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Conheça mais sobre o Red Própolis

A própolis é uma mistura resinosa complexa coletada por abelhas Apis mellifera ou espécies de abelhas sem ferrão de brotos de folhas, cascas de árvores e exsudatos de várias fontes vegetais [1,2]. A sua variabilidade se deve às fontes vegetais de onde as abelhas colhem as resinas o que o diferencia de outros produtos naturais derivados de plantas medicinais. Devido a característica resinosa as abelhas utilizam a própolis na montagem e reparo de suas colmeias ou como barreiras protetoras contra invasores externos, isolamento térmico, umidade e vento. A própolis já é muito difundida na humanidade desde a antiguidade, com relatos de aproximadamente 300 a.C, a sua utilização era em rituais de mumificação, medicina e, mais recentemente na indústria alimentícia, cosméticos, bebidas, dentre outros.

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Além das propriedades farmacológicas de interesse clínico (antimicrobiana, anti-inflamatória, antioxidante, antiproliferativa, entre outras), a própolis em geral também é considerada um alimento funcional, pois os constituintes biologicamente ativos em seu extrato têm sido documentados como benéficos à saúde [3]. Os benefícios nutracêuticos e biológicos da própolis têm sido amplamente explorados em diversas áreas da medicina como um importante recurso na prevenção, manejo e tratamento de doenças bucais e sistêmicas.

Com base nas propriedades físico-químicas (cor, textura, composição química) e origem geográfica, a própolis brasileira costumava ser classificada em 12 tipos [1]. Em 2007, a 13ªtipo de própolis foi relatada na literatura como a própolis brasileira vermelha, devido à sua cor vermelha intensa [4]. A própolis vermelha também foi encontrada em outros países como Cuba [5], Venezuela [6] e México [7], porém com peculiaridades nas propriedades químicas e biológicas. Atenção especial foi dada a própolis brasileira vermelha devido ao potencial de descoberta de moléculas bioativas até então desconhecidas na literatura química.

A própolis brasileira vermelha pode ser encontrado em colméias localizadas no caule de manguezais e costas marítimas e fluviais nos estados de Alagoas, Paraíba, Pernambuco, Sergipe e Bahia, localizados no nordeste do Brasil [5]. A própolis vermelha de Alagoas obteve recentemente a Indicação Geográfica (IG) do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Este estado foi certificado internacionalmente como o único produtor mundial deste tipo de própolis [8].

Atividade antibacteriana e antifúngica

A atividade antibacteriana da própolis vermelha brasileira foi investigada por Trusheva et al. (2006) [9] contra diferentes cepas bacterianas (Staphylococcus aureus, Escherichia coli e Candida albicans). Os resultados demonstraram que componentes como isoflavonóides são eficientes na inibição da bactéria, principalmente contra C. albicans. O mesmo autor identificou que a benzofenona prenilada tem importante atividade contra S. aureus.

Segundo Dantas Silva et al. (2017) [10], a própolis vermelha apresentou a maior atividade antimicrobiana entre as amostras obtidas pelos métodos de extração etanólica e supercrítica. O extrato vermelho etanólico apresentou a maior atividade antimicrobiana contra Enterococcus sp., Staphylococcus aureus e Klebsiella sp.

Bueono-Silva et al. (2013) [11], analisando a própolis vermelha brasileira afirma que a maior atividade antibacteriana é registrada durante a estação chuvosa (de janeiro a maio no Brasil), e neste período é registrada a maior concentração de vestitol, neovestitol e isoliquiritigenina, também.

Machado et ai. (2016) [12] testaram os extratos etanólicos de própolis verde e vermelha contra duas cepas de Staphylococcus aureus (ATCC 33951 e 25923) e Escherichia coli. Considerando as melhores atividades antioxidantes e o maior teor de ácidos fenólicos totais e flavonóides, esperava-se que a atividade antimicrobiana fosse em níveis elevados. No entanto, foi identificada uma correlação negativa entre a concentração de fenólicos nos extratos e a CIM de Concentração Inibitória Mínima. Os extratos obtidos das amostras de própolis vermelha apresentaram as melhores atividades antimicrobianas

Atividade anti-inflamatória e efeito de cicatrização de feridas

Vestinol e neovestinol são dois compostos isoflavonóides envolvidos nas propriedades anti-inflamatórias e imunomoduladoras da própolis vermelha. Usando o ensaio de migração de neutrófilos, os autores mostraram que esses compostos inibiam a migração de neutrófilos na dose de 10 mg/kg.

Mecanismos moleculares específicos por trás do efeito anti-inflamatório da própolis vermelha foram demonstrados [13]. Os autores afirmaram que os tratamentos com extratos de própolis vermelha, ricos em compostos polifenólicos, reduziram as áreas de lesão em camundongos, assim como a infiltração de neutrófilos (através da redução da quimiotaxia de neutrófilos), expressão do principal fator inflamatório transcricional (NF-kB) , e a síntese de mediadores inflamatórios. Usando 12 camundongos Swiss machos de dois meses de idade, uma dose diária de 100mg/kg de extrato de própolis vermelha foi aplicada na ferida excisional de espessura total. Análises histológicas foram realizadas para estimar a densidade de células inflamatórias e contagem de vasos sanguíneos nos tecidos de granulação; além disso, os níveis plasmáticos de TGF-β, IL-13, TNF-α, IL-6 foram medidos com ensaio ELISA. Oito dias após as lesões, o grupo tratado apresentou melhor cicatrização; o processo de fechamento da ferida foi melhorado nos camundongos tratados, com quantidade semelhante de fibroblastos; o grupo tratado apresentou níveis mais baixos de IL-6 e TNF-α.

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Aplicação odontológica

A aplicação odontológica da própolis é praticada atualmente em muitos países e é posteriormente a área mais bem documentada cientificamente, devido ao seu uso em diferentes especialidades odontológicas, incluindo periodontia, patologia da mucosa oral, cirurgia oral, ortodontia e prótese [14,15,16].

Efeitos anti-inflamatórios e imunomoduladores

As propriedades anti-inflamatórias da própolis e seus derivados têm sido estudadas em diferentes modelos de inflamação aguda e crônica [17,18], mas pouco se sabe sobre a própolis brasileira vermelha. Os flavonóides, os principais compostos da própolis brasileira vermelha e outros tipos de própolis, têm reconhecida atividade antiinflamatória [19, 20]. No entanto, as propriedades biológicas da própolis não devem ser consideradas apenas como um efeito sinérgico dos diversos compostos, sugerindo a necessidade de isolamento e identificação dos constituintes bioativos responsáveis pelos efeitos observados [21].

A própolis vermelha de Alagoas foi testada quanto à sua capacidade de inibir a migração de neutrófilos para a cavidade peritoneal de camundongos após a indução de inflamação com carragenina em modelo experimental. Os compostos EEP, vestitol e neovestitol administrados por via subcutânea (dose de 10 mg/kg) inibiram significativamente a migração de neutrófilos em níveis semelhantes aos da dexametasona, como visto por microscopia intravital em tempo real [22]. Recentemente, descobriu-se também que o vestitol e o neovestitol podem diminuir a migração e adesão de leucócitos no processo inflamatório [23].

Atividade antiproliferativa

Os principais mecanismos antiproliferativos da própolis brasileira vermelha (e da própolis em geral) e seus compostos isolados incluem parada do ciclo celular, indução de apoptose via caspase-3, inibição da proliferação celular por vias metabólicas e inibição do desenvolvimento tumoral e angiogênese.

A atividade in vitro dos extratos etanólicos da própolis brasileira vermelha e verde foi testada nas células tumorais B16F10 [25], avaliando o efeito antiproliferativo. A concentração dos extratos foi de 50 e 100 μg/mL, respectivamente, e a proliferação celular foi medida após 24 e 48 h. Em ambas as determinações, todos os extratos apresentaram inibição significativa da proliferação celular; os melhores resultados foram apresentados pelos extratos derivados da própolis vermelha do nordeste.

Conclusão

Do ponto de vista químico, a própolis é o principal produto apícola complexo; sua composição química é diretamente influenciada pela origem vegetal das resinas, alguns estudos demonstraram uma similaridade qualitativa de composição entre elas. Os principais estudos concordam que as amostras de própolis apresentaram diferenças significativas entre si, de acordo com sua origem.

A grande diversidade de própolis brasileira, sendo os tipos mais conhecidos e valiosos os vermelhos e verdes; não só a grande biodiversidade brasileira é a causa da variabilidade entre as amostras, mas sua composição química diferente resulta em uma expressão diferente de suas atividades biológicas. Independentemente de sua origem, a própolis continua sendo uma importante matriz para novos estudos no domínio biomédico, pois demonstrou efeitos antioxidantes, antibacterianos, antifúngicos, antivirais, antiparasitários e antitumorais significativos. A ligação entre resinas vegetais, exsudatos e própolis foi totalmente demonstrada, todos os estudos mostraram a maior atividade das amostras de própolis em relação aos extratos vegetais, devido aos diversos componentes adicionados pelas abelhas para produzir o produto final (própolis). [27]

Referências

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2 – Silva, B. B., Rosalen, P. L., Cury, J. A., Masaharu, I., Souza, V. C., Esteves, A., & Alencar, S. M. (2008). Chemical composition and botanical origin of red propolis, a new type of Brazilian Propolis. Evidence-Based Complementary Alternative Medicine, 5, 313-316.

3 – Medić-Šarić, M., Rastija, V., Bojić, M., & Maleš, Ž. (2009). From functional food to medicinal product: Systematic approach in analysis of polyphenolics from propolis and wine. Nutrition Journal, 8, 33. doi:10.1186/1475-2891-8-33

4 – Alencar, S. M., Oldoni, T. L. C., Castro, M. L., Cabral, I. S. R., Costa-Neto, C. M., Cury, J. A., Rosalen, P. L., & Ikegaki, M. (2007). Chemical composition and biological activity of a new type of Brazilian propolis: Red propolis. Journal of Ethnopharmacology, 113, 278– 283.

5 – Piccinelli, A. L., Lotti, C., Campone, L., Cuesta-Rubio, O., Campo Fernandez, M., & Rastrelli, L. (2011). Cuban and Brazilian red propolis: Botanical origin and comparative analysis by high-performance liquid chromatography-photodiode array detection/electrospray ionization tandem mass spectrometry. Journal of Agriculture and Food Chemistry, 59, 6484–6491.

6 – Trusheva, B., Popova, M., Naydenski, H., Tsvetkova, I., Rodriguez, J. G., & Bankova, V. (2004). New polyisoprenylated benzophenones from Venezuelan propolis. Fitoterapia, 75, 683–689.

7 – Lotti, C., Campo Fernandez, M., Piccinelli, A. L., Cuesta-Rubio, O., Marquez Hernandez, I., & Rastrelli, L. (2010). Chemical constituents of red Mexican propolis. Journal of Agriculture and Food Chemistry, 58, 2209–2213.

8 –  SEBRAE. (2012). Origem garantida. Empreender, Globo Rural, 323, 1–3

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14 – Park, Y. K., Alencar, S. M., & Aguiar, C. L. (2002). Botanical origin and chemical composition of Brazilian propolis. Journal of Agricultural and Food Chemistry, 50, 2502– 2506.

15 – Silva, B. B., Rosalen, P. L., Cury, J. A., Masaharu, I., Souza, V. C., Esteves, A., & Alencar, S. M. (2008). Chemical composition and botanical origin of red propolis, a new type of Brazilian Propolis. Evidence-Based Complementary Alternative Medicine, 5, 313-316. doi:10.1093/ecam/nem059.

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25 – Machado, B.A.S.; Silva, R.P.D.; Barreto, G.dA.; Costa, S.S.; Silva, D.F.; Brandão, H.N.; Carneiro da Rocha, J.L.; Dellagostin, O.A.; Pegas Henriques, J.A.; Umsza-Guez, M.A.; et al. Chemical Composition and Biological Activity of Extracts Obtained by Supercritical Extraction and Ethanolic Extraction of Brown, Green and Red Propolis Derived from Different Geographic Regions in Brazil. PLoS ONE 2016, 11, e0145954.

26 – Kimoto, T.; Aga, M.; Hino, K.; Koya-Miyata, S.; Yamamoto, Y.; Micallef, M.J.; Hanaya, T.; Arai, S.; Ikeda, M.; Kurimoto, M. Apoptosis of human leukemia cells induced by Artepillin C, an active ingredient of Brazilian propolis. Anticancer Res. 2001, 21, 221–228.

27 – Moise, A.R.; Bobiş, O. Baccharis dracunculifolia and Dalbergia ecastophyllum, Main Plant Sources for Bioactive Properties in Green and Red Brazilian Propolis. Plants 2020, 9, 1619. https://doi.org/10.3390/plants9111619

Larissa Tullio

@Larissatullio.nutri

Pós Graduada em Nutrição Clínica Integrativa

Pós Graduanda em Nutrição Esportiva e Est

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