantidades excessivas de gorduras saturadas, trans e de carboidratos refinados a população acaba por gerar quadros de disbiose intestinal, onde na flora intestinal existe a predominância de bactérias maléficas a saúde e diminuição de bactérias benéficas. E, segundo os atuais estudos científicos, a suplementação com ômega 3 pode contribuir para essa melhora da flora intestinal, gerando um aumento de bifidobactérias e de ácidos graxos de cadeia curta, com consequente diminuição do perfil inflamatório desses pacientes e, posteriormente, melhora da saúde intestinal e do organismo como um todo (figura 1).

Figura 1 demonstrando a modulação intestinal através da suplementação com ômega 3. (Costantini et al., 2017)
Figura 1 demonstrando a modulação intestinal através da suplementação com ômega 3. (Costantini et al., 2017)

Neste sentido, podemos observar que a utilização de estratégias pode contribuir para a melhora do perfil lipídico e da saúde da população, gerando um prolongamento da saúde, bem como impactar futuramente na diminuição de diversas doenças metabólicas.

Referências Bibliográficas
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico. Estimativas sobre frequência e distribuição sociodemográfica de fatores de risco e proteção para doenças crônicas nas capitais dos 26 estados brasileiros e no distrito federal em 2016. Brasília: Ministério da Saúde, 162 p., 2017.
COSTANTINI, L. et al. Impact of Omega-3 Fatty Acids on the Gut Microbiota. Int J Mol Sci, v. 18, n. 12, Dec 7 2017. ISSN 1422-0067.
MEITAL, L. T. et al. Omega-3 fatty acids decrease oxidative stress and inflammation in macrophages from patients with small abdominal aortic aneurysm. Sci Rep, v. 9, n. 1, p. 12978, Sep 10 2019. ISSN 2045-2322.
RIDKER, P. M. LDL cholesterol: controversies and future therapeutic directions. Lancet, v. 384, n. 9943, p. 607-617, Aug 16 2014. ISSN 0140-6736.
RIZOS, E. C. et al. Association between omega-3 fatty acid supplementation and risk of major cardiovascular disease events: a systematic review and meta-analysis. Jama, v. 308, n. 10, p. 1024-33, Sep 12 2012. ISSN 0098-7484.
SISCOVICK, D. S. et al. Omega-3 Polyunsaturated Fatty Acid (Fish Oil) Supplementation and the Prevention of Clinical Cardiovascular Disease: A Science Advisory From the American Heart Association. Circulation, v. 135, n. 15, p. e867-e884, Apr 11 2017. ISSN 0009-7322.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Prevalence of overweight among adults,2017. Disponível em: Acesso em: 23 fev. 2018.