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Gengibre e suas diferentes propriedades terapêuticas

O gengibre é reconhecido por possuir várias propriedades farmacológicas, dentre elas, destaca-se o combate a distúrbios gastrointestinais, melhora de náuseas, antimicrobiana, anti-inflamatória, diurética, antipirética, hepatoprotetora, antioxidante, minimização e controle da glicemia e efeito termogênico.

A introdução de produtos naturais tem sido uma alternativa devido aos seus efeitos medicinais observados desde a antiguidade. Os seres humanos vêm utilizando as plantas como aliadas para fins curativos, preventivos, paliativos e no combate de doenças. O seu uso não visa substituir os medicamentos, mas tem um papel importante, sendo uma opção de escolha terapêutica. O gengibre vem sendo utilizado no combate de enfermidades e teve seu reconhecimento na Europa na época das grandes navegações trazido das Índias junto com outras variedades de especiarias.

Referente ao controle da glicemia o gengibre atua no diabetes mellitus (DM) que é uma patologia associada a altas concentrações de glicose no sangue, motivados por defeitos na produção e na secreção de insulina, ou na utilização da mesma. Devido a estas alterações é que ocorrem anormalidades no processo de metabolização de carboidratos, gorduras e proteínas. O diabetes tem como característica principal a hiperglicemia, onde ocorre a falta total ou parcial de insulina ou ainda a resistência do organismo à insulina. A utilização de gengibre em pacientes acometidos por diabetes tem demonstrado efeitos positivos minimizando as complicações associadas a doença, através da redução significativa em níveis séricos de glicose, triglicerídeos e colesterol. A diminuição de níveis séricos de glicose tem relação com uma elevação na atividade de enzimas glicolíticas, melhorando a degradação metabólica da glicose. Shanmugam et al, avaliou a suplementação de gengibre por 30 dias em ratos diabéticos e pode observar atividades hipoglicêmicas e antioxidantes. Essa descoberta sugere o efeito protetor e terapêutico do gengibre no diabetes, ao diminuir o estresse oxidativo e os danos hepáticos e renais causados pela patologia. O gengibre reduz a inflamação e o stress oxidativo, inibindo algumas enzimas que fazem hidrólise de carboidratos, com isso há redução da absorção dos mesmos no intestino, aumentando a sensibilidade à insulina, possibilitando um efeito melhor na glicemia.

O gengibre também tem se destacado como um importante anti inflamatório e um excelente antioxidante devido a sua capacidade de reduzir os radicais livres responsáveis por danos celulares. Destaca-se também pela sua ação termogênica, ou seja, possui capacidade de aumentar a temperatura corporal e acelerar o metabolismo, aumentando a queima de gordura induzindo o metabolismo a trabalhar num ritmo mais acelerado, gastando assim, mais calorias.

O estudo de Bin-Meferij et al., teve como objetivo avaliar o efeito protetor do gengibre contra complicações da obesidade. Foi inserida dieta rica em gorduras em ratos wistar. Os ratos apresentaram aumento significativo nos pesos corporais e de gordura, creatinina, leptina e TNF-α, e diminuição significativa nos antioxidantes totais. No grupo onde foi realizada a administração de gengibre pode observar de forma bem significante a proteção, restaurando os parâmetros alterados, melhorando a lesão renal histopatológica e ultraestrutural induzida pela obesidade. Estes autores puderam concluir que o extrato de gengibre demonstrou suprimir e diminuir os danos induzidos pela dieta rica em gordura.

Em um artigo de revisão realizado por Borges et al., demonstra-se a efetividade da suplementação de gengibre para e redução da náusea aguda na dosagem de 1 g/dia, com o protocolo iniciando 3 dias antes da administração quimioterápica e até 3 dias posteriores, associado ao tratamento antiemético.

Em outro artigo observou-se, o mesmo resultado positivo em relação à náusea aguda, onde foi realizado o emprego precoce do gengibre, e puderam observar a relação da indução da ligação de 5-HT3 com conseqüente estímulo às enzimas de desintoxicação que neutralizam o dano oxidativo aos tecidos causadores desses sintomas gastrointestinais. Além disso, nesse ensaio clínico, observou-se que doses menores de gengibre são mais benéficas do que doses superiores, pois estas podem saturar a base de receptores de mecanismo de ação. Os estudos sobre o gengibre demonstrou um importante componente da dieta podendo ser inserido o seu consumo nas diferentes funções desejadas como antioxidante, prevenção de náuseas, contribuinte na redução da glicemia e no efeito termogênico.

Referências Bibliográficas

Souza. J. P et al., Breve Relato Sobre os Efeitos Terapêuticos do Gengibre (Zingiber officinale Roscoe). Rev Cient da Fac Educ. Ariquemes, v. 10, n. 1, p. 44-53, 2019.

Borges. D. O et al., Benefícios do gengibre no controle da náusea e vômito induzidos pela quimioterapia. Rev Bras Enferm. v. 2, n. 73, p. 1-10, 2020

Hroob. A. M et al., Ginger alleviates hyperglycemia-induced oxidative stress, inflammation and apoptosis and protects rats against diabetic nephropathy. Biomedicine Pharmacotherapy. V. 106, p. 381-389, 2018.

Shanmugam. K. R et al., Protective effect of dietary ginger on antioxidant enzymes and oxidative damage in experimental diabetic rat tissues. Food Chemistry. v. 124, n. 4, p. 1436-1442, 2011.

Bin-Meferijet al.Ginger extract ameliorates renal damage in high fat diet-induced obesity in rats: biochemical and ultrastructural study / El extracto de jengibre mejora el daño renal en la obesidad inducida por la dieta alta en grasas en ratas: estudio bioquímico y ultraestructural. Int. j. morphol .v.2, n. 37, p. 438-447, 2019.

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