Os efeitos do consumo de cacau no estresse oxidativo | Blog Nutrify

Os efeitos do consumo de cacau no estresse oxidativo [2022]

Estresse oxidativo é definido pelo desequilíbrio entre agentes oxidantes e antioxidantes, com preponderância do primeiro, e consequente acréscimo na formação de radicais livres e na capacidade de gerar danos ao DNA (ácido desoxirribonucleico), às membranas lipídicas e às proteínas1. Contribui para diversas patologias e doenças, como câncer, distúrbios neurológicos, aterosclerose, hipertensão, isquemia, diabetes, fibrose pulmonar idiopática, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e asma2, além de ser considerado como principal fator na disfunção endotelial e da ruptura de placa aterosclerótica3.

Os mecanismos antioxidantes podem ser enzimáticos ou não enzimáticos. O sistema enzimático abrange as enzimas superóxido dismutase (SOD), catalase (CAT), glutationa redutase (GR) e glutationa peroxidase (GPX). Por outro lado, o sistema não enzimático possui as moléculas: glutationa reduzida (GSH), FRAP (Ferric Reducing Antioxidant), ácido úrico, vitamina C (ácido ascórbico), vitamina E (alfa tocoferol), vitamina A (retinol), carotenóides, zinco, selênio e flavonóides4.

Devido ao teor de seus flavonoides, o cacau foi considerado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como alimento funcional5. De acordo com a portaria nº 398 da Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde brasileiro, de 1999, é definido como alimento funcional todos os alimentos ou ingredientes que geram efeitos positivos para a saúde, com segurança, mesmo sem prescrição médica6.

Os polifenóis também são conhecidos como compostos fenólicos, e constituem um grupo de compostos encontrados em frutas, vegetais, flores e sementes. Estudos recentes mostram que os polifenóis encontrados nas sementes de cacau, assim como no chocolate, trazem efeitos benéficos à saúde7.

Os flavonóides fazem parte do grupo dos polifenóis. Existem 14 classes diferenciadas de flavonoides, mas a maior parte se limita a somente seis classes: flavonas, flavanonas, flavonóis, flavanol (ou flavan-3-óis), isoflavonas e as antocianinas. Entre estas classes, os flavonóis são as mais numerosas, sendo a (+)catequina e a (–)-epicatequina os principais8.

Os compostos bioativos dos flavonóides presentes no cacau são: proantocianidinas, catequina, epicatequina, galocatequina, epigalocatequina, epicatequina-3-galato, epigalocatequina-3-galato 9.

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O que a ciência mostra?

Diversos estudos mostram a relação entre o consumo de polifenóis presentes no cacau e a redução do risco de doença cardiovascular, por atuarem na diminuição da geração de radicais livres, consequentemente do estresse oxidativo, na diminuição da inflamação e com melhora da saúde vascular pela promoção no aumento da biodisponibilidade do ON10.

Em um estudo avaliando o consumo de cacau, a ingestão aguda, subcrônica (duas semanas) e crônica (três meses) de cacau reduziu o estresse oxidativo induzido pelo exercício, reduziu o aumento da pressão arterial induzido pelo exercício em pacientes obesos, alterou o metabolismo da gordura e do carboidrato durante o exercício e melhorou a eficiência mitocondrial em indivíduos não treinados11.

Em outro estudo com o objetivo de analisar o efeito dos polifenóis do cacau na ativação da isoforma 2 da NADPH (Fosfato de dinucleótido de nicotinamida e adenina) oxidase, no estresse oxidativo e na apoptose de hepatócitos, em uma população afetada pela esteatose hepática não alcoólica, mostrou que, em comparação com o grupo controle, os pacientes com esteatose apresentaram maiores níveis de SNO2-dp (Soluble NOX2-derived peptide), isoprostanos séricos e CK-18 (Cytokeratin-18). Uma diferença significativa para os tratamentos foi encontrada em indivíduos com relação a SNOX 2-dp, isoprostanos séricos de CK-18 sérica. As comparações mostraram que, comparados ao valor basal, após 14 dias de ingestão de chocolate amargo, foi encontrada uma redução significativa no sRO X2-dp (Soluble NOX2-derived peptide) soro isoprostanos e CK-18 M3012.

Em um estudo foi realizada uma intervenção em indivíduos saudáveis com ChA, utilizando 45 g por dia, durante um período de duas semanas, e os pesquisadores constataram uma melhora na circulação coronariana, dos lipídios séricos e do estresse oxidativo13.

Um estudo realizado in vitro, com extrato de cacau com elevado conteúdo de flavonóides (obtido do licor do cacau) evidenciou que as catequinas, epicatequinas, quercetina, quercetina-3-glicosídeo, quercetina 3-arabinosídeo e dideoxiclovamida apresentaram efeitos antioxidantes14.

Outro estudo in vitro demonstrou uma alta atividade antioxidante das procianidinas presentes no cacau, atuando na fase de prevenção (indução) e na fase de propagação da peroxidação de lipídios15.

Alguns estudos feitos em humanos mostraram que as catequinas presentes no cacau, foram capazes de aumentar a atividade antioxidante, diminuir o malonaldeído e peróxido lipídico plasmático, aumentar os níveis séricos de ascorbato, aumentar a absorção de ferro não-heme e aumentar a resistência do LDL-c à oxidação16.

Em um estudo in vitro, foram analisadas as concentrações de polifenóis e a capacidade antioxidante, através do método de sequestro radical 1,1-difenil-2-picrilhidrazil de chocolate amargo, meio amargo, ao leite e de soja. Os resultados evidenciaram maior quantidade de polifenóis no chocolate amargo e menor no chocolate ao leite. O chocolate à base de soja (rico em isoflavonas) mostrou atividade antioxidante considerável, podendo ser usado como substituto do chocolate amargo17.

Considerações finais

Os dados obtidos neste trabalho mostram que o consumo do cacau, numa quantidade média de 45 g, de duas a três semanas, é extremamente benéfico contra o estresse oxidativo induzido pelo exercício, e também em indivíduos não treinados.

Mostram também a redução do aumento da pressão arterial induzido pelo exercício em pacientes obesos, alteração do metabolismo da gordura e do carboidrato durante o exercício, melhora da eficiência mitocondrial em indivíduos não treinados.

Evidencia uma melhora na circulação coronariana, dos lipídios séricos, aumento dos níveis séricos de ascorbato, absorção de ferro não-heme.

Referências bibliográficas

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  3. STOCKER, Roland; KEANEY JR, John F. Role of oxidative modifications in atherosclerosis. Physiological reviews, v. 84, n. 4, p. 1381-1478, 2004.
  4. DE VASCONCELOS, Thiago Brasileiro et al. Radicais Livres e Antioxidantes: Proteção ou Perigo? Journal of Health Sciences, v. 16, n. 3, 2015.
  5. BASHO, Sirley Massako; BIN, Márcia Crestani. Propriedades dos alimentos funcionais e seu papel na prevenção e controle da hipertensão e diabetes. Interbio, v. 4, n. 1, p. 48-58, 2010.
  6. VIZZOTTO, Márcia; KROLOW, Ana Cristina; TEIXEIRA, Fernanda Cardoso. Alimentos Funcionais: conceitos básicos. Pelotas: Embrapa Clima Temperado, 2010.
  7. GUIMARÃES, Marta Magalhães et al. Utilização de chocolates ricos em polifenóis e com ação antioxidante: busca em bases de patentes. Cadernos de Prospecção, v. 5, n. 3, p. 168, 2014.

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  1. LOPES, Alessandra Santos; PEZOA GARCÍA, Nelson Horacio; AMAYA-FARFÁN, Jaime. Qualidade nutricional das proteínas de cupuaçu e de cacau. 2008.
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  3. DECROIX, Lieselot et al. Acute cocoa Flavanols intake has minimal effects on exercise-induced oxidative stress and nitric oxide production in healthy cyclists: a randomized controlled trial. Journal of the International Society of Sports Nutrition, v. 14, n. 1, p. 28, 2017.
  4. LOFFREDO, Lorenzo et al. Dark chocolate acutely improves walking autonomy in patients with peripheral artery disease. Journal of the American Heart Association, v. 3, n. 4, p. e001072, 2014.
  5. SHIINA, Yumi et al. Acute effect of oral flavonoid-rich dark chocolate intake on coronary circulation, as compared with non-flavonoid white chocolate, by transthoracic Doppler echocardiography in healthy adults. International journal of cardiology, v. 131, n. 3, p. 424-429, 2009.
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  9. TITTON, Natacha Fleck; SCHUMACHER, Andrea Bordin; DANI, Caroline. Estudo Comparativo da Quantidade de Polifenóis Totais e da Atividade Antioxidante em diferentes chocolates: ao leite, meio amargo, amargo e de soja. Ciência em movimento, v. 16, n. 33, p. 77-84, 2014.
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