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A importância da glutamina no estado nutricional

A glutamina é o aminoácido livre mais abundante no organismo e é considerado não essencial.

O nosso organismo consegue sintetizar, no entanto quando o corpo passa por algumas condições como o de stress, treinos e atividades físicas intensas, dietas restritas, infecções, sepse, queimaduras, ou alguma patologia, a síntese não é suficiente para suprir a demanda que o organismo precisa nestas condições especiais e estudos têm comprovado a necessidade da suplementação, para otimizar a saúde e a qualidade de vida, sendo  esse aminoácido considerado essencial e necessário ao organismo nestas condições.

Como a Glutamina funciona?

A glutamina exerce papel fundamental no organismo como precursor de nitrogênio para a síntese de nucleotídeos, manutenção do balanço ácido-base durante acidose, detoxificação de amônia, crescimento e diferenciação celular, possível regulador direto da síntese e degradação protéica, fornece energia para células de rápida proliferação como os enterócitos e células do sistema imune, aumentam a síntese de colágeno, promove melhora na permeabilidade e integridade intestinal, aumenta a resistência às infecções por aumento da função fagocitária e atua na construção da massa muscular. 

A glutamina possui propriedades de modulação celular e afeta o metabolismo de células de defesa como os linfócitos e macrófagos, atuando dessa forma na regulação do sistema imune. Esse aminoácido também é fonte de energia para as células da mucosa intestinal, essas células atuam como uma barreira dificultando a passagem de organismos estranhos como as bactérias e os vírus que podem causar doenças. 

As fontes alimentares de glutamina são: 

  • ovos;
  • leites;
  • couve;
  • espinafre;
  • beterraba;
  • tâmara;
  • laranja;
  • carnes vermelhas;
  • peixes;
  • leguminosas;
  • cevadas.

A liberação da glutamina para a circulação é controlada principalmente pelos órgãos como o intestino, fígado e músculos esqueléticos e em casos de depleção da glutamina no organismo ocorre a mobilização desse aminoácido para manter o equilíbrio e evitar possíveis doenças causadas pela falta de homeostase. O tecido muscular, por exemplo, possui de 40 a 60 % do pool de aminoácidos livres, garantindo aminoácidos para outros tecidos e órgãos quando necessário. 

No entanto em situações especiais como as citadas acima, apesar de haver a possibilidade de mobilizações endógenas por parte de enzimas para disponibilizar a glutamina, estudos relatam que os níveis de glutamina nestas situações são considerados baixas para manter o equilíbrio e não são suficientes e há necessidade de suplementação alimentar para manter os níveis adequados ao organismo, para garantir as células de defesas suprimentos adequados a sua síntese, evitando infecções ao organismo. 

A glutamina atuaria em vias de ativação responsáveis pela expressão de proteínas que atuam como cofatores ou enzimas que possui a capacidade de proteger as células de  lesões, exposição a agentes estressores, como radiação ultravioleta (UV), calor, agentes infecciosos e espécies reativas de oxigênio e atuaria também na síntese de glutationa um importante antioxidante, que tem papel fundamental na reversão dos efeitos negativos dos radicais livres ao organismo, a sua ação estaria associada a desativação dos radicais livres evitando danos ao DNA e protegendo o organismo de possíveis doenças.

Quais os efeitos da Glutamina?

Eda et al observou em seu estudo o efeito da glutamina na dermatite induzida pela radioterapia no câncer de mama. A radioterapia é um componente crítico no tratamento do câncer de mama, onde ocorrem muitas reações cutâneas desde eritema a descamação e ulceração. Os pacientes neste estudo foram tratados com 15 gramas de glutamina enteral, enquanto os outros foram tratados com placebo. As reações cutâneas induzidas pela radiação foram avaliadas em ambos os grupos, e a conclusão foi de que a  glutamina enteral minimiza a dermatite induzida por radiação.

Há discurso na literatura como a de Castell et al que uma dose de 5 gramas de glutamina, em água, oferecida para corredores de média distância, maratonistas, ultramaratonistas e remadores, administrada 2 horas após a competição ou sessão de treinamento intenso, foi suficiente para diminuir a incidência de infecções nos sete dias posteriores ao exercício. Dentre os atletas que receberam a suplementação, apenas 19% registraram alguma infecção, enquanto que 51% dos atletas que receberam placebo mencionaram ter adquirido algum tipo de infecção durante o período estudado.

Glutamina: Aminoácido no tratamento de doenças

Um estudo realizado por Cengiz et al com objetivo de investigar o efeito da suplementação oral de glutamina no tempo de internação, necessidade de unidade de terapia intensiva e mortalidade por doença de coronavírus (Covid-19). Esse estudo incluiu 30 pacientes internados com uso de glutamina e 30 pacientes sem o uso de glutamina, com idade, sexo e estado clinico semelhantes. Os autores puderam observar que a suplementação de glutamina estimula o sistema imunológico, especialmente pela inibição de respostas inflamatórias. Os resultados sugerem que a adição de glutamina enteral à nutrição normal no período inicial da infecção por Covid-19 pode levar a um tempo de internação hospitalar mais curto e reduzir a necessidade de UTI, sendo que mais estudos de larga escala são necessários para avaliar o efeito da adição de glutamina aos tratamentos atualmente usados ​​nas doenças infecciosas, especialmente como Covid-19.

Através desses estudos pode-se observar a importância da suplementação da glutamina nas condições especiais, onde os níveis desse aminoácido encontram-se baixos, e mesmo havendo as reservas corporais estas não são suficientes para manter o equilíbrio desejado nas condições específicas.

Referências Bibliográficas

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Castell Lm. POORTMANS JR, NEWSHOLME EA. Does glutamine have a role in reducing infections in athletes? Eur J Physiol. v.73, p. 738-742, 1996.

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Novelli.  M. Suplementação de Glutamina Aplicada à Atividade Física. R. bras. Ci. e Mov.  v. 1, n15 p. 107-119, 2007.

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