Magnésio: Conheça mais sobre esse mineral

Magnésio: Conheça mais sobre esse mineral

O magnésio é um mineral essencial e muito abundante nas funções metabólicas, majoritariamente encontrado nos ossos e no sangue, e apenas uma pequena parte está disponível na circulação sanguínea3. Atua como cofator enzimático em mais de 300 reações, incluindo a síntese de proteínas, metabolismo energético, manutenção da saúde celular, replicação do DNA e RNA, e é também fundamental no metabolismo ósseo e na saúde cardiovascular3. Na manutenção dos níveis energéticos, seu papel é crucial, pois todas as reações dependentes de ATP requerem magnésio. É um mineral facilmente encontrado em sementes de girassol, nozes, oleaginosas, vegetais verdes-escuros e cereais integrais2.

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Sua deficiência não é incomum e pode causar náuseas, vômitos, fadiga, perda de apetite e, em casos graves, formigamentos, convulsões, anormalidades de ritmo cardíaco, redução da sensibilidade à glicose, queda no desempenho físico, pré-eclâmpsia, aumento do estresse oxidativo e asma. Entre as causas mais comuns de deficiência estão: diabetes descompensada, etilismo, síndromes de má absorção crônica e alguns medicamentos, como diuréticos e antibióticos3

É importante salientar também que o consumo excessivo de cálcio, gorduras, fosfato e cafeína, pode reduzir sua biodisponibilidade ou aumentar sua excreção.

Os níveis séricos, eritrocitários e plasmáticos são o indicativo mais comum utilizado. Já a excreção urinária é considerada um parâmetro confiável para avaliação do estado nutricional e a verificação de deficiência1.

O uso do magnésio em diferentes condições de saúde

No tecido cardíaco, o magnésio exerce efeito sobre o impulso cardíaco no miocárdio e nas células marcapasso, sendo um importante adjuvante na manutenção do ritmo cardíaco. Seu efeito primordial nesse tecido se deve à sua atuação sobre os níveis de cálcio3.

Conforme muito bem descrito na literatura, seu papel é sumário no potencial de ação cardíaco através dos canais iônicos, assim, considera-se que o desequilíbrio sérico de magnésio contribui fortemente na etiologia das arritmias cardíacas8.

Na aterosclerose seu uso parece ser vantajoso, devido ao fato de que contribui para a manutenção do tônus vascular, ativação plaquetária, redução na inflamação endotelial, proliferação e migração8.

Tem sido também alvo de diversos estudos sua participação no manejo de dores de cabeça e enxaqueca. Um estudo realizado na Alemanha pôde constatar que uma dosagem diária de 600mg de Magnésio pareceu eficaz na redução da frequência da enxaqueca, em comparação ao grupo placebo4.

Além do mais, por ser um potente aliado no controle dos níveis pressóricos, paralelo à sua ação neurológica, tem sido alvo de hipóteses relacionadas ao seu uso com alvo na prevenção de Acidente Vascular Cerebral (AVC). A literatura já aponta alguns achados, com significância estatística, quanto à relação preventiva da ingestão de magnésio com a redução da ocorrência de AVC9.

Justificado por sua ação significativa no metabolismo da glicose e insulina, dentre as doenças crônicas mais estudadas quanto à sua participação, destaca-se o diabetes mellitus do tipo 2, centralmente por seu impacto na tirosinoquinase, pela transferência do grupo fosfato do ATP para a proteína, e pode também afetar diretamente a translocação de GLUT4 para a membrana, afetando exponencialmente o metabolismo da glicose.

Recomendação e fontes alimentares

A Recomendação Dietética (Recommended Dietary Aliances – RDA) para o magnésio é de 400 a 420 mg/dia, para homens, e de 310 a 320 mg/dia, para mulheres, ambos adultos. Um estudo encontrou 279 mg/dia como consumo médio de magnésio para homens e mulheres adultos no Brasil. Já o valor de consumo dietético diário de magnésio encontrado em atletas varia muito, indo de 345 mg Mg/d, em praticantes de musculação, a 684 mg Mg/d, em ciclistas em fase pré-competitiva2. Casos de toxicidade de magnésio ocorrem principalmente quando existe o consumo de suplementos farmacológicos. A UL (upper level – nível máximo de ingestão) estabelecida para o magnésio é de 350 mg/dia, considerando exclusivamente o consumo de suplementação farmacológica6. O principal sintoma do consumo excessivo de magnésio, por meio de fontes não alimentares, é a diarreia6.

Como destacamos no início, o magnésio é um mineral facilmente encontrado em sementes de girassol, nozes, oleaginosas, vegetais verde-escuros e cereais integrais7. Segue abaixo uma tabela com alguns alimentos e as respectivas quantidades de magnésio:

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A deficiência de magnésio é cada vez mais comum em vários países do mundo, incluindo o Brasil, devido à alimentação pouco saudável que a maioria das pessoas mantém. Uma dieta pobre em verduras, legumes e oleaginosas está diretamente ligada à carência desse nutriente3. A sua falta pode facilmente causar alguns sintomas e doenças, como aumento da pressão arterial, redução da tolerância à glicose, pré-eclâmpsia, derrame, diabetes mellitus, osteoporose, asma e distúrbios do sistema imunológico3. É possível corrigir uma deficiência de magnésio por meio de mudanças na dieta e, se necessário, com suplementação.

Considerações finais

Indubitavelmente o magnésio é um dos minerais com atuação mais ampla, expressiva e indispensável no metabolismo humano, o que possibilita sua aplicabilidade com diversos fins, em caráter preventivo de doenças crônicas não transmissíveis, tal como no manejo de clínico da diabetes, enxaqueca e alguns distúrbios de sono. Sua deficiência é comum, mas pode facilmente ser evitada. No entanto, as consequências de níveis séricos inadequados acarretam expressivo desconforto, como letargia, dispepsia, enxaqueca, fraqueza muscular, e, em casos graves, pré-eclâmpsia, fraqueza periférica, dentre outros. A suplementação quando bem indicada parece ser eficiente na prevenção e no manejo clínico das condições discutidas. As hipóteses de uso mais amplo têm sido cada vez mais robustas, devido ao crescente interesse por sua significância metabólica.

Referências bibliográficas

  1.           AMORIM,A.G;TIRAPEGUI.J.Aspectos atuais da relação entre o exercício físico, estresse oxidativo e magnésio. Revista de Nutrição,21,5,outubro,2008,563-575.
  2.           https://examine.com/supplements/magnesium/
  3.           Guerrera MP, Volpe SL, Mao JJ. Therapeutic uses of magnesium. Am Fam Physician. 2009 Jul 15;80(2):157-62. PMID: 19621856.
  4.           Peikert A, Wilimzig C, Köhne-Volland R. Prophylaxis of migraine with oral

magnesium: results from a prospective, multi-center, placebo-controlled and double-blind randomized study. Cephalalgia. 1996;16(4):257-263.

  1.           Padovani, Renata Maria et. al; Dietary reference intakes: aplicabilidade das tabelas em estudos nutricionais. Rev. Nutr., Campinas, 19(6):741-760, nov./dez., 2006
  2.           Severo, Juliana Soares, et al. Metabolic and Nutritional Aspects of Magnesium. Nutr. clín. diet. hosp. 2015; 35(2):67-74.
  3.           Serefko A, Szopa A, Poleszak E. Magnesium and depression. Magnes Res. 2016 Mar 1;29(3):112-119. doi: 10.1684/mrh.2016.0407. PMID: 27910808.
  4.           Tangvoraphonkchai K, Davenport A. Magnesium and Cardiovascular Disease. Adv Chronic Kidney Dis. 2018 May;25(3):251-260. doi: 10.1053/j.ackd.2018.02.010. PMID: 29793664.
  5.           Volpe SL. Magnesium in disease prevention and overall health. Adv Nutr. 2013 May 1;4(3):378S-83S. doi: 10.3945/an.112.003483. PMID: 23674807; PMCID: PMC3650510.

Gabriela Motta e Suellen Bueno

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