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Conheça mais sobre a dieta cetogênica

A dieta cetogênica é caracterizada por ser uma dieta não farmacológica, rica em gorduras, pobre em carboidratos e quantidades normais de proteínas.

Essa dieta tem como objetivo reduzir os níveis de glicose e promover a mobilização dos ácidos graxos nos tecidos a fim de gerar energia. Essa metabolização ocorre no fígado onde passa a produzir corpos cetônicos através da mitocôndria pela enzima acetil-CoA, quebrando assim a gordura e transformando-a em energia para o organismo. Após a sua formação no tecido hepático, os corpos cetônicos são exportados para outras partes do corpo, tais como músculo, cérebro e córtex renal.

Os alimentos que devem ser evitados nesta dieta são: arroz, trigo, centeio, aveia, cevada, quinoa, massas, cereais, legumes em geral, especialmente os ricos em amido, frutas com alto teor de carboidratos, frutas secas, bananas, maçãs, laranjas, laticínios com baixo teor de gordura, gorduras e óleos refinados ou óleo vegetal, açúcar e álcool. Já os permitidos podem–se destacar as carnes bovinas, suínas, aves, peixes, ovos, queijos, azeite de oliva, óleo de coco, vegetais sem amido, como as saladas com folhas verdes.

Antes de iniciar a dieta cetogênica é muito importante realizar um estudo individualizado e analisar possíveis patologias existentes. As avaliações laboratorial e nutricional contribuem para verificar as contra indicações dessa dieta, e avaliar possíveis fatores que possam dificultar seu sucesso. A dieta pode apresentar alguns efeitos colaterais como a hipoglicemia, tontura, obstipação, recusa alimentar, litíase renal, hipercolesterolemia, hipertrigliceridemia e atraso de crescimento em crianças quando não suplementadas. Esses são alguns dos efeitos colaterais que podem ser observados na introdução da dieta quando o acompanhamento e o estudo individualizado não são realizados adequadamente. No entanto um bom plano alimentar e acompanhamento próximo ao paciente auxilia na melhora da adesão à dieta e menor risco de complicações.

A dieta cetogênica não é uma dieta equilibrada principalmente em micronutrientes e vitaminas. Os grandes fornecedores de vitaminas e minerais, como as frutas, legumes, cereais, bem como os alimentos ricos em cálcio, são exemplos de alimentos com menor representação nesta dieta. Por essa razão, é essencial a suplementação de vitaminas do complexo B, cálcio e vitamina D. Os suplementos vitamínicos e minerais também são importantes para não haver déficit de micronutrientes, esses suplementos não devem conter os hidratos de carbono, com o objetivo de manter o estado de cetose.  Por esse motivo recorre-se a suplemento polivitamínico com minerais, de forma a cobrir todas as necessidades em micronutrientes.

Um estudo realizado por Mohorko et al, teve como objetivo avaliar a perda de peso, desempenho físico, função cognitiva e comportamentos alimentares da dieta cetogênica por 12 semanas em adultos obesos. O resultado foi positivo podendo observar perda de peso, melhor controle na ingestão alimentar por fatores emocionais, melhora no desempenho físico, queda nos níveis de glicose. Os resultados do estudo comprovaram uma melhora nos aspectos citados, porém mais estudos em longo prazo são necessários para avaliar os efeitos da dieta no metabolismo.

É importante destacar que a prevenção e o tratamento da obesidade são baseados em mudanças no estilo de vida envolvendo hábitos alimentares, atividade física e terapia comportamental. Vários padrões dietéticos têm sido usados como estratégias nutricionais e algumas pessoas respondem bem a estratégia adotada, o profissional que acompanha tem que estar muito atento aos benefícios e efeitos da dieta. A dieta cetogênica tem demonstrado em diferentes estudos benefícios em relação a rápida perda de peso e resulta nas melhorias no índice de massa corporal, circunferência da cintura e redução da massa gorda preservando a massa corporal magra e a taxa metabólica de repouso, esse padrão alimentar reduz o desejo de comer com freqüência,  contribuindo para o aumento da saciedade. Muitas pessoas apresentam dificuldade na adesão a dieta devido ao desejo de comer com frequência. Há indícios de que essa dieta reduz a vontade compulsória em consumir alimentos com freqüência e também pela ingestão de doces em comparação com outras dietas, minimizando os impulsos por carboidratos e amidos, e a sensação de fome torna-se menos incômoda. Os corpos cetônicos também apresentam fator protetor devido a sua capacidade na ação antioxidante, reduzindo a morte celular, e eliminando os radicais livres promovendo um efeito protetor ao DNA. Os corpos cetônicos também conseguem ativar o PPAR-gama, uma molécula anti-inflamatória, que diminui a formação de radicais livres, resultando em menor inflamação nos tecidos.

A dieta cetogênica também está sendo correlacionada a melhora dos quadros de Alzheimer, uma condição neurodegenerativa crônica que está aumentando, e muitos estudos associados a tratamentos e prevenção estão sendo realizados. Uma das hipóteses que justificam a patologia inclui as placas amilóides, que se acumulam no cérebro das pessoas com doença de Alzheimer e o metabolismo da glicose, que fica prejudicado e há morte celular neuronal. Novas evidências tem sugerido que uma dieta cetogênica com baixo teor de carboidratos e alto teor de gordura pode ajudar nos danos associados a essas patologias, reduzindo o acumulo de placas amilóides, aliviando os efeitos da glicose, fornecendo os corpos cetônicos como fonte de energia.

Estudos têm demonstrado efeitos benéficos no uso da dieta cetogênica também na perda de peso, controle do apetite, bipolaridade entre outras, porém mais estudos são necessários para elucidar os efeitos da ação da dieta a longo prazo. O acompanhamento de um profissional habilitado nesta dieta é muito importante para alcançar a individualidade nos beneficios com a terapia desejada.

Referências Bibliográficas

Vasconcelos. C, Rola. M. Dieta Cetogénica – Abordagem Nutricional. Revista Nuyticias.v. 22, p.16-19, 2014.

Mohorko, N et al. Weight loss, improved physical performance, cognitive function, eating behavior, and metabolicprofile in a 12-week ketogenic diet in obese adults. Nutrition Researh. v. 62, p. 64–77, 2019.

Rosa. C. D, Very low calorie ketogenic diets in overweight and obesity treatment:Effects on anthropometric parameters, body composition, satiety,lipid profile and microbiota. Obesity Research & Clinical Practice. p.3-13, 2020.

Broom. G. M et al.The ketogenic diet as a potential treatment and prevention strategy for Alzheimer’s disease. Nutrition.  v. .60, p. 118-121, 2019. 

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