Ácido Fólico | Blog Nutrify

Ácido Fólico e suas funções além do uso na gravidez

Muito conhecido por ser o “suplemento da gravidez” devido ao seu papel na prevenção de deficiência do tubo neural do feto, o folato refere-se a uma vitamina hidrossolúvel, mais conhecida como ácido fólico.

Sua forma biologicamente ativa é o ácido tetrahidrofólico (THF), o qual tem participação em diversas reações de transferência de carbono para a biossíntese de nucleotídeos essenciais para a síntese de DNA e RNA e formação de glóbulos vermelhos normais juntamente com a vitamina B121.

Cerca de 80% do folato da dieta é encontrado na forma de poliglotamato, já o tetraidrofolato é adquirido da dieta ou até mesmo por síntese na microbiota. Alimentos como brócolis, espinafre, ervilhas, grãos, feijão, lentilha, laranja, fígado bovino e gema de ovos, apresentam o folato naturalmente, entretanto, a forma que é adicionada aos alimentos e suplementos, o ácido fólico, possui uma melhor absorção1

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Tendo em vista esse cenário, o enriquecimento de alimentos com micronutrientes como o ácido fólico é uma estratégia de saúde pública adotada desde o início do século XX e recomendada pela OMS como uma abordagem para reduzir deficiências nutricionais por micronutrientes. No Brasil, o enriquecimento obrigatório das farinhas de trigo e de milho com ferro e ácido fólico foi implementado em 2002, com a publicação da RDC n. 344, e é uma das estratégias do MS para diminuição da incidência de DTN, ou seja, má formação de bebês durante a gestação pelo ácido fólico, e para a prevenção da anemia com o ferro.

Este enriquecimento dos alimentos ajudou a aumentar a ingestão média de ácido fólico em cerca de 100 mcg/dia5. A dose dietética recomendada para folato está listada em microgramas (mcg) de equivalentes dietéticos de folato (DFE). Homens e mulheres com 19 anos ou mais devem apontar para 400 mcg de DFE. Mulheres grávidas e lactantes precisam de 600 mcg de DFE e 500 mcg de DFE, respectivamente. As pessoas que bebem álcool regularmente devem buscar pelo menos 600 mcg de DFE de folato diariamente, pois o álcool pode prejudicar sua absorção1.

Impacto na saúde

Depressão

Alguns estudos também observaram que pessoas com depressão apresentam baixas concentrações de vitamina B9 e aumento da homocisteína, o que pode desencadear uma cascata de reações resultando em uma condição depressiva. A questão é que essas pessoas também podem apresentar uma baixa concentração de vitamina B12 e, se o ácido fólico for suplementado, poderá mascarar uma anemia causada pela deficiência de B12. Entretanto, a co-ingestão dessas duas substâncias pode melhorar o efeito dos medicamentos antidepressivos3,4.

Aterosclerose

Sabe-se que as moléculas conhecidas como tetrahidrobiopterina (BH4) e óxido nítrico são conhecidos por exercerem efeitos benéficos para o fluxo sanguíneo e doenças cardíacas, enquanto a homocisteína é conhecida por ser prejudicial quando está em excesso, sendo estas são três moléculas envolvidas no metabolismo do ácido fólico1.

Dessa forma, foi avaliada a suplementação de 400µg e 5mg de ácido fólico ao longo de seis semanas parece eficaz no aumento do folato plasmático em indivíduos com doença arterial coronariana e na redução da homocisteína, mas parece que apenas a dose mais alta é eficaz no aumento do fluxo sanguíneo1,2.

Anemia Megaloblástica

Tanto a deficiência em folato quanto a em vitamina B12 resultam na anemia megaloblástica – liberação na circulação de eritrócitos imaturos em virtude de falha no processo normal de maturação na medula óssea. Pode também haver baixa contagem de células brancas e plaquetas, bem como aumento do número de neutrófilos hipersegmentados1.

A deficiência em ferro pode mascarar a anemia megaloblástica por causa da deficiência em folato e em vitamina B12. Em razão do dano neurológico que acompanha a deficiência em B12, a condição é geralmente conhecida como anemia perniciosa. A causa da megaloblastose é uma depressão da síntese de DNA como resultado da diminuição da atividade da timidilato sintetase, enzima dependente de folato, com uma síntese de RNA normal1.

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Suplementação: como funciona?

Devido ao uso de muitos medicamentos de uso comum causarem depleção dessa vitamina, sua deficiência é identificada com frequência, tornando a suplementação uma opção muito útil em diversos casos1,2.

Os suplementos podem estar apresentados em três diferentes formas: folato, ácido fólico e L-metilfolato. Apesar de apresentar diversos benefícios, o ácido fólico se difere das outras vitaminas do complexo B por apresentar efeitos colaterais quando a exposição prolongada a níveis de até 250% da RDA ocorrem, podendo estar associada a um aumento relativo nas taxas de câncer de cólon entre os idosos. Dessa forma, é visto que suplementar  doses baixas de folato ou ácido fólico em conjunto com uma dieta saudável, é suficiente para que os níveis corporais dos metabólitos de folato estejam sustentados2.

Para realizar a suplementação de ácido fólico existem alguns cuidados e opções dependendo de qual forma você decidir tomar1:

  •   Ao suplementar folato, use até 400 DFE (400 mcg de folato);
  •   Ao suplementar ácido fólico, use até 400 DFE (200 mcg é tomado com o estômago vazio, 240 mcg se tomado com uma refeição);
  •   Não é necessário nenhuma estratégia em relação a doses únicas e doses múltiplas, podem ser simplesmente tomadas uma vez ao dia.

Considerações finais

A normativa de obrigatoriedade de adição de ácido fólico nas farinhas de trigo e de milho comercializadas no país é uma medida de com impactos positivos na saúde de toda a população, justamente pela contribuição direta na redução do risco de defeitos do tubo neural e com possibilidade de também promover a queda dos níveis de homocisteína. Dessa forma, o consumo adequado desse nutriente na dieta dos indivíduos promove efeitos muito benéficos na saúde em geral, até mesmo em doenças como depressão, alzheimer, anemia megaloblástica, aterosclerose, entre outras.

Referências bibliográficas

  1. COZZOLINO, Silvia M. F. Biodisponibulidade de nutrientes. 5º Edição. São Paulo: Manole Ltda, 2016.
  2. Examine – Ácido Fólico.
  3. Clark A, Mach N. Exercise-induced stress behavior, gut-microbiota-brain axis and diet: a systematic review for athletes. J Int Soc Sports Nutr. 2016 Nov.
  4. Rizzo G, Laganà AS, Rapisarda AM, La Ferrera GM, Buscema M, Rossetti P, Nigro A, Muscia V, Valenti G, Sapia F, Sarpietro G, Zigarelli M, Vitale SG. Vitamin B12 among Vegetarians: Status, Assessment and Supplementation. Nutrients. Nov, 2016.
  5. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Portaria nº 344, de 12 de Maio de 1998.
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