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Conheça os Mecanismos da Saciedade

No contexto da crescente prevalência de obesidade e um número de pessoas com transtornos alimentares cada vez maior, é fundamental uma melhor compreensão de como o equilíbrio energético e o peso corporal são controlados. Dois mecanismos principais estão envolvidos na determinação da ingestão energética total durante o dia provenientes da alimentação: a saciação (processo que faz com que a pessoa pare de comer) e a saciedade (sensação de plenitude que persiste após comer, suprimindo o consumo adicional) (1).

Os fatores que afetam a saciação e a saciedade foram caracterizados em 1987 e envolvem 04 fatores principais: sensoriais, cognitivos, pós-ingestão e pós-absorção. Inicialmente, fatores sensoriais e cognitivos começam o processo – incluindo as expectativas sobre o alimento que será consumido – assim como fatores relacionados a avaliação global do alimento ou bebida (sabor, textura e cheiro). Uma vez que a comida ou bebida chegam ao estômago, os fatores pós-ingestão passam a fazer efeito: inicialmente, uma distensão estomacal envia sinais de saciedade ao cérebro; à medida que a digestão continua no intestino, hormônios que promovem a saciedade e a saciação são liberados. Na fase pós-absortiva na cascata de saciedade, os próprios nutrientes são detectados por receptores em todo o corpo (incluindo o cérebro) e sinalizam ao corpo informações sobre o estado nutricional que afetam a saciedade. Além de fatores mais próximos ao horário da refeição, a saciedade também pode ser afetada no médio-longo prazo por sinais relacionados a leptina (hormônio produzido pelo tecido adiposo), por exemplo (1, 2, 3).

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Ainda que todos estes sinais estabeleçam de fato uma complexa rede de sinais envolvidos na saciação e saciedade, é importante salientar que seres humanos de ‘’vida livre’’ têm suas escolhas sobre o que e quanto comer baseadas não somente por sinais internos de apetite, mas também por fatores como a palatabilidade de tal alimento, o tamanho da porção, a hora do dia e também a presença de outras pessoas. Ainda cabe a ressalva de que a magnitude da fome ou da saciedade podem modificar as escolhas tomadas por determinados indivíduos no que diz respeito a escolhas alimentares, com participação direta do sistema de recompensas do ser humano (4, 5).

Como dito anteriormente, são vários os fatores que podem interferir na saciação e saciedade e, consequentemente, na ingestão energética do ser humano. Abaixo, serão destrinchados todos os mecanismos pelos quais tais acontecimentos fisiológicos ocorrem.

1) Mecanismos fisiológicos da saciação

1.1)  Mecanismos gástricos da saciação.

Quando o alimento ou a bebida chegam ao estômago, nervos ali presentes comunicam um aumento do volume gástrico ao cérebro. Aparentemente, a distensão gástrica promove saciação independentemente do teor de nutrientes, através de aferentes vagais; isso é comprovado, por exemplo, por estudos que demonstram que o consumo de sopa via infusão direta no intestino delgado não teve efeito significativo sobre a fome, desejo de comer ou saciação, enquanto a mesma sopa administrada via oral suprimiu significativamente o apetite ao longo do tempo (1, 6, 7).

1.2)  Mecanismos intestinais da saciação.

Logo após o estômago, os alimentos e bebidas são liberados no intestino delgado, onde a digestão continua e os nutrientes são absorvidos. Aparentemente, a ‘’informação’’ recebida sobre os nutrientes absorvidos chegam até o cérebro e, consequentemente, cria-se uma sinalização de saciação. Pensando nos macronutrientes (carboidratos, proteínas e gorduras), a sinalização de seus respectivos constituintes (glicose, aminoácidos e ácidos graxos) serão os responsáveis por tal sinalização (1).

O hormônio colecistoquinina (CCK) tem papel fundamental na saciação. Já em 1973, autores percebiam que a administração deste hormônio em roedores reduzia o tamanho da refeição subsequente de forma dose-dependente; este efeito também já foi visto em humanos – embora a distensão estomacal seja necessária para que tal efeito ocorra (1, 8).

A CCK é sintetizada principalmente pelas células L no duodeno e no jejuno e é rapidamente liberada na corrente sanguínea em resposta à presença de nutrientes no intestino – particularmente após a ingestão de gordura e/ou proteínas. Além de efeitos na saciação, a CCK também retarda o esvaziamento gástrico e estimula a secreção de enzimas pancreáticas e a contração da vesícula biliar, desempenhando um papel de ‘’coordenação’’ na digestão. Seus efeitos no sistema nervoso central de humanos também são conhecidos e tendem a modificar, inclusive, a ‘’tomada de decisão’’ alimentar. O núcleo accumbens (estrutura do corpo ventral relacionado a recompensas) recebe a sinalização de CCK (assim como o córtex pré-frontal e a amigdala) e estudos realizados com humanos e roedores encontraram resultados correlacionando maiores níveis de CCK a um menor consumo de gorduras e açúcar, respectivamente (1, 5).

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2)      Mecanismos fisiológicos da saciedade

2.1)  Hormônios intestinais & sinais de saciedade à curto prazo.

Vários hormônios são secretados pelo intestino para sinalizar a ingestão alimentar. A grelina é um hormônio produzido no estômago que tem efeito reverso ao sacietogênico: a administração experimental deste hormônio causou um aumento no apetite e na ingestão de alimentos em animais e seres humanos. Seus níveis parecem estar aumentados em períodos que antecedem as refeições – ainda que a grelina não pareça capaz de ‘’prever’’ o intervalo entre refeições. A supressão da grelina é diretamente proporcional à ingestão de energia na refeição e, baseando-se numa medida de quilojaules, a gordura parece menos eficaz do que carboidratos e proteínas visando a supressão da grelina. Os níveis de grelina também parecem sofrer alterações crônicas inversamente proporcionais aos níveis de gordura corporal: indivíduos obesos parecem ter menores níveis de grelina, enquanto indivíduos magros tem maiores níveis de grelina (1, 9).

O peptídeo-1 semelhante ao glucagon (GLP-1) e a oxintomodulina (OXM) são produtos do gene preproglucagon (CGC), que tem expressão no cérebro, pâncreas e intestino. Ambos os hormônios são liberados em resposta a nutrientes no intestino e tem efeitos na saciedade. A administração de GLP-1 em humanos foi capaz de reduzir a ingestão de alimentos, diminuir os índices de fome e aumentar os índices de saciedade em indivíduos saudáveis, diabéticos e obesos. Existem hipóteses, cabe ressaltar, que os níveis de GLP-1 são reduzidos em indivíduos obesos – e que a redução deste peso corporal pode restaurar os níveis fisiológicos de GLP-1. Outras funções vinculadas a este hormônio são o retardamento do esvaziamento gástrico, a modulação da secreção de ácido gástrico (permitindo uma digestão eficaz), assim como estimular a secreção de insulina e inibir a secreção de glucagon. Sua eficácia para redução de apetite levou à indústria farmacêutica a produção de análogos de GLP-1 (liraglutida e semaglutida são exemplos) que têm eficácia significativa na redução de peso corporal quando comparado ao placebo (1, 5, 10).

A OXM também vêm sendo relacionada a fatores supressores da ingestão energética em humanos, assim como também parece ser capaz de aumentar o gasto energético quando administrada na forma de medicamento. Este hormônio parece ser capaz de se ligar ao receptor de GLP1 no cérebro (GLP-1R) e melhorar o controle do apetite, assim como também parece ser capaz de reduzir as concentrações plasmáticas de grelina em roedores e em seres humanos, com modificações expressivas de até 40% menos grelina quando a substância é administrada (1, 5, 11, 12).

Alguns peptídeos também estão envolvidos no sistema de fome-saciedade; são eles o peptídeo YY (PYY), o polipeptídeo pancreático (PP) e o neuropeptídeo Y (NPY). O PYY é produzido nas células L do íleo, cólon e reto e é liberado na circulação proporcionalmente a quantidade de energia consumida, atingindo o platô em 1-2h e permanecendo elevado por até 6 horas. O PYY tem como principais funções inibir o esvaziamento gástrico e aumentar o tempo de trânsito do alimento no intestino, induzido a uma maior saciedade. Um estudo investigou o efeito da administração de PYY em indivíduos magros e obesos e descobriu uma redução de aproximadamente 30% no consumo calórico total numa situação de buffet (comida a vontade) (1, 13).

O PP, por sua vez, é um hormônio produzido principalmente pelo pâncreas – mas também em pequenas quantidades no reto e cólon. Assim como PYY, o hormônio é liberado na circulação após a ingestão de alimentos e também exerce papel na redução do apetite – quando administrado na mesma situação do estudo anterior (buffet para consumo à vontade) O PP reduziu a ingestão de energia em aproximadamente 22% na refeição e houve uma redução de aproximadamente 25% na ingestão calórica num período de 24 horas (1, 14).

O NPY, por sua vez, é um peptídeo orexígeno (que aumenta o apetite). Sua expressão é particularmente maior em períodos de jejum prolongado, sendo um hormônio particularmente sensível a sinalizações periféricas de outros hormônios – enquanto a insulina e a leptina demonstram-se capazes de inibir a expressão de NPY, o hormônio do crescimento (GH) e glicocorticoides tendem a estimulá-lo. Indivíduos com genótipos que tendem a expressar maiores níveis de NPY podem ter maior dificuldade para responder a dietas de perda de peso e para a redução da gordura abdominal (15, 16).

2.2)  Sinais de saciedade de médio-longo prazo

Existem determinados sinais que são diretamente correlacionados com a quantidade de armazenamento de gordura no corpo – de modo ao qual seja possível uma sinalização a nível cerebral visando manter um peso corporal relativamente constante. A leptina é um hormônio peptídico produzido especialmente pelo tecido adiposo, e seus níveis no corpo humano afetam especialmente a ingestão energética – podendo também contribuir para o gasto de energia. No entanto, ainda que baixos níveis de leptina representem um aumento na fome e no desejo de comer, altos níveis de leptina não conferem níveis representativos de saciedade, por exemplo, em indivíduos obesos. Isso ocorre devido à uma resistência à leptina em indivíduos obesos que até podem ter níveis circulantes maiores do hormônio, mas não conseguem obter os efeitos no sistema nervoso central, possivelmente devido a dificuldades envolvidas no transporte via barreira hematoencefálica (1, 5, 17).

A insulina é outro hormônio diretamente envolvido na saciedade do corpo humano. Produzida pelo pâncreas, a secreção deste hormônio é diretamente influenciada no período pós-prandial e atua no controle dos níveis de glicose sanguíneos. Assim como a leptina, ainda que tenha efeitos sacietogênicos, níveis muito elevados deste hormônio podem gerar uma resistência à sua ação (resistência à insulina) e, consequentemente, a saciedade passa a ser pouco afetada pela secreção hormonal. Um estudo realizado com indivíduos magros e obesos colocados em situação de hiperalimentação sugeriu que a hiperinsulinemia pode gerar um consumo excessivo de gorduras e calorias em indivíduos obesos – enquanto indivíduos magros mantém seu controle de apetite em níveis normalizados (18, 19).

2.3)  Integração de sinais de saciedade no cérebro

Os sinais de curto, médio e longo-prazo agem no apetite por meio de receptores no cérebro ou indiretamente no sistema nervoso. Existem vias denominadas anorexígenas (inibem a alimentação) e orexígenas (estimulam a alimentação) (1).

As vias anorexígenas estão relacionadas a neurônios que expressam os neuropeptídeos pró-opiomelanocortina (POMC) (precursor do hormônio estimulante de alfa-melanócito, que atua nos receptores melanocortina 3 e 4) e transcrito regulado pela cocaína e anfetamina (CART), sendo ambos estimulados pela leptina. Estudos em seres humanos que possuem um gene mutante POMC ou melanocortina 4 (MC4) demonstram que existe maior propensão a hiperfagia e a obesidade; A administração de CART em roedores, por sua vez, reduz a alimentação destes animais (1, 20, 21).

Vias orexígenas, por sua vez, estão relacionadas a neurônios que expressam o NPY e o peptídeo relacionado ao agouti (AgRP), sendo estimulados pela grelina e inibidos pelo GLP-1, OXM, insulina e leptina. A administração de NPY em animais causa hiperfagia e induz a obesidade, além de reduzir o gasto de energia. O AgRP, por sua vez, é um antagonista de receptores melanocortina 3 e 4 (MC3 E MC4), o que gera inibição da ação do hormônio estimulante de alfa-melanócitos – substância capaz de reduzir o consumo alimentar e aumentar o gasto energético (1).

Por fim, a parte comportamental também tem relação direta com o consumo alimentar e, consequentemente, com a saciedade. O sistema de recompensa do ser humano pode ser dividido entre o ‘’gostar’’ e o ‘’querer’’ – em roedores, o primeiro é medido através de expressões faciais frente a um alimento, enquanto o ‘’querer’’ é medido pelo tanto de trabalho que o animal realiza para obter o alimento. O ‘’gostar’’ é dado especialmente por opioides e por peptídeos orexígenos, enquanto o ‘’querer’’ está ligado ao sistema dopaminérgico. Tais teorias são confirmadas por estudos realizados em camundongos que demonstram que a eliminação de neurônios dopaminérgicos não altera a expressão facial destes animais frente ao consumo de sacarose; em contrapartida, animais hiperdopaminérgicos têm maior motivação para obter chocolate sem alteração em suas respostas faciais. A integração entre vias homeostáticas e hedônicas ainda vêm sendo estudada, porém a literatura atualmente disponível já corrobora com o fato de que aspectos sensoriais prazerosos do alimento podem anular os sinais internos de saciedade, e o aumento da sensibilidade à estímulos hedônicos pode ser um fator de risco para o consumo excessivo e a obesidade (1, 5).

Os mecanismos de saciedade do ser humano são complexos e demandam atenção do profissional da saúde visando compreender as dificuldades rotineiras de um consultório. A melhor compreensão de todos estes mecanismos é fundamental para melhoras em tomadas de decisões clínicas que envolvam estratégias visando auxiliar indivíduos com seus sistemas de fome-saciedade conturbados por algum motivo – ou mesmo aqueles que visam um melhor controle alimentar durante sua rotina diária.

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1)      BENELAM, Bridget. Satiation, satiety and their effects on eating behaviour. Nutrition bulletin, v. 34, n. 2, p. 126-173, 2009.

2)      Blundell JE, Rogers PJ & Hill AJ (1987) Evaluating the satiating power of foods: implications for acceptance and consumption. In: Food Acceptance and Nutrition (J Solms et al. ed.), pp. 205–19. Academic Press: London.

3)      Wynne K, Stanley S, McGowan B et al. (2005a) Appetite control. Journal of Endocrinology 184: 291–318.

4)      Bellisle F (2003) Why should we study human food intake behaviour? Nutrition, Metabolism and Cardiovascular Disease. 13: 189–93.

5)      KLOCKARS, Anica et al. Impact of Gut and Metabolic Hormones on Feeding Reward. Comprehensive Physiology, v. 11, n. 2, p. 1425-1447, 2011.

6)      Phillips RJ & Powley TL (2000) Tension and stretch receptors in gastrointestinal smooth muscle: re-evaluating vagal mechanoreceptor electrophysiology. Brain Research. Brain Research Reviews 34: 1–26.

7)      STEINERT, Robert E.; MEYER-GERSPACH, Anne C.; BEGLINGER, Christoph. The role of the stomach in the control of appetite and the secretion of satiation peptides. American Journal of Physiology-Endocrinology and Metabolism, v. 302, n. 6, p. E666-E673, 2012.

8)      Lieverse RJ, Jansen JB, Masclee AA et al. (1995) Satiety effects of a physiological dose of cholecystokinin in humans. Gut 36: 176–9.

9)      Pradhan, G., Samson, S. L., & Sun, Y. (2013). Ghrelin: much more than a hunger hormone. Current opinion in clinical nutrition and metabolic care, 16(6), 619–624. https://doi.org/10.1097/MCO.0b013e328365b9be

10)   RUBINO, Domenica et al. Effect of continued weekly subcutaneous semaglutide vs placebo on weight loss maintenance in adults with overweight or obesity: the STEP 4 randomized clinical trial. Jama, v. 325, n. 14, p. 1414-1425, 2021.

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12)   Pocai A. Action and therapeutic potential of oxyntomodulin. Mol Metab. 2013;3(3):241-251. Published 2013 Dec 14. doi:10.1016/j.molmet.2013.12.001

13)   BATTERHAM, Rachel L. et al. Inhibition of food intake in obese subjects by peptide YY3–36. New England Journal of Medicine, v. 349, n. 10, p. 941-948, 2003.

14)   Batterham RL, Le Roux CW, Cohen MA et al. (2003b) Pancreatic polypeptide reduces appetite and food intake in humans. 88: 3989–92.

15)   Lin, Xiaochen et al. “Neuropeptide Y genotype, central obesity, and abdominal fat distribution: the POUNDS LOST trial.” The American journal of clinical nutrition vol. 102,2 (2015): 514-9. doi:10.3945/ajcn.115.107276

16)   ZHANG, Lei; BIJKER, Martijn S.; HERZOG, Herbert. The neuropeptide Y system: pathophysiological and therapeutic implications in obesity and cancer. Pharmacology & therapeutics, v. 131, n. 1, p. 91-113, 2011.

17)   Keim NL, Stern JS, Havel PJ. Relation between circulating leptin concentrations and appetite during a prolonged, moderate energy deficit in women. Am J Clin Nutr. 1998 Oct;68(4):794-801. doi: 10.1093/ajcn/68.4.794. PMID: 9771856.

18)   Speechly DP, Buffenstein R. Appetite dysfunction in obese males: evidence for role of hyperinsulinaemia in passive overconsumption with a high fat diet. Eur J Clin Nutr. 2000 Mar;54(3):225-33. doi: 10.1038/sj.ejcn.1600924. PMID: 10713745.

19)   Flint A, Gregersen NT, Gluud LL, Møller BK, Raben A, Tetens I, Verdich C, Astrup A. Associations between postprandial insulin and blood glucose responses, appetite sensations and energy intake in normal weight and overweight individuals: a meta-analysis of test meal studies. Br J Nutr. 2007 Jul;98(1):17-25. doi: 10.1017/S000711450768297X. Epub 2007 May 25. PMID: 17524176.

20)   Kristensen P, Judge ME, Thim L, Ribel U, Christjansen KN, Wulff BS, Clausen JT, Jensen PB, Madsen OD, Vrang N, Larsen PJ, Hastrup S. Hypothalamic CART is a new anorectic peptide regulated by leptin. Nature. 1998 May 7;393(6680):72-6. doi: 10.1038/29993. PMID: 9590691.

21)   Yang YK, Harmon CM. Recent developments in our understanding of melanocortin system in the regulation of food intake. Obes Rev. 2003 Nov;4(4):239-48. doi: 10.1046/j.1467-789x.2003.00104.x. PMID: 14649374.

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