Creatina - Ação no Controle Glicêmico | Blog Nutrify

Creatina – Ação no Controle Glicêmico

A creatina é uma molécula que é produzida no corpo, principalmente no fígado, a partir dos  aminoácidos glicina, arginina e metionina, sendo caracterizado por ser um dos suplementos mais bem pesquisados ​​e eficazes1. O fosfato de creatina, também denominada de fosfocreatina, funciona como um reservatório de fosfato, sendo encontrado em grande quantidade nos músculos esqueléticos e no coração. Dentre as fontes alimentares de creatina, destacam-se a carne, aves e peixes, contendo cerca de 4 a 5 gramas por kilo de creatina1.

Apesar de sua grande popularidade e aplicabilidade no meio esportivo, proporcionando aumento da massa muscular magra, força e capacidade de exercício quando usado com exercícios de curta duração e alta intensidade, seu uso no aspecto clínico também é de extrema relevância2.

Dentre as patologias que a suplementação de creatina exerce efeito benéfico, estão: diabetes mellitus tipo 2, miopatias, distúrbios neurodegenerativos, câncer e até mesmo doenças reumáticas2. Vale ressaltar que tanto a curto quanto a longo prazo, a suplementação é segura e bem tolerada em indivíduos saudáveis ​​e em diversas populações de pacientes3.

O Diabetes Mellitus do Tipo 2 (DM2), por sua vez, é uma doença metabólica crônica caracterizada pela resistência à ação da insulina e o defeito na secreção de insulina manifesta-se pela incapacidade de compensar essa resistência4. Modificações no estilo de vida são necessárias para o gerenciamento do diabetes, tanto na questão alimentar quanto na prática de exercício, a fim de conter a progressão e complicações metabólicas comuns relacionadas à doença.

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Impacto da creatina no controle glicêmico

Por muitos anos, o exercício físico foi considerado um dos principais auxiliares no controle do diabetes tipo 2, juntamente com dieta e medicação individualizada7. Dessa forma, estratégias capazes de potencializar o efeito dessas terapêuticas estão sendo cada vez mais estudadas, surgindo a suplementação de creatina como novo candidato no tratamento da diabetes.

Em condições fisiológicas, as células β pancreáticas secretam insulina em resposta à presença de substratos energéticos, a fim de manter a glicemia regulada. Entretanto, na diabetes mellitus tipo 2, observa-se uma falha da função das células β e, consequentemente, um declínio progressivo na secreção de insulina além da translocação de GLUT-4 abaixo do ideal5, fato o qual deve ser levado em consideração já que o aumento da expressão e atividade de GLUT4 é indicativo de uma maior capacidade de trazer glicose para dentro de uma célula e regulação da glicêmica1.

Dentre as possibilidades da relação da creatina com a melhora do controle glicêmico estão o aumento da secreção de insulina induzida pela creatina, alterações na osmorregulação induzidas pela creatina e o aumento da captação de glicose induzida pela creatina por meio de um aumento do transportador GLUT-4 e/ou translocação do mesmo5.

Além disso, já é conhecido que o treinamento físico tem efeitos sinérgicos à creatina, dessa forma, supõe-se que a combinação de ambos pode ser responsável pela promoção de maiores benefícios no contexto do controle glicêmico5.

Apesar de existir diversas formas diferentes de creatina disponíveis no mercado, a creatina monohidratada é a opção mais barata e eficiente1. Esta, por sua vez, pode ser suplementada através de dois protocolos distintos: o de saturação e o de manutenção.

No protocolo de saturação, a recomendação é de 0,3 gramas por quilograma de peso corporal por dia por 5 a 7 dias, depois siga com pelo menos 0,03 g/kg/dia por três semanas. Para evitar diarréia e náusea, fato que pode ocorrer quando muita creatina é suplementada de uma só vez, é necessário que doses menores devem ser distribuídas ao longo do dia e tomadas com as refeições. Já na manutenção, a dose recomendada é de 3 a 5g por kilo de peso diariamente1.

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Considerações finais

Como supracitado, além da melhora no desempenho esportivo, já muito bem elucidado pela ciência, a aplicação da creatina do ponto de vista clínico é de extrema relevância, podendo ser uma grande aliada no tratamento de uma ampla gama de doenças.

Como a suplementação vem sendo estudada desde a década de 1990, existindo milhares de estudos publicados a curto e longo prazo7, é uma solução segura, eficaz e acessível, podendo beneficiar uma imensa amplitude de pessoas, desde a infância até a velhice, com ou sem tratamento médico.

A suplementação de creatina promoveu o potencial de promover alterações no metabolismo da glicose que podem favorecer um perfil metabólico mais saudável e, aliado ao treinamento físico, o efeito torna-se ainda maior pois a creatina parece melhorar as adaptações do treinamento7.

Referências bibliográficas

  1. https://examine.com/supplements/creatine/
  2. Gualano, B., Roschel, H., Lancha-Jr., AH et ai. Na doença e na saúde: a ampla aplicação da suplementação de creatina. Aminoácidos 43, 519-529 (2012).
  3. Hall M, Manetta E, Tupper K. Creatine Supplementation: An Update. Curr Sports Med Rep. 2021;20(7):338-344.
  4. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diabetes_mellitus.PDF
  5. Solis MY, Artioli GG, Gualano B. Potencial da Creatina no Controle da Glicose e Diabetes. Nutrientes . 2021; 13(2):570.
  6. Kreider, R.B.; Kalman, D.S.; Antonio, J. et al. International Society of Sports Nutrition position stand: safety and efficacy of creatine supplementation in exercise, sport, and medicine. J Int Soc Sports Nutr, 14, 18 (2017).
  7. GUALANO, BRUNO, et. al. Creatina no Diabetes Tipo 2, Medicina & Ciência no Esporte & Exercício: Maio de 2011 – Volume 43 – Edição 5 – p 770-778

Gabriela Motta

@nutrigabrielamotta

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