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Conheça mais sobre o Jejum Intermitente

O jejum intermitente pode ser definido como um processo de abstinência de alimentos por períodos de duração que podem variar, podendo ser aplicado como um hábito alimentar no contexto de um padrão dietético de promoção a saúde.

Há vários métodos para realização do jejum intermitente, que se baseiam em ficar algumas horas sem se alimentar podendo ser realizado alguns dias da semana duas, três vezes na semana por exemplo, podendo o jejum ser, normalmente, de 8, 12, 16 ou 20 horas no dia.

Embora uma prática antiga, por hábito ou religião, essa estratégia tem levado pesquisadores a tentar elucidar os efeitos da aplicação do jejum intermitente no organismo, o que tem atraído uma recente atenção, devido a estudos experimentais onde os indivíduos são submetidos a diferentes períodos de jejum para verificar, por exemplo, quais são os efeitos do jejum intermitente nas anormalidades metabólicas, como: obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares.

Um modelo natural para estudar o jejum intermitente em humanos, o Ramadã é um mês sagrado no calendário islâmico, no qual os muçulmanos praticam o jejum por aproximadamente 12 horas. Vários estudiosos buscaram avaliar os efeitos do jejum intermitente no metabolismo. Aksungar avaliou a saúde cardiovascular em indivíduos muçulmanos durante o Ramadã, com ênfase especial em coagulação. Os resultados mostraram melhorias no perfil de lipídios, com aumento dos níveis de colesterol HDL e diminuição nos valores do fator de risco, durante o jejum e 20 dias depois níveis diminuídos de D-dimmer e homocisteína reduzida, o que se traduz em um perfil de coagulação melhor.

Em outro estudo Wan et al, avaliou a resposta ao estresse cardiovascular em ratos Wistar machos submetidos a jejum intermitente e descobriu que os ratos apresentaram rápido retorno aos valores basais da pressão arterial e freqüência cardíaca após indução cardiovascular ao estresse, e não apresentou alterações nos níveis plasmáticos de biomarcadores de estresse, como hormônio adrenocorticotrópico e corticosterona. Kerndt et al, investigou os efeitos metabólicos de longo prazo do jejum em seres humanos submetidos a um regime de jejum completo de 36 dias. Eles notaram uma diminuição significativa da pressão arterial, atingindo significância no 33º dia. Mudanças no combustível metabólico foram observadas logo após o jejum. Os níveis de glicose plasmática caíram imediatamente no início dos estudos e manteve-se baixo durante todo o período de jejum, e a lipólise e a cetogênese aumentaram esses efeitos que parecem ter papel fundamental na redução do risco de diabetes tipo 2.

Carlson et al. submeteram voluntários humanos saudáveis ao jejum e as amostras de sangue coletadas puderam observar uma diminuição na glicose plasmática por 30% e na insulina em 50%; um aumento significativo na extensão de lipólise e oxidação de gordura; e aumento moderado no proteólise de extensão e oxidação de proteínas. Este aumento da oxidação da gordura fornece o substrato para a gliconeogênese e compensa o declínio na oxidação de carboidratos e glicogenólise, confirmando assim uma troca de combustíveis metabólicos.

O’Keefe, et al relata que a dieta do mediterrâneo é considerada benéfica para o organismo e um jejum com associação de restrição alimentar de 8 a 12 horas com ênfase no consumo de peixes, frutos do mar como principal fontes protéicas é considerada uma dieta cardiopretotora. Após o jejum os níveis de insulina abaixam e os estoques de glicogênio reduzem, e o corpo começa a mobilizar ácidos graxos das células adiposas para queimar como combustível, e isso promove a melhora a resposta a insulina, além desses fatores o jejum está associado a redução na pressão sanguínea e a freqüência cardíaca no repouso atuando como cardioprotetor.

Um estudo realizado na Universidade de Adelaide na Austrália por Teong. et al, avaliou o jejum intermitente que consistia em 20 horas de jejum por 3 dias consecutivos. Observou-se melhora na glicemia, redução do peso corporal e da massa gorda ao longo de 3 a 12 semanas, contribuindo na melhora dos quadros de diabetes do tipo 2.

O jejum intermitente pode ser contra indicado a gestantes e pessoas com histórico de distúrbios alimentares, podendo agravar quadros de compulsão alimentar. É fundamental que o indivíduo seja orientado por médico e nutricionista, profissionais que poderão verificar as alterações glicêmicas, hormonais e comportamentais. Sem uma excelente orientação nutricional, o indivíduo poderá cometer erros na dieta, como excesso de calorias no período alimentado, consumo excessivo de açúcares e gorduras, dieta desbalanceada, entre outros, o que comprometeria qualquer benefício que poderia surgir proveniente do jejum.

Levando em consideração esses dados, o jejum intermitente pode ser uma estratégia com potenciais mecanismos para redução de peso corporal, reparos a nível celular, otimização funcional, mas há necessidade de mais estudos a longo prazo para verificar os benefícios do jejum intermitente na prevenção das doenças associadas às comorbidades. Entre outras, o jejum pode ser uma estratégia, desde que associado a mudanças no estilo de vida, incluindo adequação da dieta e aumento da atividade física, que continuam sendo a primeira linha de terapia nos esforços para combater obesidade e doenças metabólicas.

Referências Bibliográficas

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