As fibras têm posição de destaque na saúde, devido a inúmeros estudos científicos que demonstram a ação benéfica desses nutrientes no organismo e a relação entre o seu consumo e a prevenção de doenças.

Um dado preocupante, quando se analisa o hábito alimentar da população brasileira, é que, em geral, verifica-se uma baixa ingestão de alimentos fontes de fibras, principalmente nos grandes centros urbanos, cujo estilo de vida contribui para o maior consumo de produtos refinados, menor frequência de alimentos naturais na dieta e a substituição de refeições caseiras por lanches rápidos, na maioria das vezes gordurosos e pobre em fibras.

Fibras dietéticas são polímeros de carboidratos de origem vegetal encontrados naturalmente em uma alimentação variada e rica em grãos, frutas, legumes e vegetais. São classificadas como alimentos funcionais devido as suas propriedades de ação na fisiologia humana. Tais propriedades estão relacionadas com melhoria de tempo de trânsito intestinal, aumento do volume fecal e estimulação de crescimento de bactérias colônicas benéficas (por exemplo: lactobacilos e bifidobactérias). O consumo regular em quantidades adequadas está associado à melhora do controle da glicemia, melhora do perfil lipídico, redução do risco cardiovascular, melhora do sistema imunológico e, redução do risco de aparecimento de câncer intestinal.¹

As fibras são compostos de origem vegetal constituídos principalmente de polissacarídeos e substâncias associadas que, ao serem ingeridas não sofrem hidrólise pelas enzimas digestivas dos humanos.

Tipos de fibras e classificação quanto a sua solubilidade

Fibras solúveis:

As fibras solúveis dissolvem-se em água, formando géis viscosos. Não são digeridas no intestino delgado e são facilmente fermentadas pela microflora do intestino grosso. São solúveis as pectinas, as gomas, a inulina e algumas hemiceluloses.

A fração solúvel das fibras traz benefícios à saúde, porque apresentam efeito metabólico no trato gastrintestinal, retardam o esvaziamento gástrico e o tempo do trânsito intestinal, diminuem a absorção de glicose e colesterol.

Fibras insolúveis:

Por não serem solúveis em água, não formam géis e sua fermentação é bem limitada; aumentam o bolo fecal, aceleram o tempo de trânsito intestinal, melhorando a constipação intestinal, anulando o risco de aparecimento de hemorroidas e diverticulites (inflamação da parede do intestino).

Para prevenir o déficit de fibras é importante uma alimentação variada e equilibrada, que contenha farelos, aveia, frutas, nozes, verduras, legumes, grãos e pão integral nas refeições. De acordo com estratégias nutricionais ou restrições alimentares, pode ser necessário suplementar a dieta. É fundamental escolher a formulação ideal, atentando-se às matérias primas utilizadas.

Referências bibliográficas:

1. Câmara, Lucas Caseri. Fibras e Saúde / Lucas Caseri Câmara – 1a edição. 2018
2. Anderson JW, Baird P, Davis RH Jr, Ferreri S, Knudtson M, Koraym A, et al. Health benefits of dietary fiber. Nutr Rev. 2009;67(4):188- 205.
3.Thomas et al (2007). Cochrane Database of Systematic Reviews, 18(3).
4. Scott KP, Duncan SH, Flint HJ. Dietary fibre and the gut microbiota. Nutrition Bulletin. 2008;33