Benefícios da Própolis e das Fibras na imunidade

Ter uma imunidade bem estabelecida é fundamental para que o organismo tenha mecanismos de defesas para lutar contra invasores indesejáveis como, por exemplo, os vírus. Os nutrientes e compostos bioativos presentes nos alimentos, além de atuarem na manutenção e fisiologia do corpo também apresentam papéis fundamentais no fortalecimento do sistema imunológico. Os compostos bioativos presentes nos alimentos atuam ativando ou inibindo vias de sinalização que agem diretamente nas células associadas ao sistema imune.

Alguns exemplos de compostos bioativos que podem ser citados são as fibras prebióticas, própolis, whey protein, glutamina, cúrcuma e vitamina D3. As fibras presentes nos alimentos ou suplementos como a inulina, frutooligossacarídeos e goma guar quando chegam no intestino são fermentadas por bactérias e produzem alguns ácidos graxos de cadeia curta como o butirato, acetato e propionato que são rapidamente absorvidos no intestino e apresentam diversos benefícios.

Associados aos ácidos graxos de cadeia curta, se relacionam com a manutenção da integridade da parede intestinal deixando-a mais seletiva e evitando a permeabilidade de patógenos ou substâncias que não são adequadas ao organismo, regulam o sistema imune promovendo a inibição da produção de citocinas inflamatórias como TNF-α e IL-6 através da ativação de mecanismos de ação. Promovem também a estimulação de glutationa-S-trasferase uma importante enzima que atua na eliminação de substâncias consideradas toxicas ao organismo.

A introdução da própolis como suplemento diário na rotina tem efeitos positivos sobre o sistema imunológico, o seu uso está associado a efeitos inibitórios nas vias de sinalização que evitam as cascatas inflamatórias que podem ser desencadeadas como, por exemplo, pela Covid 19.

Em estudos pré-clínicos realizados pôde ser observado que a própolis atua como imunoreguladora de citocinas pró inflamatórias como a IL-6, IL-1 beta e TNF-α, reduzindo a ativação da cascata de citocinas, um contribuinte para o agravamento e até morte por Covid-19. Ter uma alimentação balanceada, equilibrada e introduzir alguns suplementos tem sido relacionado a melhoras da imunidade que é tão importante para o momento que estamos vivendo de pandemia.

O Whey protein é uma proteína extraída do soro do leite, é rica em aminoácidos essenciais possui alto valor nutricional, sendo bem digerida e facilmente absorvida, contribuindo com um rápido aumento dos aminoácidos no sangue. Essa proteína é composta por diversos peptídeos como a α-lactoglobulina, β-lactalbumina, albumina e imunoglobulinas que atuam de diferentes formas no organismo.

Dentre os benefícios observados dos peptídios, estão a ação antioxidantes, propriedades anti-hipertensivas, controle de peso, antidiabético, redução do estresse oxidativo celular, efeitos imunoreguladores e antimicrobiano. No controle da pressão os peptídeos bioativos atuam na inibição da enzima de conversão da angiotensina para que não ocorra a conversão de angiotensina II. Os peptídeos sintetizados a partir da alfa lactoglobulina, beta lactoglobulina e glicomacropeptideo apresentam atividades inibitórias de enzima de conversão de angiotensina, mostrando efeitos na redução da pressão arterial. Outros benefícios observados dos peptídeos bioativos do soro do leite é a sua atuação na estimulação da produção de  glutationa um poderoso antioxidante que auxilia na eliminação de radicais livres, substâncias toxicas que causam danos no DNA.

Foi observado em estudos que a lactoferrina também aumenta de forma significativa a quantidade das enzimas antioxidantes intracelulares como a superóxido dismutase 1, 2 e tioredoxina. No sistema imune os peptídeos do soro do leite apresentaram efeitos imunomoduladores nas respostas imunes, promovendo a ativação e proliferação de linfócitos, regulação de citocinas, melhora na produção de anticorpos, aumento da capacidade fagocítica de macrófagos e estimulação de geração de imunoglobulina. Outro dado interessante observado em um estudo foi a suplementação de vitamina D em conjunto com a proteína do soro do leite na redução da inflamação crônica em idosos sarcopênicos.

A vitamina D3 é produzida na pele através da exposição à luz solar ou através da suplementação.  A síntese da vitamina D3 depende de diferentes fatores como a pigmentação da pele, poluição do ar, uso de protetor solar, estação do ano e hora do dia. Quando a vitamina D3 é ativada, passa por diferentes processos metabólicos e apresenta inúmeros benefícios para o organismo, ela exerce proteção para as células do epitélio intestinal promovendo a homeostase da barreira da mucosa intestinal. A deficiência de vitamina D está associada ao aumento da permeabilidade de patógenos como vírus, bactérias e ativação de vias inflamatórias como NF-kB pró inflamatório. A Vitamina D é responsável por atuar nas células do intestino com junções estreitas evitando a permeabilidade de patógenos através da infiltração de bactérias na mucosa do cólon, causando inflamação subclínica. Essa inflamação quando ativada acarreta queda do sistema imune, deixando o hospedeiro acessível a diferentes patógenos causadores de doenças.

Outro aminoácido fundamental é a glutamina, encontrada de forma abundante no corpo dos mamíferos e corresponde a 60% do pool total de aminoácidos livres, os garantindo para outros tecidos e órgãos. Ela apresenta papel fundamental no transporte de nitrogênio, carbono e energia entre os tecidos. Também é um precursor da glutationa um poderoso antioxidante produzido endogenamente. É um aminoácido não essencial o que quer dizer que nosso corpo o produz, mas em condições especiais como patologias e atividades físicas intensas, a glutamina se torna um aminoácido condicionalmente essencial. Este aminoácido atua como uma fonte de combustível para certas células imunológicas como os linfócitos e macrófagos e pode ter um efeito especial na estimulação imunológica.

Cengiz.  et al (2020) investigou o efeito da suplementação de glutamina no tempo de internação, necessidade de unidade de terapia intensiva e mortalidade pela doença do Coronavírus (Covid-19). No estudo foram incluídos 30 pacientes com Covid-19 usando glutamina e 30 pacientes com Covid-19 que não usavam glutamina com idade, sexo e condições clínicas semelhantes. Neste estudo puderam observar que a suplementação com a glutamina estimula o sistema imunológico, contribuindo com a inibição das respostas inflamatórias. Esses resultados sugerem que a adição de glutamina no período inicial da infecção por Covid-19 pode contribuir para reduzir o tempo de internação hospitalar e minimizar a necessidade de UTI.

A glutamina também tem sido associada a muitas funções fisiológicas no corpo, os seus benefícios estão associados as funções imunológicas. Evidências cientificas mostram que a suplementação com glutamina é necessária em pacientes com estresse associado a patologias.

O diabetes, por exemplo, é uma doença catabólica com alto estresse oxidativo e diferentes estudos mostram que a suplementação neste grupo atua no controle glicêmico por meio da redução da produção de espécies reativas de oxigênio, aumento da secreção de insulina, redução da apoptose das células β pancreáticas e diminuição da expressão de genes associados a vias que causam complicações diabéticas. A glutamina está associada a um potencial antioxidante intracelular reduzindo o dano celular, os quais podem desempenhar papéis consideráveis na lesão tecidual induzida por hiperglicemia.

A Cúrcuma Longa é uma planta pertencente a espécie Zingiberaceae. É popularmente conhecida como açafrão, açafrão da terra, gengibre amarela e raiz de sol. É uma espécie originária do sudeste asiático e é considerada uma importante especiaria com efeitos terapêuticos. A Cúrcuma contém muitos fitoquímicos, sendo mais de 50 tipos de diarilpentanoides e diarilheptanoides conhecidos como curcuminóides, uma mistura variável de três diarilheptanoides não voláteis: diferuloilmetano (curcumina I), desmetoxicurcumina (curcuminmeto II) e biscurcumina (curcumina III)).

Os efeitos benéficos da curcumina estão associados a redução de inflamações, artrite, hiperlipidemia, inflamação induzida por exercícios, síndrome metabólica e também de pulmões e de vias respiratórias. A inflamação é um processo que envolve células do sistema imunológico.  A curcumina age nas vias inibindo a ativação da cascata da inflamação.  Nas vias respiratórias esse curcuminóde diminui a resposta de citocinas pró inflamatórias que ocorre nos processos de inflamações. Nas alergias a curcumina também atua na inibição de NF-kB nas vias aéreas evitando o desenvolvimento de processos inflamatórios.

A utilização dos suplementos quando bem direcionados apresentam efeitos benéficos na saúde, devido a sua ação na modulação do sistema imune por inibir ou ativar vias que promovem proteção ao organismo, deixando -o mais fortalecido e evitando o surgimento ou até o agravamento de doenças.

Texto elaborado por: Roberta Saraiva Giroto Patrício

Nutricionista Mestre em Ciências dos Alimentos pela Universidade de São Paulo.

Consultora Cientifica na integralmédica para blog Nutrify e Life Science na linha Nutrify.

Referências Bibliográficas

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Fonte: Malaguarnera L, 2020

Fig.  . Vitamina D3, Microbiota e Função de Barreira Intestinal.1,25 (OH) 2D3 reduz o aumento relacionado à lesão de TJ na permeabilidade da barreira da mucosa intestinal e a diminuição da expressão de MyD88 controla a barreira intestinal. A deficiência de vitamina D aumenta IL-1α, IL-1β, TNF-α, IL-10, IL-21 e IFN-γ. O TNF-α induz a perda da integridade da barreira GI e inflamação do cólon. 1,25 (OH) 2D3 protege contra lesão induzida por TNF-α da barreira intestinal pela supressão da cadeia leve quinase da miosina (MLCK) pela inibição do fator nuclear kappa B (NF-κB) que se liga ao promotor do gene MLCK. 1,25 (OH) 2D3 aumenta a expressão da fosfatase alcalina e da maltase, o que aumenta a formação de microvilosidades. O VDR desempenha um papel na inibição mediada por butirato da ativação de NFκB induzível e regula a expressão das proteínas TJ ZO-1, ZO-2.

Fonte: Azeez T B, Lungha  J, 2021.

Cúrcuma ( Curcumina longa ).

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