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O que são e quais vantagens das formulações lipossomais?

Dentre as diversas formas de administração de fármacos, os comprimidos administrados na forma oral são os mais utilizados.

Os comprimidos que se destinam à administração oral apresentam diferentes objetivos, como dissolução na boca, ingestão e desagregação no estômago ou no intestino. Esta forma farmacêutica inclui algumas vantagens e desvantagens. Dentre as principais estão: boa precisão de dosagem, maior estabilidade física, química e microbiológica em relação às demais formas farmacêuticas, principalmente as líquidas. Já a principal desvantagem dos comprimidos como forma farmacêutica está relacionada à biodisponibilidade de fármacos pouco solúveis em água ou de baixa taxa de absorção. Além disso, alguns fármacos podem causar efeitos de irritação local ou, ainda, causar danos na mucosa gastrintestinal.

Para tanto, busca-se alternativas para tornar o uso de medicamentos mais seguros, com ação mais prolongada, mais regular, mais localizada, diminuição da toxicidade e efeitos secundários sem que se diminua a eficácia terapêutica. Nesse ínterim, a necessidade do desenvolvimento de preparações de liberação controlada de fármacos.

Os sistemas de liberação de fármacos (Drugs delivery system) apresenta grandes vantagens quando comparadas com outros sistemas convencionais, pois permite aperfeiçoar a liberação de um fármaco até seu local de ação, dentre outras vantagens estão: a maior eficácia terapêutica; redução da toxicidade e maior tempo do fármaco na circulação; menor número de dose, o que implica numa maior segurança na administração; aumento da estabilidade do fármaco; o direcionamento a alvos específicos; e a capacidade de incorporação tanto de substâncias hidrofílicas como lipofílicas1.

Nesse sentido, o uso da tecnologia de encapsulamento de ativos (medicamentos, vacinas, perfumes, corantes, etc.) dentro de nanoestrutura está atraindo muita atenção na química, biologia, medicina farmacológica e na comunidade nanotecnologia 2,3. Hoje são conhecidos muitos sistemas carreadores dentre eles os lipossomas e lipossomas furtivos.

Lipossomas

Desde a sua primeira descrição publicada em 1964, o interesse em lipossomas como transportadores de drogas e agentes de entrega cresceu exponencialmente, e eles se tornaram o sistema de entrega de nanopartículas (NP) mais proeminente aprovado para uso na clínica.

Os sistemas de entrega baseados em lipídios também são eficazes como adjuvantes de vacinas por meio de sua capacidade de proteger e entregar antígenos (sistemas de peptídeos, proteínas e ácidos nucleicos) às células apresentadoras de antígenos e estimular respostas imunes protetoras.

lipossomas

O que são os lipossomas?

Os lipossomas são sistemas vesiculares de forma esférica à base de lipídios, nos quais uma bicamada lipofílica é colocada entre duas camadas hidrofílicas, podendo encapsular tanto compostos hidrofílicos (solúveis em água) quanto hidrofóbicos (solúveis em óleo). A versatilidade e as vantagens dos lipossomas como um sistema de entrega de drogas para pequenas moléculas, peptídeos, genes e anticorpos monoclonais são bem estudadas e reconhecidas na literatura científica 4-8. Os lipossomas se enquadram na categoria geral de nanomedicamentos e desempenham um papel fundamental em diversas áreas da saúde e encontraram aplicação no tratamento de pacientes que sofrem de doenças cardiovasculares, doenças neurodegenerativas, diabetes, câncer e inflamação.

Os nanomedicamentos à base de lipídios são usados para

1) proteger os medicamentos da degradação in vivo;

2) controlar a liberação do medicamento;

3) modificar a biodistribuição;

4) direcionar a entrega do medicamento ao local da doença; 5) aumentar a solubilidade e a biodisponibilidade.

Os lipossomas são biocompatíveis e biodegradáveis (por exemplo, em determinados pH e temperatura), que podem ser controlados pela modificação da composição lipídica. Além disso, os lipossomas são passíveis de várias modificações que melhoram sua eficácia como transportadores de drogas. Por exemplo, lipossomas “furtivos” foram fabricados pela adsorção ( a adesão de moléculas de um fluido a uma superfície sólida) de uma camada de polietilenoglicol (PEG) na superfície do lipossoma para “proteger” a nanoparticula da depuração renal, aumentando assim o tempo de circulação 9,10. A adição de PEG também aumenta a hidrofilicidade do lipossoma e a subsequente estabilidade dos lipossomas em armazenamento aquoso.

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Vantagem nas formulações lipossomais

No geral, existem vários benefícios estabelecidos do uso de um encapsulamento lipossomal em comparação com o tratamento com formulações convencionais; entrega particularmente melhorada no local, eficácia e menor toxicidade sistêmica em relação à formulação convencional, que é uma meta típica para a maioria dos novos medicamentos que avançam para ensaios clínicos11. Embora a toxicidade seja normalmente observada em ensaios clínicos, as formulações lipossomais têm um tema comum de redução da toxicidade do medicamento encapsulado11.

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Conclusão

Os lipossomas e os nanomedicamentos à base de lípidos desempenham um papel fundamental nos cuidados de saúde. Sua capacidade de proteger, entregar e direcionar drogas fornece eficácia aprimorada e toxicidade reduzida, que foram exploradas tanto para pequenas moléculas clássicas quanto para entrega de RNA. No entanto, como um medicamento complexo, sua fabricação apresenta desafios com processos multi-lote comumente usados. Isso limita sua aplicação mais ampla e desafia sua aplicabilidade geral, pois complica o desenvolvimento de um processo robusto, escalável e acessível, que pode desafiar a proposta de valor do produto em algumas doenças e regiões.12

 

Referência bibliográfica

1- FELICE, B.; PRABAKARAN, M.P.; RODRÍGUEZ, A.P.; RAMAKRISHNA ,S. Drug delivery vehicles on a nano-engineering perspective. Materials Science anda Engineering C, 33, 588-595, 2014.

2 – YANG, S.; LIU, C.; LIU, W.;YU, H.;ZHENG, H.;ZHOU, W.;HU, Y.International.Journal of Molecular Sciences.14, 19763-19773. 2013. 

3- ZUCKER, D.; MARCUS, D.; BARENHOLZ, Y.; Goldblum, A. Journal of Controlled Release. 139, 73–80. 2009.

4 – R. Dutta, R.I. Mahato, Recent advances in hepatocellular carcinoma therapy, Pharmacol. Ther. 173 (2017) 106–117.

5 – B. Yu, X. Zhao, J.L. Lee, R.J. Lee, Targeted delivery systems for oligonucleotide therapeutics, AAPS J. 11 (2009) 195–203.

6 – H.B. Newton, Advances in strategies to improve drug delivery to brain tumors, Expert. Rev. Neurother. 6 (2006) 1495–1509.

7 – J.O. Eloy, R. Petrilli, L.N.F. Trevizan, M. Chorilli, Immunoliposomes: a review on functionalization strategies and targets for drug delivery, colloids and surfaces, B, Biointer. 159 (2017) 454–467.

8 – V. Agrahari, V. Agrahari, A.K. Mitra, Nanocarrier fabrication and macromolecule drug delivery: challenges and opportunities, Ther. Deliv. 7 (2016) 257–278.

9 – Mufamadi, M.S.; Pillay, V.; Choonara, Y.E.; Du Toit, L.C.; Modi, G.; Naidoo, D.; Ndesendo, V.M.K. A review on composite liposomal technologies for specialized drug delivery. J. Drug Deliv. 2011, 2011, 939851. [CrossRef] [PubMed]

10 – Nag, O.K.; Awasthi, V. Surface engineering of liposomes for stealth behavior. Pharmaceutics 2013, 5, 542–569. [CrossRef] [PubMed]

11 – . Ventola, C.L. Progress in nanomedicine: Approved and investigational nanodrugs. Pharm. Ther. 2017, 42, 742.

12 – Shah S, Dhawan V, Holm R, Nagarsenker MS, Perrie Y. Liposomes: Advancements and innovation in the manufacturing process. Adv Drug Deliv Rev. 2020;154-155:102-122. doi: 10.1016/j.addr.2020.07.002. Epub 2020 Jul 8. PMID: 32650041.

 

LARISSA TULLIO GOUVEIA GONÇALVES

Instagram: larissatullio.nutri

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