Muitos países já possuem programas de diminuição, e até mesmo restrição, de emissão de poluentes como ferramentas para reduzir o impacto ambiental da atividade humana no planeta, a fim de garantir a sustentabilidade e sobrevivências das futuras gerações.

O termo carbon footprint (impressão/emissão de carbono) se refere a soma total da emissão/produção de gases de efeito estufa (dióxido de carbono), provindo das atividades realizadas por nós humanos, em determinado período de tempo.

Consumo de papel (impressões), aquecimento da casa, banhos quentes e demorados, uso de automóveis, compra e consumo de alimentos são apenas algumas das atividades que compõem um cálculo do impacto de nossas ações cotidianas no ambiente.
Para se ter a real noção da magnitude do impacto de cada uma delas, bem como para poder realizar comparações, os resultados desses cálculos são expressos em toneladas de CO2 produzidas por ano.

Assim, vemos que toda a cadeia envolvida na produção das carnes, do momento do abate até chegar às mãos do consumidor nas bandejas do mercado, em termos globais, é mais poluente que todo o setor automobilístico.

Duas publicações científicas recentes (vide referências ao fim deste artigo) levaram em conta esse tema. Podemos resumi-las nas seguintes considerações:
1. Dietas com maior consumo de carnes e queijos são responsáveis por 40% do total da emissão de gases poluentes.
2. O consumo de leite e bebidas alcoólicas colabora com 20% do total de monóxido de carbono emitido.
3. Dietas com alto consumo de carnes e leite estão associadas ao baixo nível de consumo de fibras alimentares e alto consumo de gorduras saturadas.
4. Dietas com predomínio de baixa emissão de gases poluentes (mais ricas em alimentos de origem vegetal) possuem semelhante qualidade nutricional, verificada pela ingestão de macro e micronutrientes, que aquelas com alta emissão desses gases (mais ricas em carnes e leite).
5. A característica da composição da dieta (menos carnes e derivados animais) é um fator imprescindível a ser considerado para a elaboração e o sucesso de programas de redução global da emissão de gases poluentes de alto impacto ambiental.

Toda escolha que fazemos, seja de estilo de vida, consumo ou alimentação, gera impactos para nossa saúde e para a vida do planeta. Manter-se informado e atento a essas consequências é fundamental para fazer opções conscientes.

Referências:

1) Is a diet low in greenhouse gas emissions a nutritious diet? – Analyses of self-selected diets in the LifeGene study. Bälter K, Sjörs C, Sjölander A, Gardner C, Hedenus F, Tillander A. Arch Public Health. 2017 Apr 10;75:17. doi: 10.1186/s13690-017-0185-9.
Link para o estudo: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28400959

2) Greenhouse gas emission of diets in the Netherlands and associations with food, energy and macronutrient intakes. Temme EH, Toxopeus IB, Kramer GF, Brosens MC, Drijvers JM, Tyszler M, Ocké MC. Public Health Nutr. 2015 Sep;18(13):2433-45. doi: 10.1017/S1368980014002821.

Link para o estudo: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25543460