A busca por hábitos de vida mais saudáveis, felizmente, tem feito com que um número crescente de pessoas se interessem em ingerir alimentos com maior valor nutritivo e menor teor de substâncias contaminantes. Essa onda impulsiona o consumo de alimentos orgânicos, mercado que vem crescendo algo em torno de 20% ao ano.

Os agrotóxicos são produtos químicos sintéticos usados para matar insetos ou plantas nocivas. No Brasil, a venda dessas substâncias saltou de US$ 2 bilhões para mais de US$ 7 bilhões entre 2001 e 2008, chegando ao recorde de US$ 8,5 bilhões em 2011. Esse crescimento nos deu, já em 2009, um título nada louvável: o de maior consumidor mundial de agrotóxicos, ultrapassando a marca de 1 milhão de toneladas. Sim, é muita coisa! Equivale a um consumo médio de 5,2 kg de veneno agrícola por habitante.

Ao longo dos últimos anos, o INCA tem apoiado e participado de diferentes movimentos e ações de enfrentamento aos agrotóxicos, como a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida; o Fórum Estadual de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos do Estado do Rio de Janeiro; o Dossiê da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), “Um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde”; a Mesa de Controvérsias sobre Agrotóxicos do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e os documentários “O veneno está na mesa” 1 e 2, de Silvio Tendler.

Vale lembrar que a liberação do uso de sementes transgênicas no Brasil contribuiu bastante para colocar o país no 1º lugar do ranking de consumo de agrotóxicos, uma vez que o cultivo dessas sementes geneticamente modificadas exige o uso de grandes quantidades desses químicos. Uma coisa importante, que poucos sabem, é que resíduos de agrotóxicos não estão presentes apenas em alimentos in natura, mas também em diversos produtos processados pela indústria. Exatamente! Biscoitos, salgadinhos, pães, cereais, massas e outros produtos que tenham como ingredientes, trigo, milho e soja, por exemplo, podem conter esses resíduos. E não para por aí, eles podem estar presentes nas carnes e leites de animais que se alimentam de ração com traços de agrotóxicos, graças ao processo de bioacumulação.

Um recente estudo realizado em Minas Gerais mostra que a preocupação com a saúde, o maior conteúdo de nutrientes e o sabor mais pronunciado que o dos alimentos convencionais são as maiores motivações para o consumo de frutas e hortaliças orgânicas. Essa troca pode ser uma ótima alternativa, afinal, o medo dos agrotóxicos não deve fazer com que deixemos de comer frutas, legumes e verduras, alimentos fundamentais para nossa saúde e de grande importância na prevenção de doenças como o câncer.

O governo da Dinamarca está desenvolvendo um projeto que pretende transformar 100% de sua agricultura em orgânica. A primeira fase entrará em vigor até
2020 com a intenção de duplicar a quantidade de orgânicos produzidos naquele país, que já é líder nesse tipo de agricultura. Aqui no Brasil as coisas não caminham a passos tão largos, mas já há avanços. Apesar dos elevados índices de uso de agrotóxicos, cada vez mais consumidores começam a priorizar a compra de alimentos orgânicos. Ou seja, conscientemente, escolhem consumir alimentos mais ricos em vitaminas e substâncias antioxidantes que, além de tudo, não colocam em risco sua saúde. Palmas para eles!

O mercado responde positivamente e tornam-se cada vez mais numerosos os pontos de venda de alimentos orgânicos. Na cidade de São Paulo, por exemplo, há um ônibus que funciona como um Food Truck desse tipo de alimento, percorrendo as ruas da cidade e estacionando em condomínios e empresas.

Quer aumentar seu consumo de orgânicos? No link abaixo você consulta as feiras especializadas em todo o país. Procure a mais próxima e desfrute dos deliciosos sabores das frutas e verduras de época, sem se preocupar com o “veneno” por trás delas!

Clique para acessar: http://feirasorganicas.idec.org.br/

REFERÊNCIAS

Andrade LMS, Bertoldi MC. Atitudes e motivações em relação ao consumo de alimentos orgânicos em Belo Horizonte – MG. Braz. J. Food Technol. 2012; 15:31-40.

INCA:

http://www1.inca.gov.br/inca/Arquivos/comunicacao/posicionamento_do_inca_sobre_os_agrotoxicos_06_abr_15.pdf