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Economia circular: nada se perde, tudo volta ao ciclo de produção.

Em oposição à economia linear, a economia circular coloca a sustentabilidade no centro dos ciclos de produção e consumo, reduzindo a geração de resíduos e poupando recursos.

Economia circular, é bem provável que esse termo já tenha cruzado seu caminho nos últimos tempos. Mas você sabe o que ele significa e quais seus impactos na forma como produzimos e consumimos no dia a dia? É justamente sobre isso que vamos falar neste post. Vem com a gente conhecer melhor a economia circular e entender por que ela tem tudo a ver com sustentabilidade.

A economia circular e o problema do lixo

A revolução industrial do séc. XVIII gerou um boom de novos produtos e aumentou exponencialmente o volume de resíduos. De lá para cá, a situação só se agravou e hoje o mundo se vê às voltas com uma grande dor de cabeça: que destino dar a todo esse lixo?

Quando falamos de excesso de resíduos, estamos falando de eventos extremos que se tornaram parte de nosso cotidiano. Ilhas de plástico, catadores em condições marginalizadas e imagens de animais marinhos presos em utensílios descartados são apenas algumas das cenas que viraram rotina nas últimas décadas.

A proposta da economia circular é reintroduzir os resíduos na cadeia produtiva e evitar que virem lixo de fato. Assim, materiais podem ser reparados, reutilizados, atualizados ou reinseridos em novos ciclos com a mesma qualidade (ou até superior), ao invés de serem jogados fora. Por exemplo: peças de eletrodomésticos podem ser reprocessadas e reintegradas à cadeia de produção como componentes ou materiais para fabricação de outros produtos similares.

Como surgiu o conceito de economia circular?

O primeiro registro acontece no livro-manifesto Cradle to Cradle (do berço ao berço). Publicada em 2002, a obra une conhecimentos interdisciplinares de engenharia, design e economia em uma proposta para tornar o ciclo de vida dos produtos mais eficiente, prolongado e sustentável.

Os autores chamam o fluxo atual de modelo linear ou economia linear – vigente na quase totalidade da cadeia produtiva e baseado no tripé extrair-produzir-descartar. Trata-se de um modelo em que o crescimento econômico depende do consumo de recursos naturais finitos. Ou seja, além do enorme volume de resíduos prejudiciais para os seres humanos e os ecossistemas, ainda há risco iminente de esgotamento das matérias-primas, a conta não fecha!

O termo economia circular realmente “pegou” quando a ex-velejadora Ellen MacArthur criou a Fundação Ellen MacArthur, em 2010, para promover esse conceito. Desde então, a fundação exerce grande influência em sua difusão entre líderes governamentais, corporações globais e instituições acadêmicas.

Princípios básicos da economia circular

A ideia de uma economia circular vem para nos ajudar a criar novas formas – mais inteligentes – de habitar este planeta, com três princípios básicos:

  • Eliminar resíduos e diminuir a poluição;
  • Manter produtos e materiais em ciclos de uso;
  • Regenerar sistemas naturais.

Segundo a revista Nature, um novo relacionamento com nossos bens e materiais economizaria recursos e energia e criaria mais empregos locais. O uso de recursos pelo tempo mais longo possível pode reduzir as emissões de CO2 de algumas nações em até 70%, e diminuir significativamente os resíduos.

Impactos da economia circular nos negócios

O argumento a favor da economia circular, do ponto de vista dos negócios, é interessante. Análise realizada pela consultoria McKinsey em 2017 estimava que a mudança para um modelo econômico circular poderia incrementar em 1 trilhão de dólares a economia global até 2025 e criar 100 mil novos empregos em um período de cinco anos.

A Visão de Economia Circular 2020 proposta pela Waste & Resources Action Programme indica que a União Europeia pode ter um acréscimo de 90 trilhões de libras em sua balança comercial e criar 160 mil novos empregos, com benefícios especialmente notáveis para o setor industrial, já que é o mais dependente de matéria-prima.

A adoção de uma cadeia produtiva circular pode trazer benefícios às empresas em muitas esferas diferentes. Entre eles, podemos destacar:

  • Redução de custos;
  • Diminuição das emissões de carbono: ao reduzir a quantidade de resíduos gerados por sua atividade, a empresa passa a emitir menos gases do efeito estufa, diretamente ligados ao aquecimento global.
  • Valorização de imagem de marca: ao abraçar uma atuação responsável do ponto de vista ambiental e mais alinhada às tendências, a empresa ganha mais respeito e admiração, especialmente entre gerações mais jovens.
  • Maior competitividade em um mercado em acelerada transformação e movido à inovação.

Mudanças em grande escala

Grandes corporações já estão testando modelos de negócio pautados em princípios circulares, como aluguel, desempenho de produto, remanufatura e ciclo de vida estendido. Dado o grande alcance de suas cadeias de suprimentos globais, essas empresas têm potencial de acelerar mudanças em grande escala. Pequenas e médias empresas também podem abraçar a economia circular, para isso é importante um trabalho de divulgação e orientação nesse sentido. Pesquisa recente realizada na Europa, com cerca de 300 pequenos negócios da Inglaterra, França e Bélgica, mostrou que 50% dos proprietários não conheciam o conceito.

E como fica o consumo na economia circular?

Se produção e consumo são dois lados da mesma moeda, é claro que nossa relação com produtos e serviços passa por uma profunda transformação em um modelo circular. E aí que entra a ideia de favorecer acesso e desempenho ao invés de propriedade. Na prática, isso significa que aumentaria o pagamento por uso (pay per use). Assim como temos contratos de assinatura de planos celulares, por exemplo, teríamos algo parecido com bens que hoje compramos, como máquinas de lavar, roupas e ferramentas. Algumas grandes empresas de eletrodomésticos já têm projetos-piloto de produtos como serviço, focados em usuários ao invés de consumidores.

No Brasil, existem diversas iniciativas que adotam modelos de negócio baseados em economia circular. Separamos algumas delas, que não envolvem grandes corporações, e mostram o potencial desses princípios em diferentes setores.

3 exemplos de negócios brasileiros pautados na economia circular:

  • RoupatecaÉ possível variar os looks sem abarrotar o guarda-roupa de peças que serão usadas poucas vezes e descartadas em seguida. Com uma assinatura mensal, você pode acessar roupas, bolsas, calçados e acessórios.
  • Cataki – Criado em 2017, esse app conecta cooperativas de catadores e coletores individuais a pessoas que precisam descartar resíduos e querem fazer isso do jeito certo.
  • Projeto Compostar – Iniciativa que nasceu em Brasília com o intuito de recolher lixo orgânico das casas para compostagem. Ao fazer uma assinatura, a pessoa recebe um baldinho e uma sacola para separar os resíduos sólidos, que depois são retirados.

Como você pode incentivar a economia circular?

  • Aumente o ciclo de uso dos produtos por meio de manutenção e restauro, para evitar seu descarte.
  • Considere opções como locação e compra de usados.
  • Separe e destine corretamente materiais recicláveis.
  • Evite o uso de descartáveis, prefira utensílios reutilizáveis.

Lembra do bom e velho hábito de primos ou irmãos mais novos herdarem roupas, calçados e brinquedos dos mais velhos? Isso é economia circular pura! O mesmo vale para livros didáticos. Essa prática, além de gerar economia para os pais, beneficia o meio ambiente, promove conscientização entre crianças e adolescentes e ainda pode criar profundas conexões emocionais.

Qual o futuro da economia circular?

A transformação está em andamento e ainda há muita margem para debates, críticas, inovações e pressões sociais. Mas algumas grandes tendências já se desenham:

  • Fortalecimento de políticas públicas mais rígidas para a gestão de resíduos;
  • Crescimento da utilização de refis pelas empresas;
  • Reciclagem de químicos em escala comercial;
  • Responsabilização de setores industriais específicos pelo resíduo gerado. Exemplo: setor de vestuário, com potencial de fomentar novas visões em oposição ao fast fashion;
  • Abolição de produtos tóxicos no sistema produtivo.

Tendências ganham tração e se tornam realidade por meio de pressões efetivas da sociedade. Por isso, a difusão de informação e a conscientização são tão importantes para que mudanças positivas para a sustentabilidade ambiental e social possam acontecer.

Ao compartilhar informações e boas práticas nesse sentido, você exerce um papel fundamental. Que tal fazer essa ideia circular?

Para saber mais:

A animação Economia Circular: Re-pensando o Progresso, produzida pela Fundação Ellen MacArthur, explica os princípios da economia circular de forma leve e superacessível,

 

Referências:

https://fia.com.br/blog/economia-circular/

https://www.ecycle.com.br/economia-circular/

https://ecostandard.org/news_events/circular-economy-six-policy-trends-to-watch-in-2021/

https://www.folhavitoria.com.br/economia/blogs/economia-circular/2020/12/28/o-que-e-economia-circular/

https://www.upcyclebrasil.com.br/como-comecar-projetos-de-economia-circular/

https://marcioeconomiaverde.com/2020/01/02/tendencias-para-a-economia-circular-para-2020-material-da-greenbiz-com/

https://nosdacomunicacao.com.br/economia-circular-o-consumo-sustentavel/

https://www.ellenmacarthurfoundation.org/

https://futurodoplastico.com/avanco-da-economia-circular-na-america-latina/?utm_source=google&utm_medium=psq&utm_content=economia-circular-latam&utm_campaign=brazil

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