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Nutrientes importantes na terceira idade

O envelhecimento é um fenômeno implacável, unidirecional e pleiotrópico da vida, e indivíduos na terceira idade constituem uma proporção crescente da população mundial (1).  Entre 2010 a 2050, o número de pessoas que constituem esse grupo, triplicará, passando de 524 milhões para quase 1,5 bilhão (2). No Brasil, é considerado idoso, o indivíduo que apresenta idade igual ou superior a 60 anos; entretanto em países desenvolvidos, o termo compreende ao indivíduo com idade igual ou superior a 65 anos (3).

O processo de envelhecimento está envolvido com a redução progressiva dos tecidos ativos do organismo, perda da sua capacidade funcional e modificação das funções metabólicas (4), sendo um gatilho chave para várias condições relacionadas à idade, como câncer, catarata, osteoporose, hipertensão, doenças cardiovasculares, metabólicas e neurodegenerativas, incluindo Alzheimer e doença de Parkinson (1).

A alimentação adequada é essencial, não apenas para a prevenção e tratamento de condições inerentes ao envelhecimento, mas também para a promoção e manutenção da independência ao longo dos anos, possibilitando uma melhor qualidade de vida e consequentemente um envelhecimento saudável (5).

No entanto, indivíduos na terceira idade, apresentam com frequência, deficiência na ingestão de calorias totais, associada a alterações nas funções gastrointestinal, renal e endócrina, levando a uma redução proporcional na biodisponibilidade de nutrientes essenciais (4). Assim, a dieta por si só, não raro, pode ser insuficiente e a suplementação de nutrientes e compostos ativos, se faz necessária (6).

A medida que o nosso organismo envelhece, há um aumento no estresse oxidativo, o que está relacionado a várias condições patológicas (7). Nesse sentido, o aumento na ingestão de vitaminas e minerais antioxidantes, como vitamina A, C, E, cobre, zinco e selênio é crucial para ativar vias de sinalização intracelular adaptativas contra tal dano (7).

A função do sistema imunológico reduz com o envelhecimento, e o zinco é um mineral com grande relevância por participar de inúmeros processos reguladores da resposta imune (8). Indivíduos na terceira idade normalmente realizam tratamentos com mais de um medicamento, o que pode levar ao risco da interação entre droga-nutriente, reduzindo consequentemente sua absorção (4). A inadequação do zinco, compromete o sistema imunológico e isso pode acarretar o aumento da susceptibilidade a infecções, a doenças autoimunes e neoplasias nessa população (8).

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A saúde óssea depende diretamente da ingestão regular de cálcio ao longo da vida (4), porém a absorção de cálcio reduz com a idade, havendo uma perda progressiva da massa óssea e sua suplementação pode ser necessária, especialmente para mulheres em maior risco, como nos casos de histórico familiar de osteoporose, com baixo peso, sedentárias, tabagistas e na pós menopausa (3,4).

Com o envelhecimento, a pele diminui a capacidade de sintetizar vitamina D, que é reduzida em 75% em pessoas com 70 anos de idade, o que torna indivíduos nesse grupo, mais suscetíveis a desenvolver deficiência. A vitamina D (colecalciferol) promove o balanço positivo do cálcio e estimula a formação óssea. Essa vitamina ativada (calcitriol) estimula a reabsorção óssea, bem como melhora a mineração óssea. Na sua ausência, apenas 10%-15% do cálcio é absorvido, ao passo que concomitante a mesma, a absorção deste mineral aumenta para aproximadamente 40%, o que demonstra a importância dessa interação na prevenção e tratamento da osteoporose (7).

A suplementação de vitamina D (isolada ou com adição de cálcio) produz efeitos positivos em indivíduos na terceira idade, principalmente em relação a prevenção de quedas e fraturas (9).

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O músculo esquelético de indivíduos na terceira idade é menos responsivo ao estímulo anabólico da ingestão proteica. Assim, maiores necessidades de proteínas são necessárias para retardar o declínio da massa muscular relacionado à idade. (10). Sua suplementação é uma proposta capaz de elevar a ingestão proteica e consequentemente, melhorar a massa, força e função muscular nesse grupo de indivíduos (10).

Além disso, a vitamina B12 é um micronutriente que também pode ter impacto na sarcopenia, uma vez que ajudam a reduzir as concentrações séricas de homocisteína, cujos níveis mais elevados estão relacionados á redução da força muscular e da velocidade da marcha (11). Indivíduos com sarcopenia tendem a consumir menos vitamina B12, o que reflete nas suas concentrações plasmáticas (11). Concomitante a baixa ingestão, indivíduos com idade avançada, apresentam atrofia da mucosa gástrica, levando a uma menor absorção da vitamina B12, devido a redução do ácido clorídrico e secreção do fator intrínseco (4).

A ingestão de ácidos graxos ômega 3, tem demonstrado efeitos positivos no músculo esquelético, podendo ser uma estratégia promissora na prevenção e manejo da sarcopenia (12). Redução de citocinas pró-inflamatórias, estímulo da síntese proteica muscular através da ativação da via mTOR-p70S6K, melhora na sensibilidade à insulina e redução das espécies reativas de oxigênio são mecanismos envolvidos na ação anabólica do ômega 3 no músculo esquelético (13).

A microbiota intestinal também sofre alterações com o avançar da idade, ocorrendo uma redução na diversidade bacteriana (14) e alteração no seu perfil metabólico, reduzindo a biodisponibilidade de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) e ácidos biliares (15). Indivíduos com idade avançada, que consumem uma dieta pobre em gordura e rica em fibras, apresentam maior diversidade microbiana, quando comparados com aqueles com ingestão “moderados a altos” de gordura e “baixa” de fibras, que apresentam uma microbiota menos diversa (16). Tal resultado é de grande importância neste contexto, uma vez que a reduzida diversidade na microbiota, principalmente na redução de bactérias produtoras de butirato está associada a fragilidade física em idosos (17). Além disso, as fibras alimentares exercem papel crucial na função intestinal, uma vez que a constipação é uma queixa frequente nessa população (4). Neste contexto, o consumo de probióticos podem modular positivamente a microbiota de indivíduos na terceira idade, conduzindo efeitos benéficos no envelhecimento saudável (7). 

A coenzima Q10 (CoQ10) é dotada de propriedades antioxidantes, antiinflamatórias e bioenergéticas. A maior parte da necessidade diária de CoQ10 do corpo é derivada da síntese endógena e isso é conhecido por reduzir substancialmente com a idade (7,18,19). A suplementação oral da CoQ10, pode melhorar marcadores de função renal e o controle glicêmico em pacientes com diabetes tipo 2, além de reduzir o risco de eventos cardiovasculares (18). Além disso, sua suplementação é capaz de exercer efeito antienvelhecimento cutâneo, ao repor seu conteúdo celular e mitocondrial em fibroblastos dérmicos e aumentar a quantidade de colágeno tipo 1 e de elastina (7,19).

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A nutrição pode agir de diversas formas, beneficiando os indivíduos na terceira idade com a promoção da saúde, redução e manejo de doenças. Assim, a ingestão de macronutrientes, vitaminas, minerais e compostos ativos com base nas necessidades individuais relacionadas à idade, devem alcançar a quantidade ideal, seja através da alimentação ou suplementação, apoiando dessa forma o envelhecimento saudável.

REFERÊNCIAS

  1.   Jin K, Simpkins JW, Ji X, Leis M, Stambler I. The critical need to promote research of aging and aging-related diseases to improve health and longevity of the elderly population. Aging Dis. 2015;6(1):1–5.
  2.   National Institute on Aging. Global Health and Aging. World Heal Organ Dep Heal Hum Serv. 2011;1–32.
  3.   Freitas EV de, Py L. Tratado de Geriatria e Gerontologia. 2017. 3639 p.
  4.   Cozzolino SMF. Biodisponibilidade de Nutrientes. Manole. 2020;(6a Edição):1–23.
  5.   Lorenzo-López L, Maseda A, De Labra C, Regueiro-Folgueira L, Rodríguez-Villamil JL, Millán-Calenti JC. Nutritional determinants of frailty in older adults: A systematic review. BMC Geriatr. 2017;17(1):1–13.
  6.   Maggini S, Pierre A, Calder PC. Immune function and micronutrient requirements change over the life course. Nutrients. 2018;10(10):1–27.
  7.   Peres R. Tratado de Nutrição Esportiva e Estética. Vol. 2, Plenitude Educação. 2022.
  8.   Cozzolino SMF, Cominetti C. Bases Bioquímicas e Fisiológicas da Nutrição nas Diferentes Fases da Vida, na Saúde e na Doença. 2013.
  9.   Poscia A, Milovanovic S, La Milia DI, Duplaga M, Grysztar M, Landi F, et al. Effectiveness of nutritional interventions addressed to elderly persons: Umbrella systematic review with meta-analysis. Eur J Public Health. 2018;28(2):275–83.
  10. Kiesswetter E, Sieber CC, Volkert D. Protein intake in older people: Why, how much and how? Z Gerontol Geriatr. 2020;53(4):285–9.
  11. Verlaan S, Aspray TJ, Bauer JM, Cederholm T, Hemsworth J, Hill TR, et al. Nutritional status , body composition , and quality of life in community- dwelling sarcopenic and non-sarcopenic older adults : A case-control study. Clin Nutr. 2017;36(1):267–74.
  12. Rondanelli M, Perna S, Riva A, Petrangolini G, Di Paolo E, Gasparri C. Effects of n-3 EPA and DHA supplementation on fat free mass and physical performance in elderly. A systematic review and meta-analysis of randomized clinical trial. Mech Ageing Dev [Internet]. 2021;196(October 2020):111476. Available from: https://doi.org/10.1016/j.mad.2021.111476
  13. Dupont J, Dedeyne L, Dalle S, Koppo K, Gielen E. The role of omega-3 in the prevention and treatment of sarcopenia. Aging Clin Exp Res. 2019;31(6):825–36.
  14. Ottman N, Smidt H, Vos WM De, Belzer C. The function of our microbiota : who is out there and what do they do ? Front Cell Infect Microbiol. 2012;2(August):1–11.
  15. Conway J, Duggal NA. Ageing of the gut microbiome : Potential influences on immune senescence and inflammageing. Ageing Res Rev. 2021;68(March):101323.
  16. Claesson MJ, Jeffery IB, Conde S, Power SE, O’connor EM, Cusack S, et al. Gut microbiota composition correlates with diet and health in the elderly. Nature. 2012;488(7410):178–84.
  17. Jackson MA, Jeffery IB, Beaumont M, Bell JT, Clark AG, Ley RE, et al. Erratum to: Signatures of early frailty in the gut microbiota. Genome Med [Internet]. 2016;8(1). Available from: http://dx.doi.org/10.1186/s13073-016-0275-2
  18. Mantle D, Hargreaves I. Coenzyme Q10 and degenerative disorders affecting longevity: An overview. Antioxidants. 2019;8(2):1–10.
  19. Marcheggiani F, Kordes S, Cirilli I, Orlando P, Silvestri S, Blatt T, et al. Free Radical Biology and Medicine Anti-ageing effects of ubiquinone and ubiquinol in a senescence model of human dermal fibroblasts. Free Radic Biol Med. 2021;165(December 2020):282–8.

Susilane Pereira – Nutricionista

Professora Pós-graduação Nutrição Clínica Integrativa Funcional – Plenitude Educação

@susipereira_nutri

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