Fibras dietéticas podem ser definidas como carboidratos complexos (com número de polimerização maior ou igual a 3, excluindo-se assim os mono e dissacarídeos) que não são digeridos nem absorvidos, no intestino delgado, pelas enzimas humanas.  São encontradas de forma natural nos alimentos, principalmente vegetais, frutas, grãos integrais, sementes, algas e raízes. Podem também ser obtidas por métodos químicos, físicos ou enzimáticos aplicados a material alimentar bruto e, por fim, por meio de carboidratos sintéticos.

Uma das formas de classificação das fibras é sua divisão entre fibras solúveis e insolúveis, de acordo com sua capacidade de solubilização em água quente, o que as diferencia quanto a algumas de suas propriedades fisiológicas. As fibras solúveis (ex. algumas hemiceluloses, pectinas, gomas e betaglucanas), em geral, alteram o tempo de esvaziamento gástrico e de trânsito intestinal, melhorando mecanismos de saciedade e tornando mais lento o tempo de absorção de glicose (pico glicêmico). Por ouro lado, as insolúveis (ex. ligninas, celuloses e algumas hemiceluloses) reduzem o tempo de trânsito intestinal e aumentam a formação de bolo fecal.

Algumas fibras (ex. inulina, pectina, betaglucanas, oligofrutoses e fruto-oligofrutoses – FOS) também possuem a capacidade de estimular o crescimento de microrganismos no cólon intestinal (devido a sua metabolização e posterior formação de lactato e ácidos graxos de cadeia curta, utilizados como substrato energético), especialmente os lactobacilos e as bífidobactérias, sendo assim chamadas de prebióticos. Graças às alterações promovidas na fisiologia da digestão e absorção, bem como por sua atividade como prebióticos, as fibras são incluídas na categoria de alimentos funcionais.

Estudos recentes sugerem que o consumo regular de fibras dietéticas (acima de25 g ao dia) está relacionado ao melhor controle glicêmico em pacientes diabéticos e à redução do risco cardiovascular (diminuição da formação de colesterol). Atuam também aumentando a resistência intestinal diante da colonização por patógenos, melhorando a integridade da parede epitelial intestinal, reduzindo o risco de desenvolvimento de câncer colorretal, favorecendo a absorção de minerais e impactando positivamente o funcionamento do sistema imune.

Referências

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Gropper SS, et al, Advanced Nutrition and Human Metabolism (5th Edition). Wadsworth, Cengage Learning, 2009.

Cozzolino SM. Biodisponibilidade de Nutrientes, 4a Edição. Manole, 2012.