Coenzima Q10 | Blog Nutrify

Aplicações para a Coenzima Q10

A Coenzima Q10, também conhecida como CoQ10, é um composto denominado como pseudovitamínico, termo usado para referir-se a qualquer molécula que não seja uma vitamina ou mineral essencial, mas que seja igualmente vital no corpo1.

Em 1940, a coenzima Q10 foi identificada pela primeira vez, a qual é encontrada na maioria dos organismos aeróbicos de bactérias a mamíferos, sendo essencial para quase todos os tecidos e órgãos do indivíduo, visto que esta funciona como uma molécula de transferência de energia. Sendo assim, a CoQ10, que tem propriedades antioxidantes, auxilia na regulação das espécies reativas de oxigênio e redução do estresse oxidativo, o qual é conhecido por desempenhar um papel na fadiga crônica1,2.

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Devido ao seu envolvimento na síntese de ATP, a CoQ10 afeta a função de todas as células do corpo, especialmente aquelas com alta demanda energética, tornando-a essencial para a saúde de todos os tecidos e órgãos. CoQ 10 é o nosso único antioxidante lipossolúvel sintetizado endogenamente e previne eficientemente a oxidação de proteínas, lipídios e DNA. O papel fundamental da CoQ10 na bioenergética mitocondrial e suas reconhecidas propriedades antioxidantes constituem a base para suas aplicações clínicas, embora alguns de seus efeitos possam estar relacionados a um mecanismo de indução gênica. Hoje, várias outras funções importantes também estão associadas a esse lipídio3.

Além dos suplementos, a coenzima Q10 pode ser encontrada em alguns alimentos como por exemplo: cereais, nozes, carnes, aves, peixes, entre outros. Sabendo-se que esta quinona é essencial, em alguns casos de problemas na saúde do indivíduo, a suplementação de coenzima Q10 torna-se essencial e necessária1.

Impacto na saúde

Dislipidemia e drogas estatinas

Dentre os principais fatores que colaboram para o crescente número de óbitos no Brasil e no mundo. Estudos ressaltam a importância do equilíbrio do metabolismo lipídico na prevenção de placas de ateroma e outras alterações que comprometem o sistema cardiovascular4.

As estatinas, por sua vez, são medicamentos utilizados no tratamento de dislipidemias, visto que são capazes de inibir a enzima 3-hidroxi-3-metil-glutaril-CoA redutase (HMG-CoA redutase), a qual é responsável na produção do colesterol. Esta mesma enzima, também é responsável pela síntese da CoQ10, sendo assim, supõe-se que a biossíntese tanto do colesterol quanto da CoQ10, seja afetada com esse tratamento medicamentoso5.

Grande parte dos usuários de estatinas e/ou deficientes em CoQ10 apresentam efeitos colaterais, como: fadiga, dispneia, perda   de   memória, neuropatia   periférica;   disfunção   ventricular,   endotelial   e mitocondrial; performance física, hepatotoxicidade, atividade de enzimas antioxidantes e níveis de marcadores inflamatórios.  Devido a esse cenário, a suplementação torna-se de grande valia, tendo seus benefícios evidenciados a partir de 30 dias de suplementação.

Hipertensão

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) fundamenta-se em pressão arterial insistentemente aumentada, ou seja, no aumento da força nas paredes das artérias7. É uma condição caracterizada por disfunção endotelial, um fenômeno que, apesar de discutido se primário ou secundário à HAS, tem uma importância fundamental na sua gênese e manutenção, e é acompanhada de mudanças estruturais (hipertrofia da parede arterial e aumento da razão parede/lúmen) e funcionais (síntese e liberação de fatores vasoativos) do sistema vascular em resposta a mudanças nas condições hemodinâmicas7.

O sintoma mais frequente e específico do indivíduo hipertenso é a cefaleia, sendo mais característica a que ocorre no início da manhã e vai desaparecendo ao longo do dia. Outros sinais como sonolência, confusão mental, distúrbio visual, náusea, vômito, epistaxe (sangramento nasal), escotomas cintilantes, zumbidos e fadigas também podem ser decorrentes da hipertensão arterial sistêmica8.

Na disfunção endotelial da HAS, o papel central reside no impedimento do vaso-relaxamento causado pela menor bioatividade de óxido nítrico (NO) na parede vascular, devido, inclusive, ao estresse oxidativo, que, como citado, resulta do desequilíbrio entre os sistemas antioxidante e pró-oxidante, prevalecendo a ação deletéria de espécies reativas de oxigênio (ERO) ou espécies reativas de nitrogênio (ERN) sobre células, tecidos e órgãos9,10.

“Estresse oxidativo” é definido pelo desequilíbrio entre agentes oxidantes e antioxidantes, com preponderância do primeiro, e consequente acréscimo na formação de radicais livres e na capacidade de gerar danos ao DNA (ácido desoxirribonucleico), às membranas lipídicas e às proteínas7. Contribui para diversas patologias e doenças, como câncer, distúrbios neurológicos, aterosclerose, hipertensão, isquemia, diabetes, fibrose pulmonar idiopática, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e asma8, além de ser considerado como principal fator na disfunção endotelial e da ruptura de placa aterosclerótica.

Os mecanismos antioxidantes podem ser enzimáticos ou não enzimáticos. O sistema enzimático abrange as enzimas superóxido dismutase (SOD), catalase (CAT), glutationa redutase (GR) e glutationa peroxidade (GPX). Por outro lado, o sistema não enzimático possui as moléculas: glutationa reduzida (GSH), FRAP (Ferric Reducing Antioxidant), ácido úrico, vitamina C (ácido ascórbico), vitamina E (alfa tocoferol), vitamina A (retinol), carotenóides, zinco, selênio e flavonóides11.

A coenzima Q10, por sua vez, encontra-se reduzida em diversas patologias, como no infarto agudo do miocárdio, nas miopatias induzidas pelas estatinas, na fadiga física peculiar ao exercício físico, na infertilidade masculina, na pré-eclâmpsia, doença de Parkinson, doenças periodontais, enxaquecas e na hipertensão arterial sistêmica.

Em um estudo, a suplementação realizada com coenzima Q10 em pacientes hipertensos resultou significativamente numa redução média de PAS/PAD em 10,72/6,64mmHg12.

Em outro estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, realizado durante um período de 12 semanas, a suplementação de coenzima Q 10 (100 mg duas vezes ao dia) ou placebo foi administrado em 30 indivíduos com síndrome metabólica, e controle inadequado da pressão arterial (PA) (uma PA clínica média de ≥140 mm Hg sistólica ou ≥130 mm Hg para pacientes com diabetes tipo 2). A PA ambulatorial foi avaliada nas fases pré e pós-tratamento. Os desfechos primários foram as mudanças na pressão sistólica e diastólica de 24 horas, durante a terapia com coenzima Q10, em comparação com a suplementação realizada por placebo. Porém, de acordo com esse estudo, a coenzima Q10 não é indicada como tratamento anti-hipertensivo13.

Em uma meta-análise realizada com o objetivo de mensurar os efeitos da suplementação da coenzima Q10, no tratamento da hipertensão arterial em pacientes com diabetes e síndrome metabólica, foram encontrados efeitos benéficos. Uma das teorias para a explicação desses benefícios na diminuição da pressão arterial sistêmica, seria a redução da resistência vascular periférica através da preservação do NO12.

Em um estudo realizado com ratos espontaneamente hipertensos, a suplementação de CoQ10 modulou os níveis pressóricos e oxidativos sem provocar reações adversas, podendo ser usada como um agente antioxidante e hipotensor concomitante à terapia convencional13.

Os dados obtidos no trabalho em questão mostram que a suplementação de coenzima Q10 numa quantidade de 30 mg/dia até 3000 mg/dia vem se mostrando benéfica para a diminuição da pressão arterial sistêmica em pacientes hipertensos.

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Distúrbios na tireóide

A tireoide é uma glândula localizada na porção anterior do nosso pescoço, popularmente conhecida pelo seu formato de borboleta. É uma das maiores glândulas do nosso corpo e é responsável pela produção dos hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina). Por ser altamente vascularizada ela recebe muitos nutrientes, mas também entrega muitos deles na corrente sanguínea. Ela age na função de órgãos importantes como o coração, cérebro, fígado, rins, entre outros. Também interfere no crescimento e desenvolvimento de crianças e adolescentes14.

Diversos nutrientes são essenciais para o metabolismo da tireóide, no caso do hipotireoidismo além do iodo, como é o caso do magnésio, ferro, selênio e coenzima Q10 também são fundamentais15.

Como funciona a suplementação

A CoQ10 está disponível como suplemento em várias formas, incluindo cápsulas de gel mole, spray oral, cápsulas duras e comprimidos. Uma dosagem típica de CoQ10 é de 30 a 90 mg por dia, sendo administrada em doses divididas, mas a quantidade recomendada pode chegar a 200 mg por dia.

Esta substância é lipossolúvel e, por isso, é melhor absorvida quando tomada com uma refeição que contém óleo ou gordura. Devido à sua hidrofobicidade e grande peso molecular, a absorção da CoQ10 dietética é lenta e limitada. No caso de suplementos dietéticos, as formulações de CoQ10 solubilizadas apresentam maior biodisponibilidade. O efeito clínico não é imediato e pode levar até oito semanas.

Considerações finais

Conclui-se que a Coenzima Q10 (ubiquinona/ubiquinol) é uma quinoa lipossolúvel com uma estrutura semelhante à da vitamina K. É um antioxidante eficaz tanto por si só como em fusão com a vitamina E e é fundamental para potenciar a energia do organismo ciclo de produção de ATP. A CoQ10 é encontrada em todo o corpo nas membranas celulares, especialmente nas membranas mitocondriais, e é principalmente abundante no coração, pulmões, fígado, rins, baço, pâncreas e glândulas supra-renais. O conteúdo corporal total de CoQ10 é apenas cerca de 500-1500 mg e diminui com a idade, tornando eficiente a suplementação da mesma.

Referências bibliográficas

  1. https://examine.com/supplements/coenzyme-q10/
  2. Rajiv Saini. Coenzima Q10: O nutriente essencial. J Pharm Bioalied Sci. 2011 Jul-Set; 3(3): 466-467.
  3. Bhagavan HN, Chopra RK. Coenzyme Q10: absorption, tissue uptake, metabolism and pharmacokinetics. Free Radic Res. 2006;40(5):445-453.
  4. Richard Deichmann, Carl Lavie, Samuel Andrews. Disfunção mitocondrial induzida por coenzima Q10 e estatina. Ochsner J. 2010 Primavera; 10(1): 16–21.
  5. Silva, Thaisa, et al. Suplementação de coenzima Q10 e redução dos efeitos colaterais da terapêutica com estatinas: uma revisão sistemática. Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.7, n.8, p. 84648-84672 aug. 2021.
  6. Krause: Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 13ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013
  7. Wille Oigman. Sinais e sintomas em pressão arterial. JBM, Setembro/Outubro, 2014, Vol. 102, No 5.
  8. Fernandes, Carolina Gonçalves, Laurindo, Francisco Rafael Martins. Estresse oxidativo como mecanismo comum a várias doenças vasculares: uma análise crítica/Estresse oxidativo como mecanismo comum a várias doenças cardiovasculares: uma análise crítica. Rev. Soc. Cardiol. Estado de São Paulo ; 28(1): 42-46, jan.-mar. 2018.
  9. Ramachandran A, Levonen AL, Brookes PS, et al. Mitochondria, nitric oxide, and cardiovascular dysfunction. Free Radic Biol Med. 2002;33(11):1465-1474.
  10. Vasconcelos, Thiago Brasileiro, et al. Radicais Livres e Antioxidantes: Proteção ou Perigo?. UNOPAR Cient Ciênc Biol Saúde 2014;16(3):213-9 213
  11. Ho MJ, Bellusci A, Wright JM. Blood pressure lowering efficacy of coenzyme Q10 for primary hypertension. Cochrane Database Syst Rev. 2009;(4):CD007435.
  12.  Carvalho, Gisah Amaral, et al. Utilização dos testes de função tireoidiana na prática clínica. Arq Bras Endocrinol Metab. 2013;57/3.
  13. Petruk G, Del Giudice R, Rigano MM, Monti DM. Antioxidants from Plants Protect against Skin Photoaging. Oxid Med Cell Longev. 2018;2018:1454936. Tratado de medicina estética, volume III, editora Roca 2° Edição, 2011.
  14. Bocheva G, Slominski RM, Slominski AT. Neuroendocrine Aspects of Skin Aging. Int J Mol Sci. 2019;20(11):2798.

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