Alimentos Funcionais

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Há mais de 2.500 anos um lendário médico chamado Hipócrates disse: “que o alimento seja teu medicamento e o medicamento, o teu alimento“. Esta frase ganhou interesse renovado por conta de inúmeras evidências científicas que descrevem o efeito medicinal dos alimentos, tanto na promoção de saúde quanto na terapia de doenças crônicas não transmissíveis.

Denominamos de alimento funcional todo alimento, cujo benefício sobre uma ou mais funções no organismo foi satisfatoriamente demonstrado para manutenção do bem estar e redução de um risco de doença.

Efeitos:
– manutenção geral da saúde
– papel fisiológico dos nutrientes
– redução de riscos de doenças

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Inúmeras evidências demonstram relação consistente entre o tipo da dieta e surgimento de doenças crônicas não transmissíveis, incluindo as cardíacas, cerebrovasculares, neoplasias, diabetes, doenças ósseas e etc. Por isso, práticas preventivas são recursos essenciais dentro de um estilo de vida saudável e o papel da alimentação na prevenção destas doenças é indiscutível sendo um dos principais fatores para a longevidade saudável.

Principais alimentos funcionais:
Flavonóides, v fitoestrogenos, ácidos graxos, ômega 3, fitosteróis, carotenóides, fibras, prébioticos, próbioticos, glicosinolatos e compostos organossulfurados.

Flavonóides
São os compostos fenólicos amplamente conhecidos por seu papel antioxidante. Seu papel na manutenção no equilíbrio (homeostase) diminuindo o famoso estresse oxidativo é uma de suas funções mais importantes e mais conhecidas.

Evidências recentes indicam que o vinho tinto, que é uma das principais fontes de flavonoides, pode reduzir o risco de doenças coronarianas. Em particular, a França apresenta uma taxa relativamente baixa de doenças cardiovasculares, apesar de sua dieta rica em gordura saturada(paradoxo francês); investigações subsequentes revelaram que componentes não alcoólicos do vinho (flavonóides) eram capazes de inibir a oxidação do colesterol LDL (ruim) inibindo assim a formação de placas coronarianas.

Em geral frutas, em especial uvas vermelhas (resveratrol), hortaliças, café e chás, são boas fontes de flavonóides.
Recentemente em uma pesquisa, Nurk e cols verificaram a ingestão habitual de flavonóides do vinho chá e chocolate por 2.031 idosos, onde foi observado uma melhora significativa da função cognitiva quando comparados com um grupo controle que não realizou a ingestão. Tais resultados abriram um novo campo de pesquisa, o que poderá aumentar o valor desses compostos na saúde humana.

Outro campo dos flavonóides é a propriedade termogênica, por exemplo as catequinas presentes no chá verde.
Termogênicos são compostos capazes de aumentar o gasto energético, ou seja, a capacidade do corpo queimar mais calorias enquanto são digeridos.

As substâncias termogênicas contidas no café, chá verde, pimenta vermelha, mostarda e no guaraná tem a capacidade de aumentar a temperatura corporal, acelerar o metabolismo basal em até 15%, e assim, ocorre a queima de gordura. Todo mundo sabe que estes efeitos são fantásticos para prevenção de obesidade.

Deve-se ressaltar que estes terão de ser ingeridos com cautela e sob supervisão, para que não ocorram efeitos colaterais por excesso de consumo, como gastrites, taquicardia, insônia, sudorese excessiva, irritabilidade e etc…

A hesperidina é um flavonóide encontrado em abundância na laranja e limão, e tem demonstrado várias atividades benéficas como: Redução da fragilidade de vasos e efeitos anti-hipertensivos na redução de colesterol ruim e triglicerideos.

A quercetina é um outro flavonóide encontrado em uma ampla variedade de plantas como as hortaliças, frutas e ervas, em que apresentam uma ampla variedade de efeitos, como: Antioxidante, antialérgico, anti-inflamatório, antitumoral, antibiótica e antiviral. Estudos recentes mostram que a mesma protege as células gástricas contra agressões de diversas origens e outras mostram efeitos positivos contra Alzheimer.

O resveratrol é um flavonoide que isolado pela primeira vez em 1974, sua maior concentração é encontrada na casca de uvas em resposta á agressão de fungos. Possui propriedades antifúngicas, antioxidantes, antitumorais e anti-inflamatórias. Os vinhos produzidos a partir das uvas Merlot e Cabernet Sauvignon, estão entre as maiores fontes de resveratrol cujos teores médios são de 5,06ng/l. Dados recentes indicaram que os vinhos brasileiros possuem em média 2,57ng /l de resveratrol, que na verdade são boas fontes do mesmo.

Quanto as propriedades antitumorais, estes promovem um efeito de anti-proliferação celular, causando inibição do ciclo celular e apoptose (morte celular); a proliferação desregulada parece ser uma marca para o aparecimento de neoplasias.

Quantidades sugeridas pela Associação Americana de Dietética:
Suco de uva ou vinho tinto (resveratrol) 250 ml ao dia** no caso o vinho se não houver contraindicação de ingestão de álcool.
Chá verde (catequinas) 4 a 6 xícaras ao dia
A sequência virá em novos artigos com: fitoestrógenos, ácidos graxos, carotenóides, pré e próbioticos, etc.

Referências:
Hasser CM Position of American Dietetic Association : functional foods (J Am Diet Assoc 2004 May 104 ( 5 )
Roberfroid MB, Concepts and strategy of functional food science ( Am j Clin Nutr 2000 Jun 71 )
Monteiro CA , Velhos e novos males de saúde no Brasil : evolução do país e suas doenças 2 ed São Paulo :Hucitec 2000

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