Ciclo sustentável: alternativas aos absorventes descartáveis | Blog Nutrify

Ciclo sustentável: alternativas aos absorventes descartáveis

Apesar de ser um processo biológico natural, o ciclo menstrual foi cercado por uma série de tabus ao longo da história, algo sobre o que não era “adequado” sequer falar. Felizmente, cada vez mais, a menstruação vem sendo encarada da forma que merece: com absoluta naturalidade.

Isso é fundamental para que uma série de debates em torno do assunto possam se expandir, não apenas no que se refere à saúde e sexualidade feminina, mas também à sustentabilidade.

Neste post, vamos falar um pouco sobre a história e os impactos ambientais dos principais métodos utilizados para absorver o fluxo menstrual e mostrar alternativas eco friendly, que têm ganhado cada vez mais atenção.

Da toalhinha da vovó aos descartáveis: absorventes higiênicos ao longo da história

Até o início do século XX, as chamadas toalhinhas foram o tipo de absorvente mais utilizado. Bastante simples, eram faixas de algodão dobradas que podiam ser lavadas e reutilizadas. Embora em 1890 já fosse possível encontrar um modelo de absorvente descartável na Europa, esses produtos só começaram a ganhar escala na década de 1930. Foi nessa época que desembarcou no Brasil o primeiro modelo descartável, ainda importado dos EUA.

A partir de 1950, esses produtos começaram a se popularizar pela praticidade. Nas décadas seguintes, seu uso passou a ser associado à imagem da “mulher moderna”, que conquistava novas posições na sociedade e se libertava de velhos costumes. Na década de 1970, com o advento dos absorventes descartáveis internos, outros benefícios ficaram ao alcance das mulheres, como maior comodidade para praticar exercícios ou ir à praia menstruada, por exemplo.

De lá para cá, a indústria não parou de inovar nesse mercado, criando uma infinidade de modelos, tamanhos e variações. Mas tanta comodidade não vem sem custo, especialmente para o meio ambiente. Por isso, opções reutilizáveis voltaram a ganhar espaço no mercado e na preferência de muitas mulheres.

Absorventes descartáveis: práticos sim, poluentes também.

Os impactos ambientais desses produtos começam em sua produção e seguem após seu descarte, vamos entender melhor por que:

Produção:

Na fabricação de um absorvente externo, são utilizadas uma série de matérias-primas plásticas derivadas do petróleo e outras oriundas da celulose. A produção de materiais plásticos consome recursos naturais não renováveis, gasta muita energia e tem como resultado resíduos de longuíssima duração na natureza.

Já a celulose vem das árvores e, embora a madeira seja um recurso renovável, isso só vale se ela for de origem sustentável (madeira certificada), o que nem sempre acontece. O mesmo vale para o algodão, cuja produção extensiva e não orgânica costuma se valer de grande quantidade de pesticidas e fertilizantes.

Descarte:       

Após a utilização, os absorventes higiênicos acabam indo parar em aterros sanitários ou em lixões, gerando uma quantidade significativa de resíduos que podem levar mais de 100 anos para se decompor e aditivos químicos que podem contaminar o solo e a água.

Trata-se de um produto que não pode ser integralmente reciclado e as tecnologia existentes para reaproveitamento de alguns de seus componentes ainda não tem escala.

Estima-se que apenas uma mulher use, em média, de 10.000 a 15.000 absorventes descartáveis da puberdade até a menopausa (cerca de 10 a cada ciclo menstrual). Por aí, podemos ter uma ideia da dimensão desse impacto.

Alternativas mais sustentáveis para o ciclo.

Sim, as opções reutilizáveis voltaram com tudo, para atender à crescente demanda por produtos mais responsáveis ambientalmente e ao desejo de muitas mulheres de reduzir o uso de químicos sintéticos em produtos de higiene pessoal e beleza.

Engana-se quem acha que se trata de uma simples “volta aos tempos da vovó”. As alternativas atuais contam com avanços tecnológicos notáveis e simbolizam o desejo das mulheres de construir mudanças positivas para o futuro enquanto se tornam cada vez mais conscientes e confortáveis em relação ao próprio corpo. Vamos conhecer algumas delas:

Coletor menstrual:

O coletor menstrual (ou copinho) é um pequeno dispositivo, fabricado com material hipoalergênico, que deve ser introduzido na entrada da vagina. Sua higienização é feita com água e sabão neutro e fervura. As principais marcas do mercado costumam, inclusive, vender o produto com uma panelinha específica para esse fim. Entre suas principais vantagens estão:

  • Economia e durabilidade: bem conservado, um coletor pode durar de 5 a 10 anos em perfeito estado.
  • Evita odores desagradáveis, já que em nenhum momento o sangue entra em contato com o ar.
  • Pode ser utilizado para nadar e praticar exercícios: assim como os absorventes internos descartáveis, os coletores oferecem uma grande liberdade de movimento durante o uso, sem risco de vazamentos.

Algumas mulheres relatam desconforto no início do uso, mas ele costuma desaparecer completamente após a adaptação, que varia entre 2 e 5 ciclos.

Calcinhas absorventes:

Quem prefere protetores externos, pode encontrar nas calcinhas absorventes eficiência e conforto total (parece mesmo que não se está usando nada!). Ao contrário das “toalhinhas” da vovó, esses produtos apostam em alta tecnologia têxtil e são compostos por diversas camadas com diferentes funções (absorventes ou impermeáveis). Alguns dos benefícios dessa lingerie 2 em 1:

  • Alta absorção: escolhendo um modelo adequado a seu fluxo, é possível usar a calcinha por até 12 horas sem vazamentos.
  • Conforto: assim como as calcinhas convencionais, as absorventes também podem ser encontradas em diferentes modelos (mais largas, tipo biquíni, etc.), para que a mulher escolha a mais confortável para si.
  • Não provocam mau cheiro: além de serem confeccionadas com tecidos antibacterianos e antiodores, as calcinhas não têm químicos presentes na maioria dos absorventes, que tendem a gerar mau cheiro em contato com o sangue.
  • Higienização simples: justamente por se valerem de tecidos especiais, esses produtos podem ser lavados de forma prática e rápida, tanto à mão quanto na máquina de lavar. Caso seja necessária a troca durante o dia, é possível guardar a calcinha em uma bolsinha impermeável própria para esse fim até chegar em casa.
  • Economia e durabilidade: mesmo não durando tanto quanto um coletor, se bem conservada, a calcinha dura em média 2 anos (ou 50 ciclos).

Absorvente externo reutilizável:

Usam exatamente a mesma tecnologia das calcinhas, a mudança está só no formato. Esses absorventes são utilizados sobre a lingerie convencional, fixados por abas com delicados botões de pressão. Algumas mulheres escolhem os protetores ao invés das calcinhas, justamente, pela maior conveniência na troca ao longo do dia.

Estão disponíveis em diferentes tamanhos, como protetor diário (menor) e noturno (mais longo), e podem absorver de fluxos leves a intensos.

Para cada mulher, uma escolha

Não existe um método de absorção do fluxo ideal para todas as mulheres. Essa escolha é bastante individual é deve ser feita por cada uma com total respeito a seu corpo e estilo de vida.

Conhecer as opções disponíveis, suas vantagens e implicações sob todos os aspectos, é fundamental para que essa escolha seja cada vez mais consciente e coerente com o que você acredita.

Ainda que você sinta certo estranhamento diante de algumas alternativas, é possível experimentar para decidir se fazem ou não sentido para você. Fica nosso convite!

Referências:

https://super.abril.com.br/mundo-estranho/quem-inventou-o-absorvente-higienico/

https://drauziovarella.uol.com.br/mulher-2/coletor-menstrual-por-que-nao-falamos-dele/

https://www.violetacup.com.br/como-limpar-coletor-menstrual/

https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2020/08/05/ha-tres-anos-elas-lancaram-calcinha-absorvente-e-crescem-30-na-pandemia.htm

https://www.uol.com.br/ecoa/ultimas-noticias/2021/07/08/calcinha-absorvente-e-mais-sustentavel-do-que-coletor-menstrual.htm

https://www.ecycle.com.br/absorvente-impactos-ambientais/

https://asminanahistoria.wordpress.com/2016/10/03/80-anos-depois-coletor-menstrual-inventado-por-leona-chalmers-faz-sucesso/

 

 

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