A concentração de pessoas nos centros urbanos vai aumentar nas próximas décadas e as cidades precisam vencer o desafio de se tornar mais sustentáveis.

Atualmente, 55% da população mundial vive em áreas urbanas e esse percentual deve chegar a 70% até 2050, segundo projeções da ONU. Para que tanta gente consiga viver bem nas cidades, elas precisarão se tornar espaços mais inclusivos, seguros e sustentáveis, o que exigirá melhor planejamento e gestão urbana.

Não é preciso ser expert no tema para saber que hoje em dia a realidade, especialmente nas grades cidades, está longe desse ideal. Sentimos na pele a poluição, as dificuldades de mobilidade, o excesso de lixo e por aí vai…

Já falamos aqui sobre arquitetura verde e como, individualmente, podemos deixar nossa casa mais confortável com menor impacto ao meio ambiente. Mas para termos cidades sustentáveis, ações isoladas não são suficientes.

O que define a sustentabilidade de uma cidade?

Basicamente, ela precisa manter um equilíbrio entre a qualidade de vida das pessoas, a preservação ambiental e a viabilidade econômica.

Na prática, uma cidade sustentável deve: fazer a gestão do lixo com foco em reciclagem; priorizar o transporte público, tornando-o seguro e eficiente; assegurar que as vias públicas ofereçam segurança para pedestres e ciclistas; preservar e expandir ao máximo as áreas verdes; permitir acesso à habitação digna para todos os moradores; estimular o vínculo comunitário entre os habitantes, promovendo acesso não só a serviços básicos, como educação e saúde, mas também à cultura e lazer.

Parece bom viver em uma cidade assim, né? Como dissemos antes, sustentabilidade se reflete diretamente na qualidade de vida das pessoas, ou seja, é assunto de todo mundo.

A realidade da sustentabilidade urbana no Brasil e no mundo

Chegar ao cenário ideal na prática não é fácil, cidades do mundo inteiro buscam soluções de acordo com sua realidade e recursos para que, aos poucos, consigam atingir objetivos de sustentabilidade.

No Brasil, de modo geral, as cidades têm a característica de urbanização acentuada com pouco planejamento. Os reflexos negativos desse modelo são muitos: empobrecimento da paisagem, deficit habitacional, enchentes e trânsito excessivo são alguns deles. Problemas com a gestão de resíduos, escassez de água, poluição atmosférica e sonora também são sentidos e se agravam quanto maior é a cidade. Estudos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) mostram que cerca de 90% dos municípios brasileiros sofrem algum problema ambiental.

Tais dificuldades não são exclusividade brasileira, muitas cidades ao redor do mudo enfrentam questões complexas decorrentes do aumento populacional. Para se ter uma ideia, em 1975 existiam apenas 3 metrópoles com mais de 10 milhões de habitantes no mundo, em 2005, já eram 20! O número de cidades de 500 mil a 10 milhões de habitantes aumentou 50% em 20 anos.

Diante de tantos desafios, vale dar crédito às cidades que, embora ainda longe do ideal, estão à frente na batalha para se tornarem mais sustentáveis.

3 bons exemplos de sustentabilidade urbana no Brasil:

Curitiba (PR)

Grande ênfase à mobilidade urbana facilitada e à integração entre população e natureza colocam a capital paranaense entre as cidades mais sustentáveis do país.

Paragominas (PA)

A cidade já figurou na lista das que mais desmatavam no Brasil, mas conseguiu reverter esse triste quadro e se tornar um exemplo de combate ao desmatamento. O projeto Município Verde zela pelos recursos naturais e biodiversidade.

João Pessoa (PB)

Recebeu recentemente o prêmio Arbor & Urbe, por ser a capital com maior percentual de áreas verdes das regiões Norte e Nordeste. Em 7 anos, a cidade realizou o plantio de 200 mil mudas de árvores locais, e conta com uma cobertura verde de pouco mais de 30% de seu território.

3 bons exemplos de sustentabilidade urbana mundo afora

Oslo, capital da Noruega

Mereceu o prêmio Capital Verde da Europa em 2019 por sua abordagem abrangente para o desenvolvimento sustentável, incluindo biodiversidade, transportes, coesão social, saúde pública e envolvimento dos cidadãos. Entre as metas da cidade está a redução das emissões de gases de efeito estufa em 50% até 2020 e 95% até 2030.

Santiago, capital do Chile

Venceu a última edição do Sustainable Transport Award (STA) pelo eficiente sistema de corredores de ônibus. Investimentos em infraestrutura, como pavimentação de vias, melhora na iluminação pública, plantio de árvores e facilitação do trânsito de bicicletas tornaram a cidade uma referência na América Latina pelo Green City Index

Singapura

Detém o título de cidade mais sustentável da Ásia, pelo Green City Index. Repleta de árvores e com cerca de 10% de suas terras destinadas para parques e reservas naturais, a cidade-estado tem o apelido de cidade-jardim e abriga a maior instalação de processamento de resíduos alimentares do continente asiático, decompondo matéria orgânica em fertilizantes e energia.

O que essas cidades têm em comum.

Planejamento de longo prazo é a receita, uma cidade não se torna sustentável de um dia para o outro. São políticas públicas ao longo de décadas que trazem resultados positivos para o meio ambiente, desenvolvimento econômico e qualidade de vida dos moradores.

E sua cidade, está a caminho de se tornar mais ou menos sustentável?

Fontes:

ONU News. Disponível em: https://cutt.ly/sz3Or2z Acessado em: 10/03/2021

Folha de São Paulo. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u305663.shtml Acessado em: 10/03/2021

Programa Cidades Sustentáveis. Disponível em: https://www.cidadessustentaveis.org.br/inicial/home . Acessado em 10/03/2021

Fundação verde: Disponível em: https://fundacaoverde.org.br/pages/cidadesustentavel/2018/09/17/essas-sao-as-10-cidades-mais-sustentaveis-do-mundo/ Acessado em: 10/03/2021

European Green City Index. Disponível em: https://eiuperspectives.economist.com/sites/default/files/European_Green_City_Inde. Acessado em 10/03/2021

Espaço Democrático. Disponível em: https://espacodemocratico.org.br/nao-deixe-de-ler/aprendendo-com-as-cidades-mais-sustentaveis-do-mundo/. Acessado em: 10/03/2021